Prisão de parceira de Epstein reaviva escândalo de abuso de menores nos EUA | Notícias internacionais e análises | DW | 02.07.2020
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Estados Unidos

Prisão de parceira de Epstein reaviva escândalo de abuso de menores nos EUA

Britânica é acusada de levar meninas para abusos sexuais nas propriedades do multimilionário americano, próximo de pessoas nos altos círculos do poder. Ele foi encontrado morto em sua cela enquanto aguardava julgamento.

Ghislaine Maxwell e o milionário Jeffrey Epstein mantinham um esquema de aliciamento de menores

Ghislaine Maxwell e o milionário Jeffrey Epstein mantinham um esquema de aliciamento de menores

Ghislaine Maxwell, ex-companheira do multimilionário americano Jeffrey Epstein, foi presa em New Hampshire, nos Estados Unidos, nesta quinta-feira (02/07), sob acusações de aliciar meninas menores de idade para práticas sexuais ilegais nas várias residências de propriedade de seu parceiro.

Epstein era um investidor financeiro que tinha proximidade com várias celebridades e políticos, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ele foi encontrado morto aos 66 anos em sua cela numa prisão federal  em Nova York, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico de menores entre 2002 e 2005. Os médicos que realizaram a autópsia confirmaram que a causa da morte foi suicídio por enforcamento. 

A prisão da socialite britânica de 58 anos joga nova luz ao escândalo envolvendo seu ex-companheiro. Ele possuía conexões com pessoas poderosas, o que, segundo seus acusadores, permitia que ele cometesse abusos frequentes sem que fosse punido.

Maxwell, que viveu ao lado de Epstein durante muitos anos e era sua companhia frequente em viagens por todo o mundo, responderá por quatro acusações de aliciar e conduzir menores de idade para práticas sexuais ilegais, além de duas outras acusações de perjúrio.

"Maxwell era uma das parceiras mais próximas de Epstein e o ajudou a explorar meninas em idades de até 14 anos", afirmou a procuradora interina de Manhattan, Audrey Strauss. "Ela teve papel crítico em ajudar Epstein a identificar, se aproximar e preparar as vítimas para os abusos. Em alguns casos Maxwell também participava desses abusos", explicou. A britânica poderá receber pena de prisão perpétua, mesmo que se declare culpada, avaliam especialistas.

A acusação afirma que Maxwell teria aliciado as menores entre 1994 e 1997. Ela perguntava sobres suas vidas, escolas e famílias e as levava às compras ou ao cinema, antes de apresentá-las a Epstein.

Após ganhar a confiança das jovens, ela tentava "normalizar o abuso sexual" ao discutir temas sobre sexo ou se despir na presença delas, ou então, estar presente enquanto as jovens se despiam. Os promotores afirmam que ela tinha conhecimento da preferência de Epstein por adolescentes e sabia que ele tinha a intenção de praticar atos sexuais com elas.

Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela numa prisão federal enquanto aguardava julgamento

Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela numa prisão federal enquanto aguardava julgamento

Ela encorajava as meninas a fazerem massagem no milionário enquanto permaneciam parcialmente ou totalmente nuas. Na época dos crimes pelos quais é acusada, ela tinha relações íntimas com o milionário, que a pagava para administrar suas propriedades. Strauss afirmou que os abusos ocorriam nas residências de Epstein em Londres, Nova York e Palm Beach, na Flórida e Santa Fe, no Novo México.

Maxwell teria mentido repetidas vezes ao ser questionada sobre sua conduta. Ela é acusada de cometer perjúrio ao prestar depoimento em 2016, quando negou que tivesse conhecimento do esquema de aliciamento encabeçado por Epstein.

Ghislaine Maxwell, filha do magnata das comunicações Robert Maxwell, se manteve discreta desde a morte de seu ex-parceiro na prisão. O escândalo gerou questionamentos sobre como Epstein conquistou sua riqueza. Além de suas várias residências, ele também era proprietário de duas ilhas no Caribe.

"Recentemente, soubemos que Maxwell se refugiou em uma linda propriedade em New Hampshire, continuando a viver uma vida de privilégios enquanto suas vítimas convivem com o trauma infligido sobre elas há anos", afirmou o diretor do escritório do FBI em Nova York, William Sweeney.

Ligações com círculo de poder

Epstein tinha contatos sociais com diversas figuras poderosas, como o presidente Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton e o príncipe Andrew do Reino Unido.

O príncipe é alvo de uma das acusações que mais chamaram a atenção no processo contra Maxwell, levada a cabo por Virginia Giuffre. Ela afirma que a britânica fez arranjos para que ela tivesse relações sexuais com Andrew em sua casa em Londres. Ela inclusive reforçou a acusação ao apresentar uma fotografia onde aparece ao lado do príncipe e da própria Maxwell.

Em foto de 2001, príncipe Andrew aparece ao lado da jovem Virgina Giuffre e Ghislaine Maxwell

Em foto de 2001, príncipe Andrew aparece ao lado da jovem Virginia Giuffre e Ghislaine Maxwell

Após ter sua associação com Epstein divulgada na imprensa, o membro da família real britânica acusou Giuffre de mentir e se colocou à disposição das autoridades. "Gostaríamos de receber o príncipe Andrew para conversar conosco", disse Strauss.

Em junho, o promotor de Manhattan Geoffrey Berman disse que o príncipe vinha evitando os esforços das autoridades para interrogá-lo sobre sua proximidade com o multimilionário americano. O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, disse, porém, que não há planos de extraditar Andrew para que ele possa prestar depoimento.

"Durante anos, senti medo de Epstein e seu círculo", afirmou Jennifer Araoz, que acusa Maxwell de aliciá-la. "Hoje, eu e as demais vítimas de Epstein podemos respirar aliviadas, já que a prisão de Maxwell significa que poderá haver alguma justiça."

RC/rtr/ap

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