Protestos violentos na Ucrânia causam primeiras mortes | Notícias internacionais e análises | DW | 22.01.2014
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Mundo

Protestos violentos na Ucrânia causam primeiras mortes

Manifestantes exigem renúncia de Yanukovytch e retirada de leis antidemocráticas. Governo e oposição se acusam mutuamente por escalada. País independente desde 1991 era exemplo de mudança política pacífica.

Apesar da neve e das temperaturas glaciais, na noite de terça para quarta-feira (22/01) milhares de manifestantes ocuparam ruas e praças da capital ucraniana, Kiev, em protestos contra o governo. Por volta das 7:00 (horário local), unidades policiais começaram a romper as barricadas dos oposicionistas no centro da cidade. A televisão transmitiu ao vivo as cenas de repressão violenta.

As forças de segurança empregaram gás lacrimogêneo, jatos d'água e granadas paralisantes. Segundo testemunhas, alguns participantes dos protestos lançaram pedras e coquetéis molotov contra os agentes da lei. Há centenas de feridos de ambos os lados. Pelo menos três pessoas morreram durante os choques.

O Ministério Público da Ucrânia confirmou que dois eram ativistas, atingidos por tiros fatais. A terceira vítima despencou do telhado do Estádio Dynamo, onde, nos arredores, se realizam manifestações desde o domingo. Consta que houve numerosas prisões; outros ativistas revelaram ter recebido SMS contendo a advertência: "Você foi registrado como participante de tumultos de massa."

Os opositores do presidente Viktor Yanukovytch reivindicam eleições presidenciais e legislativas antecipadas, além da revogação das novas e controvertidas leis. Na terça-feira entrou em vigor a legislação que prescreve sérias restrições à liberdade de imprensa e de reunião. Quem bloquear o acesso a instalações da administração, por exemplo, está agora exposto a até cinco anos de prisão.

Ukraine Kiew Proteste vom 22.1.2014

Governo e oposição se acusam mutuamente por distúrbios violentos

Marco histórico de violência

Segundo o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Leonid Koshara, o governo não tolerará as "contravenções de radicais". Antes, o primeiro-ministro Mykola Azarov declarara na emissora de TV Russia 24 que, se os "provocadores não pararem, as autoridades não terão alternativa, senão empregar violência, nos parâmetros da lei, para garantir a segurança das pessoas".

A alta representante da União Europeia para política externa, Catherine Ashton, exigiu o fim imediato da violência, ao mesmo tempo que reivindicou, em nome do bloco, que os responsáveis sejam levados à Justiça. Ashton exortou ambas as partes do conflito a um diálogo "no mais alto nível", pois os conflitos não resolverão a crise política no país.

Demonstration in Kiew Orangene Revolution

Contraste: espírito pacífico na comemoração do primeiro aniversário da Revolução Laranja, em 2005

O governo pró-Rússia de Yanukovytch e a oposição pró-Ocidente moderada, sob a liderança do ex-campeão mundial de boxe Vitali Klitschko, se acusam mutuamente pela escalada de violência. As mortes durante as passeatas representam um marco na história da Ucrânia, ex-república da União Soviética independente desde 1991.

Apesar de todas as crises e de protestos em parte violentos, até então nunca haviam sido empregadas armas de fogo no contexto de manifestações. Pelo contrário: o país era considerado exemplo de mudança política pacífica – como no caso da democrática Revolução Laranja de 2004. O antagonista de então, Yanukovytch, é quem ocupa agora o poder. E pela primeira vez na Ucrânia, se mata e se morre por motivos políticos.

AV/dpa/ap/rtr/ afp