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Medvedev demite prefeito

28 de setembro de 2010

Presidente russo surpreende ao destituir por decreto prefeito de Moscou. Correligionário de Putin era acusado de corrupção e má gestão. Para observadores, Medvedev está de olho na reeleição em 2012.

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Medvedev e LujkovFoto: AP

O decreto da destituição de Yuri Lujkov, um dos mais importantes políticos da Rússia, foi publicado na manhã desta terça-feira (28/09) no site do Kremlin, com a justificativa de que o "presidente da federação Russa perdeu a confiança" em Lujkov, de 74 anos. O cargo foi assumido interinamente pelo vice-prefeito, Vladimir Resin.

A medida surpreendeu a opinião pública, pois é a primeira demonstração de poder de Medvedev, que faz uma visita oficial à China. Ivan Nowitzky, deputado da Duma em Moscou, explica sua surpresa: "A formulação é estranha, pois não aconteceu nada que a justifique. Não há agitações, estado de emergência ou acidentes".

Lujkov havia sido nomeado em 1992 por Boris Yeltsin, após o colapso da União Soviética, e foi reeleito várias vezes. Desde a presidência de Vladimir Putin, o prefeito de Moscou passou a ser nomeado, e não mais eleito.

Lujkov era o terceiro homem mais poderoso do país – após o presidente e o primeiro-ministro –, e também um dos políticos russos mais conhecidos no exterior.

Acusações na tevê estatal

Vários fatos ocorridos nas últimas semanas apontaram para o fim da "era Lujkov", como o acirramento das críticas ao seu estilo autocrata e autoritário, somadas a acusações de nepotismo e corrupção.

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Vladimir PutinFoto: AP

O casamento com Lujkov havia tornado a empresária da construção civil Yelena Baturina a mulher mais rica da Rússia. Com uma fortuna de mais de 2,3 bilhões de euros, ela é a mulher mais rica do país.

A imprensa estatal acusava Lujkov de corrupção e má gestão. Recentemente, as emissoras estatais de televisão transmitiram em horário nobre uma série de documentários que mostraram como a empresa de sua esposa foi beneficiada pela prefeitura. Isso é interpretado como indício de que ele perdeu o apoio do Kremlin.

Conflito entre Medvedev e Putin?

Lujkov apoiou, por exemplo, a controversa rodovia entre Moscou e São Petersburgo, o que foi criticado por ambientalistas, já que a autoestrada cortaria uma floresta. O projeto foi suspenso em agosto último pelo presidente Medvedev.

Também sua ideia de espalhar imagens de Stalin por toda a cidade de Moscou na celebração dos 65 anos da vitória sobre Hitler, em maio, havia sido proibida pelo Kremlin.

Além disso, em vez de solucionar os enormes problemas de tráfego na capital russa, ele preferiu arrancar monumentos históricos para dar lugar a centros comerciais e moradias de luxo.

Como é usual na Rússia, a disputa de poder entre o prefeito e o Kremlin não foi tornada pública. Observadores acreditam que Lujkov tenha sido um obstáculo no curso de reformas ambicionado pelo presidente russo. Outros acham tratar-se de um conflito entre Medvedev e o chefe de governo, Vladimir Putin, de quem Lujkov era pessoa de confiança.

De olho na reeleição

Há algum tempo, as relações entre o presidente e o prefeito estavam em crise. Medvedev chegou a sugerir que Lujkov fosse para a oposição, após ter falado de "um clima muito opressivo na sociedade" em um artigo de jornal. O Kremlin acusa Lujkov de tentar causar um racha entre Putin e Medvedev, em vista da eleição de 2012.

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Lujkov e a esposaFoto: AP

Embora Putin e Lujkov sejam do mesmo partido, nas últimas semanas o primeiro-ministro não fez demonstrações de apoio ao prefeito moscovita. Não é provável que Medvedev tenha agido contra a vontade de Putin.

Especialistas veem no gesto de Medvedev a primeira manifestação de poder desde que assumiu a presidência. Afinal, em um ano e meio haverá novas eleições, e Medvedev já deixou transparecer interesse pela reeleição.

Agências de notícias russas citam a assessora de imprensa da presidência, segundo a qual Lujkov teria sido confrontado com duas opções: renúncia ou demissão. Na segunda-feira, ele disse na televisão que não renunciaria voluntariamente.

Lujkov não deixava de ser benquisto entre a população moscovita. Sob sua administração foram construídos parques e praças de brinquedos, e aumentados os vencimentos dos aposentados.

Por outro lado, sua popularidade foi abalada pelo fato de ele não ter interrompido suas férias no exterior, em agosto último, quando Moscou foi tomada por uma nuvem de fumaça proveniente dos incêndios nos arredores da cidade.

RW/dw/dpa/afp
Revisão: Simone Lopes