Rússia e Turquia advertem contra interferência no Irã | Notícias internacionais e análises | DW | 04.01.2018
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Mundo

Rússia e Turquia advertem contra interferência no Irã

Moscou e Ancara mencionam possíveis reações e pedem que governos estrangeiros não interfiram em "assuntos domésticos" iranianos, após protestos no país. Kremlin cita especificamente ingerência dos Estados Unidos.

Policiais e manifestantes em Teerã

Em uma semana, protestos antigoverno deixaram ao menos 21 mortos

A Rússia e a Turquia advertiram nesta quinta-feira (04/01) contra intervenções externas na política interna do Irã, depois de uma semana de protestos violentos contra o governo iraniano, que resultaram em ao menos 21 mortes.

Em conferência em Ancara, Ibrahim Kalin, porta-voz do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que a intromissão de governos estrangeiros poderia provocar uma reação. Kalin também disse que, embora os cidadãos iranianos tenham o direito de realizar manifestações, não é aceitável que estas causem vítimas fatais e danos materiais.

O Kremlin foi mais direto e exortou os Estados Unidos a não interferirem no que o governo russo chamou de "assuntos domésticos do Irã", reportou a agência russa de notícias TASS, que citou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov.

Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, expressou seu apoio aos manifestantes que realizaram protestos em massa em diversas cidades iranianas contra a liderança religiosa do país.

Iran - Generalmajor Abdolrahim Mousavi

Major-general Abdolrahim Mousavi: "Exército está pronto para enfrentar os ludibriados pelo Grande Satanás [EUA]"

Exército pronto para intervir

Também nesta quinta-feira, o comandante do Exército do Irã, major-general Abdolrahim Mousavi, anunciou que, embora as manifestações tenham sido reprimidas por forças policiais, as tropas do país estão a postos para intervir caso necessário.

"Embora essa sedição cega tenha sido tão pequena que uma parte da força policial foi capaz de cessá-la, vocês podem ter certeza que os camaradas no Exército da República Islâmica estarão prontos para enfrentar os ludibriados pelo Grande Satanás [Estados Unidos]", disse Mousavi.

A tranquilidade reinou nesta quinta-feira nas ruas de Teerã, depois que as autoridades iranianas deram por finalizados os protestos antigovernamentais.

Iran Protest in Stadt Ahwaz

Manifestantes na cidade de Ahwaz, em 02 de janeiro, protestam contra dificuldades econômicas e corrupção

Maior onda de protestos dos últimos anos

A série de protestos começou na quinta-feira passada na cidade de Mashhad, segunda maior do país. Mais de mil manifestantes foram detidos. Os protestos antigoverno, que aparentam ter sido espontâneas e sem um líder claro, foram impulsionadas por dificuldades econômicas, desemprego entre jovens e alegações de corrupção.

A onda de protestos é considerada a maior desde a revolta de 2009, quando uma série de manifestações tomou as ruas do país contra supostas fraudes eleitorais a favor do linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, logo se tornando um movimento de maior escala de contestação ao regime dos aiatolás.

Desta vez, os protestos tiveram inicialmente a inflação e o desemprego como alvo, mas logo ganharam tom político, com críticas ao presidente Hassan Rohani e ao líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. 

Rohani assumiu o governo para um segundo mandato em agosto, com promessas de revitalizar a economia, minada por sanções internacionais. Os investimentos estrangeiros estão em alta, mas o país continua a sobreviver, sobretudo, da venda de petróleo.

Os manifestantes – que incluem membros da classe trabalhadora, assim como escolarizados da classe média, que formaram a espinha dorsal dos protestos pró- reforma em 2009 – afirmaram estar cansados de slogans antiocidentais e que chegou a hora de a liderança clerical e o governo do presidente Rohani renunciarem.

O desemprego entre jovens atingiu recentemente a marca de 40%. Muitas das sanções internacionais foram revogadas com o acordo nuclear de 2015, mas medidas unilaterais americanas contra transações financeiras com o Irã continuam a minar a economia e impedem a maioria dos bancos ocidentais de conceder crédito a iranianos.

Na terça-feira, Khamenei, acusou os "inimigos" do país de estarem por trás das manifestações, mas não mencionou nomes. "Nos últimos dias, os inimigos do Irã usaram diferentes ferramentas, incluindo dinheiro, armas, política e aparato de inteligência, para criar problemas para a República Islâmica", afirmou.

PV/rtr/efe/ap/afp

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