Presidente eleito da Ucrânia oferece cidadania a russos | Notícias internacionais e análises | DW | 28.04.2019
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Ucrânia

Presidente eleito da Ucrânia oferece cidadania a russos

Após proposta controversa de Putin, de passaportes russos a todos os ucranianos, comediante Zelensky rebate na mesma moeda e ataca autoritarismo na Rússia. Diálogo binacional, só se o Kremlin abandonar as ameaças.

Presidente eleito da Ucrânia, Volodymyr Zelensky

Entre promessas de campanha de Volodymyr Zelensky consta resolver o conflito entre a Ucrânia e a Rússia.

O presidente eleito da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, respondeu neste domingo (28/04), com um post no Facebook, à controversa oferta do chefe de Estado russo, Vladimir Putin: "Concederemos a cidadania russa a representantes de todos os povos que sofrem com regimes autoritários e corruptos. Em primeiro lugar, os russos, que hoje provavelmente são quem mais sofre."

Na véspera, em entrevista coletiva na China, Putin anunciara a intenção de facilitar a obtenção do passaporte russo aos ucranianos que quisessem: "Estamos pensando em conceder cidadania de forma simplificada a todos os cidadãos da Ucrânia, não apenas aos moradores das repúblicas de Lugansk e Donetsk."

A referência era ao decreto assinado por ele na quarta-feira, simplificando a concessão de cidadania russa aos moradores dessas províncias separatistas do Leste ucraniano. O conflito na região já matou mais de 13 mil desde 2014. Na ocasião, o chefe do Kremlin ofereceu a Zelensky a oportunidade de um encontro com o fim de acabar o mais depressa possível com o conflito entre seus países.

Logo em seguida à oferta de cidadania, que irritou muitos políticos ucranianos, o governo em Kiev telefonou para o Conselho de Segurança das Nações Unidas. O presidente em exercício, Petro Poroshenko, acusou Moscou de "cruzar a linha vermelha" e de pretender criar um enclave russo em seu país.

A União Europeia condenou o decreto de Putin como "mais um ataque à soberania da Ucrânia pela Rússia", manifestando "apoio firme" à "independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia". A porta-voz da UE para a política externa, Maja Kocijancic, recordou os protocolos internacionais que levaram ao fim dos confrontos de grande porte entre forças governamentais e separatistas pró-russos no Leste da Ucrânia.

Referindo-se ao pacto de paz assinado em 2015 na capital de Belarus, até o momento sem efeitos concretos, ela disse esperar que "a Rússia se abstenha de ações que são contra os acordos de Minsk e impedem a plena reintegração de áreas não controladas pelo governo na Ucrânia".

Em sua resposta, Zelensky acrescentou não esperar que muitos ucranianos aceitem a oferta, já que têm "liberdade de expressão em nosso país, mídia e internet livres", ao contrário dos russos. Ele se manifestou também disposto a discutir com Moscou o conflito na Ucrânia oriental, porém advertiu o Kremlin a não utilizar "a linguagem de ameaças e pressão militar e econômica".

"Esse não é o melhor caminho para um cessar-fogo e o desbloqueio do processo de Minsk", pois normalizar as relações binacionais depende de a Rússia parar com a ocupação tanto da região de Donbass quanto da península da Crimeia, enfatizou.

O comediante e novato da política Volodymyr Zelensky, que venceu Poroshenko no pleito presidencial do último domingo, deverá tomar posse em junho. Entre suas promessas de campanha constava resolver o conflito entre a Ucrânia e a Rússia.

AV/rtr,lusa,dpa

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