Presidente da Argélia renuncia após 20 anos no poder | Notícias internacionais e análises | DW | 03.04.2019
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África

Presidente da Argélia renuncia após 20 anos no poder

Abdelaziz Bouteflika entrega carta de demissão após quatro mandatos à frente do país africano. Com isso, ele cede à pressão do chefe do Exército e da população, que protagonizou onda de protestos contra o governo.

O presidente da Argélia Abdelaziz Bouteflika

Bouteflika, de 82 anos, assumiu o poder em 1999. Com saúde debilitada, há anos ele não fala em público

O presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, apresentou sua renúncia ao cargo com efeito imediato nesta terça-feira (02/04), segundo informou a imprensa estatal do país. Há 20 anos no poder, ele cede à pressão do Exército e das manifestações populares em massa.

"Tenho a honra de notificá-los formalmente sobre a minha decisão de encerrar meu mandato como presidente da República a partir de hoje, terça-feira", escreveu o líder argelino em sua carta de renúncia, revelada pela agência de notícias estatal APS.

"Esta decisão, que eu tomo com minha alma e consciência, é destinada a contribuir para o apaziguamento dos corações e mentes de meus compatriotas e a permitir que eles carreguem a Argélia em direção a um futuro melhor, ao qual eles legitimamente aspiram."

Imagens exibidas pela televisão estatal mostraram Bouteflika vestido com uma túnica bege, sentado em sua cadeira de rodas, entregando a carta de renúncia ao chefe do Conselho Constitucional do país, Tayeb Belaiz.

O anúncio foi seguido de comemorações nas ruas da capital do país, Argel, onde multidões de argelinos se reuniram e ergueram bandeiras, enquanto carros promoviam um "buzinaço".

A presidência da Argélia já havia antecipado nesta segunda-feira que Bouteflika renunciaria ao cargo antes de 28 de abril, data que marcaria o fim de seu quarto mandato no comando do país.

A decisão desta terça foi divulgada pouco depois de o chefe de gabinete do Exército e vice-ministro da Defesa da Argélia, general Ahmed Gaid Salah, ter exigido a demissão imediata do presidente e pedido uma "solução constitucional" para tirar o país da crise.

Considerado um dos homens mais fiéis a Bouteflika, Gaid Salah sugeriu usar os artigos 7º, 8º e 102 da Constituição, que permitem destituir o presidente. Na semana passada, ele já havia defendido que o chefe de Estado fosse declarado incapaz de governar.

É raro ver o Exército intervindo diretamente em crises políticas na Argélia, mas as centenas de milhares de pessoas que vêm pressionando Bouteflika a deixar o poder, enquanto aliados importantes o abandonam, levaram os militares a tentar restaurar a ordem.

Segundo a Constituição argelina, assim que a renúncia de Bouteflika for formalizada, será o líder da câmara alta do Parlamento, Abdelkader Bensalah, quem assumirá interinamente a presidência do país durante um período máximo de 90 dias, enquanto são organizadas novas eleições.

Centenas de pessoas saíram às ruas da Argélia nesta terça-feira

Centenas de pessoas saíram às ruas da Argélia nesta terça-feira

Presidente-fantasma

Bouteflika, de 82 anos, assumiu em 1999 a presidência do país norte-africano. Em 2013, ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) que o colocou numa cadeira de rodas e o impediu de participar da campanha para as eleições presidenciais de 2014. Mesmo assim, venceu o pleito.

Desde então, Bouteflika não fala em público. Suas aparições são raras, limitadas a imagens gravadas pela emissora estatal durante conselhos de ministros e visitas de líderes estrangeiros.

Faz cinco anos que ele não viaja para compromissos no exterior. Chegou a cancelar de última hora, alegando recaídas de saúde, reuniões já confirmadas com líderes como a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman.

Com preocupações crescentes, nos últimos anos, sobre se a saúde debilitada de Bouteflika lhe permite tomar decisões e agir de forma independente, os detalhes sobre a saúde do presidente vêm sendo tratados como segredo de Estado. Recentemente ele retornou ao país após duas semanas de internação num hospital na Suíça.

A oposição argelina acusa Bouteflika de ser um presidente "fantoche de militares", que apenas dá rosto civil a um governo comandado pelas Forças Armadas há décadas, desde que o país conquistou sua independência da França, em 1962.

O governo é também acusado de corrupção, de enriquecer às custas do país rico em gás e de não atender às preocupações dos cidadãos comuns, especialmente os jovens pobres.

Manifestantes têm ido às ruas da Argélia desde o fim de fevereiro para exigir que Bouteflika deixe o poder. Em um primeiro momento, os protestos fizeram o presidente desistir de se candidatar para um quinto mandato nas próximas eleições presidenciais. O anúncio, contudo, não foi suficiente para acalmar a população, que seguiu indo às ruas.

EK/afp/ap/efe/dw

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