Presidente do Iêmen diz que vai deixar o poder após 33 anos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 08.10.2011
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Mundo

Presidente do Iêmen diz que vai deixar o poder após 33 anos

Em discurso transmitido pela televisão, Ali Abdullah Saleh afirmou que vai deixar o poder, mas não disse para quem. Líderes da oposição iemenita não acreditam no presidente e afirmam que protestos continuam.

Saleh afirma que 'desistirá do poder nos próximos dias'

Saleh afirma que 'desistirá do poder nos próximos dias'

Há oito meses enfrentando protestos que pedem sua saída do poder, o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, anunciou neste sábado (08/10) que está pronto para deixar o cargo dentro de alguns dias.

Há oitos meses protestos no Iêmen pedem o fim do regime

Há oitos meses protestos no Iêmen pedem o fim do regime

"Eu não quero o poder e vou desistir dele nos próximos dias", afirmou o líder iemenita em um discurso transmitido pela televisão, durante o qual mandou como recado para seus adversários que "não vai deixá-los destruir o país". Saleh, no entanto, não detalhou como ou para quem passaria o cargo.

Esta não foi a primeira vez que o presidente iemenita falou em deixar o poder, por isso seus opositores questionam se desta vez realmente ele tem a intenção de sair.

Saleh, 69 anos – 33 deles à frente do governo do Iêmen – recusou-se a deixar a presidência sob condições estabelecidas em um plano de transição elaborado pelos países árabes vizinhos.

Em junho passado, Saleh ficou gravemente ferido após a explosão de uma bomba no palácio presidencial e recebeu tratamento na Arábia Saudita. Durante sua ausência, mediadores e grupos da oposição tentaram convencê-lo a ficar longe do país e a entregar o poder. Mas ele voltou ao Iêmen no mês passado.

Oposição descrente

Nobel da Paz deste ano, ativista Tawakkul Karman

Nobel da Paz deste ano, ativista Tawakkul Karman

Em uma das primeiras reações à declaração do presidente do Iêmen, a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz deste ano, a ativista Tawakkul Karman, disse que a afirmação de Saleh não é confiável e que os protestos devem continuar.

"Não acreditamos neste homem e, se ele quiser sair, tudo bem, isso cabe a ele. Ele tem que deixar o poder e entregá-lo para os revolucionários, para as regras da revolução", afirmou Karman à emissora Al-Jazeera. "Vamos continuar nossa revolução pacífica".

Mohammed al-Sabri, um porta-voz da oposição, acredita que o discurso de Saleh tem como objetivo ganhar manchetes em jornais dias antes do encontro do Conselho de Segurança da ONU, marcado para a próxima terça-feira (11/10), que vai discutir o fracasso dos esforços para tentar convencê-lo a assinar o acordo de transferência de poder. "Se ele estivesse falando sério e se estivesse convencido de que as pessoas não o querem mais, ele teria saído hoje, e não deixaria para fazer isso amanhã", acredita al-Sabri.

O presidente tem resistido à pressão doméstica e internacional para deixar o cargo, insistindo que qualquer mudança deve vir por meio das urnas. Saleh também se recusou a assinar acordo proposto pelo Conselho de Cooperação do Golfo, pelo qual ele entregaria a presidência a seu vice, Abdrabuh Mansur Hadi em troca de imunidade.

Desde janeiro, manifestantes contrários ao regime no Iêmen ocupam praças das maiores cidades e realizam protestos. Eles recebem o apoio de partidos da oposição. Saleh acusa alguns desses partidos de formarem milícias armadas.

Eles também recebem o apoio do general desertor Ali Mohsen al-Ahmar, que vem dando proteção aos manifestantes na chamada "Praça da Mudança", em Sana.

MS/afp/ap
Revisão: Carlos Albuquerque

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