Putin revela que tomou a Sputnik V e encoraja vacinação | Notícias internacionais e análises | DW | 30.06.2021

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Rússia

Putin revela que tomou a Sputnik V e encoraja vacinação

Presidente russo foi imunizado contra a covid-19 no início do ano, mas sem especificar com qual vacina. Ao revelar nome, Putin faz apelo para que cidadãos tomem suas doses: "Pandemia só pode ser evitada com vacinação."

Presidente da Rússia, Vladimir Putin

Putin sobre vacinação: "Não se deve dar ouvidos a pessoas que não entendem dessas coisas, mas a especialistas"

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, finalmente revelou ter sido vacinado contra a covid-19 com o imunizante russo Sputnik V. Ele pediu aos cidadãos russos que também se vacinem, mas enfatizou ser contra a vacinação obrigatória no país.

A revelação foi feita nesta quarta-feira (30/06), durante transmissão televisiva anual em que o presidente responde a perguntas de pessoas de todo o país.

"Achei que precisava ser protegido o máximo possível. Por isso, escolhi ser vacinado com a Sputnik V. Os militares estão sendo vacinados com a Sputnik V e, afinal, sou o comandante-chefe [das Forças Armadas]", disse Putin.

O presidente de 68 anos recebeu duas doses da vacina contra a covid-19, uma em março e outra em abril, conforme relatos divulgados na época pelo Kremlin. Autoridades russas não divulgaram imagens de Putin sendo vacinado, nem especificaram o imunizante aplicado. Na época, havia duas vacinas em circulação na Rússia, a Sputnik V e a EpiVacCorona.

"Depois da primeira injeção não senti nada. Cerca de quatro horas depois, havia alguma sensibilidade no local da aplicação. Eu tomei a segunda [injeção] ao meio-dia. À meia-noite, medi minha temperatura. Estava 37,2 [graus Celsius]. Fui dormir, acordei e minha temperatura estava 36,6", relatou o presidente russo.

Ele disse ainda que uma de suas filhas também foi vacinada com a Sputnik V e que tudo transcorreu normalmente.

"Pandemia só se evita com a vacinação"

Putin aproveitou a ocasião para encorajar os cidadãos russos a também se vacinarem. O apelo surge em meio a uma lenta campanha de imunização na Rússia, devido em parte à desconfiança pública nas vacinas. Com 146 milhões de habitantes, apenas cerca de 23 milhões de russos receberam ao menos uma dose contra a covid-19.

O presidente russo reconheceu que "sempre houve pessoas que, de um modo geral, consideram que não se deve tomar vacinas", e que "essas pessoas são numerosas" no país e no exterior.

"Não se deve dar ouvidos a pessoas que não entendem dessas coisas, nem confiar em boatos, mas em especialistas", afirmou Putin. A propagação da pandemia só pode ser evitada pela vacinação."

No entanto, ele se declarou contrário à vacinação mandatória da população. "Eu não apoio a vacinação obrigatória e continuo a ter esse ponto de vista", afimou, embora tenha sublinhado que, para evitar um confinamento rigoroso "algumas regiões introduziram a vacinação obrigatória para determinadas categorias de cidadãos", como é o caso em Moscou e São Petersburgo para funcionários do setor de serviços.

Putin também expressou esperança de que a Rússia possa evitar um novo lockdown nacional, apesar de um aumento de novos casos de infecção causado efetivamente pela variante delta. As autoridades sanitárias russas registraram nas últimas 24 horas 21.042 novos casos e um recorde de mortes por covid-19 pelo segundo dia consecutivo, com 669 óbitos.

Ao ser questionado sobre a origem do vírus causador da covid-19, o presidente russo respondeu apenas que a origem do coronavírus é irrelevante para o perigo que ele representa.

EUA por trás de provocação militar no Mar Negro

Durante a transmissão, Putin também acusou os Estados Unidos de estarem envolvidos no incidente militar que ocorreu no Mar Negro na semana passada. "É uma provocação. Isso é evidente. Foi algo comum e foi feito não só pelos britânicos, mas também pelos americanos", disse, referindo-se ao incidente com o contratorpedeiro britânico HMS Defender, ocorrido em águas próximas à península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014 – uma anexação não reconhecida por muitos países mundo afora.

Putin afirmou que uma embarcação militar de reconhecimento dos EUA estava operando em sincronia com o HMS Defender no momento do incidente e que a "provocação" foi executada para testar a resposta militar da Rússia. Ele acrescentou que Moscou estava ciente das intenções dos EUA e respondeu de acordo para evitar a revelação de dados confidenciais.

Questionado sobre se o incidente poderia ter desencadeado a Terceira Guerra Mundial, Putin afirmou que dificilmente isso seria o caso, mesmo se a Rússia tivesse afundado o navio de guerra britânico, porque as potências ocidentais sabem que não podem sair vencedoras num conflito global.

Ucrânia em mãos estrangeiras

O presidente russo também falou sobre as relações atribuladas da Rússia com a Ucrânia. Ele enfatizou sua reivindicação de parentesco próximo entre os povos russo e ucraniano, mas acusou o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, de manter uma postura hostil em relação a Moscou.

"Por que eu deveria me encontrar com Zelensky se ele entregou seu país ao total controle estrangeiro?", indagou Putin. "As questões-chave, vitais para a Ucrânia, não são resolvidas em Kiev, mas em Washington. E, até certo ponto, em Paris e Berlim."

"O que há para discutir? Não me recuso [a encontrar Zelensky], só preciso entender sobre o que será falado", concluiu Putin.

As tensões entre Rússia e Ucrânia aumentaram nos últimos meses. Em abril, a Rússia direcionou cerca de cem mil soldados na fronteira com a Ucrânia. O movimento gerou temores de um aumento no conflito. Moscou logo anunciou um recuo, mas Kiev e Washington alegam que a retirada foi limitada.   

Putin sobre possível sucessor

O presidente russo declarou que nomearia seu possível sucessor no momento certo, embora tenha apontado que a decisão estará nas mãos dos eleitores. "Chegará um tempo em que posso dizer que tal ou qual pessoa é digna, em minha opinião, de liderar um país tão maravilhoso como a Rússia, nossa pátria", afirmou.

Putin está no poder como presidente ou primeiro-ministro da Rússia desde a virada do século. Seu atual mandato de seis anos no Kremlin se encerra em 2024. No ano passado, a Rússia mudou sua Constituição para permitir que Putin concorra a mais dois mandatos de seis anos. Em tese, isso significa que Putin pode permanecer no cargo de presidente da Rússia até 2036.

pv/ek (Reuters, AFP, AP, Lusa)

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