Programação infantil reforça clichês em relação à imagem da mulher | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 26.06.2008
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Cultura

Programação infantil reforça clichês em relação à imagem da mulher

Elas são belas, loiras e sexy. As personagens femininas nos canais de televisão infantis correspondem não somente a velhos clichês, como também encarnam muito menos que os meninos o papel de protagonistas.

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Personagens do mangá japonês influenciam estética da programação infanto-juvenil

Uma heroína de tranças vermelhas, dentes grandes e meias coloridas? Não, essa imagem de Pípi Meialonga não agrada nem um pouco à Julia e Marie, ambas com dez anos. Embora achem legal a heroína de histórias infantis criada pela sueca Astrid Lindgren ser forte e atrevida, as meninas não acham interessante "que ela seja tão feia".

Na televisão alemã de hoje, as personagens femininas são todas belas e sexy. Segundo uma comparação internacional realizada pelo Instituto de Televisão Educativa e Infanto-Juvenil, crianças de 24 países são bombardeadas diariamente com uma série de velhos clichês. De acordo com Maya Götz, diretora do Instituto, principalmente a imagem da mulher nos desenhos animados é "motivo de preocupação", pois mais de 60% dessas personagens têm pernas longas e uma cinturinha de pilão.

Sexualização através de séries japonesas

BdT Pu der Bär Zeichentrickfilm

Protagonistas nos desenhos animados são na maioria masculinos

Há dez anos, a pedagoga Götz vem observando uma sensível sexualização das personagens femininas nos filmes de animação. Segundo ela, as séries anime, derivadas sobretudo dos mangás japoneses, contribuem para um número cada vez maior de figuras sexy nos programas destinados às crianças. "Isso surte efeitos fatais na autoconfiança das meninas, pois o próprio corpo, neste contexto, só pode aparecer em desvantagem", diz a especialista.

E como se não bastasse o fato de as personagens femininas serem desenhadas segundo estereótipos estéticos, elas costumam representar, na maioria das vezes, papéis secundários. Quase 70% dos protagonistas são homens, aponta a análise. No caso de animais, monstros ou outros seres, a situação é pior ainda: 87% desses personagens são masculinos e apenas 13% femininos.

Falta de sensibilidade

"Colocar um animal como sendo ele ou ela depende exclusivamente da vontade do produtor", observa Maya Götz. Mas uma vez que a maioria é colocada nos filmes como machos, eles acabam por reproduzir a visão masculina da mulher. "Aqui falta, infelizmente, uma sensibilidade em relação aos gêneros", completa a pedagoga.

Os produtores cinematográficos, por outro lado, apontam outra razão para o fato de que "o masculino seja transformado em norma". Eles afirmam que personagens femininas não vendem bem, pois os garotos não querem saber de heroínas, enquanto as meninas conseguem, sim, se identificar com os protagonistas masculinos.

A pedagoga Nadine Kloos, do Instituto FLIMMO, especializado pedagogia da mídia e sediado em Munique, acredita que isso possa realmente acontecer, mas lembra que exemplos contrários não faltam. "Há personagens adoradas por meninos e meninas do mesmo jeito", diz ela.

Pais deveriam ver o que os filhos vêem

Erste deutsche Telenovela Bianca - Wege zum Glück

Novelas alemãs são também puro estereótipo

Nos programas destinados aos adultos, a situação é ainda pior, observa Kloos. "Já com aproximadamente dez anos de idade, muitas meninas deixam a programação infantil e começam a assistir novelas e reality shows, nos quais é passada uma imagem super antiquada das relações entre os gêneros", lembra a pedagoga. E nessas novelas, as mulheres representam com freqüência o papel da "bela amante", num mundo em que tudo gira em torno do homem.

Apesar disso, Kloos acentua que houve, nos últimos anos, um aumento da oferta de programas infantis de qualidade no país, que passam uma imagem mais diferenciada da mulher. "No entanto, as crianças têm que ser alertadas para isso", diz a pedagoga, aconselhando os pais a não somente direcionarem o consumo de TV de seus filhos, como também a acompanhá-lo.

Supergarotas

As crianças procuram personagens fortes, nos quais possam se orientar, e se vêem em conflito quando observam na tela somente belíssimas super girls, analisa Götz. Por isso, a pedagoga apela aos cineastas que aprendam, enfim, a se distanciar dos ideais de beleza vigentes. Pois as crianças, no fundo, não gostam dessas figuras com cintura de pilão.

Uma opinião, diga-se de passagem, freqüentemente compartilhada pelos meninos. "De algum jeito, as garotas nos desenhos animados são esquisitas. Com uma barriga tão pequenininha e cílios tão enormes, elas nem conseguem praticar esporte direito", comenta Max, de sete anos. E praticar bem esporte, acredita o menino, é muito mais importante para as suas colegas de sala do que estar bonita.

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