Quase 500 detidos em onda de protestos no Equador | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 07.10.2019
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América Latina

Quase 500 detidos em onda de protestos no Equador

Há cinco dias consecutivos país enfrenta manifestações violentas após fim do subsídio estatal aos combustíveis. Milhares de indígenas se dirigem a Quito para participar de greve nacional.

Estradas bloqueadas com pneus e terra no Equador

Estradas no Equador foram bloqueadas pelo quinto dia consecutivo

A polícia do Equador prendeu 477 pessoas durante a onda de protestos, que ocorre no país desde o início de outubro, contra medidas de austeridade impostas pelo governo do presidente Lenín Moreno. Quito afirmou ainda que mais de 20 policiais ficaram feridos nas manifestações e um homem morreu atropelado por um carro.

A ministra do Interior Paula Romo afirmou nesta segunda-feira (07/10) à Radio Quito que as detenções ocorrem devido a atos de vandalismo, incluindo a destruição de várias ambulâncias. Moreno disse que não tolerará desordem e que não pretende voltar atrás na medida que acabou com o subsídio estatal aos combustíveis.

Pelo quinto dia consecutivo, algumas estradas foram bloqueadas com pedras, pneus e galhos. Diversos grupos indígenas marcham em direção a Quito, capital do país, para se unir aos manifestantes. O presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), Jaime Vargas, disse os protestos só vão parar quando o governo voltar a subsidiar combustíveis.

"Bloqueamos totalmente o diálogo com o governo. Não haverá diálogo até chegarmos a Quito. Não estamos aqui para negociar pelas costas do povo", disse o líder indígena.

Cerca de 20 mil indígenas devem chegam em Quito na terça-feira para participar da greve nacional convocada por sindicatos e outras organizações sociais no dia seguinte. A caminhada teve início no sábado. Protestos liderados por indígenas já derrubaram três presidentes antes de Rafael Correa, o antecessor de Moreno.

Diante da chegada dos manifestantes, a polícia ergueu barricadas ao redor do palácio presidencial e fechou parte do centro da cidade. As medidas de austeridade estão previstas num acordo visando obter do Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de 4,2 bilhões de dólares. O governo luta contra uma grande dívida externa e déficit fiscal.

Os protestos começaram na quinta-feira, quando entrou em vigor o fim do subsídio sobre os combustíveis. Sem a ajuda do governo, o preço do galão de diesel, por exemplo, subiu de 1,03 dólar (cerca de 4,18 reais) para 2,27 dólares (9,21 reais).

Como forma de protesto ao reajuste dos preços dos combustíveis, os principais sindicatos ligados ao setor de transporte do país paralisaram suas atividades entre quinta e sexta-feira, quando a greve foi suspensa. Apesar disso, poucos ônibus circularam pelas principais cidades do país no fim de semana. Só o serviço de táxi foi normal.

Em meio aos violentos protestos, Moreno declarou estado de exceção no país por 60 dias. A medida permite, por exemplo, que militares sejam acionados. Segundo o governo, o objetivo é garantir a segurança e a normalidade do funcionamento dos serviços essenciais e das instituições.

A popularidade de Moreno despencou nos últimos dias, chegando a menos de 30%. Depois de sua eleição em 2017, ele tinha 70% de apoio popular. No entanto, ainda conta com a simpatia de militares e empresários.

CN/efe/rtr/afp

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