Premiê do Haiti renuncia em meio a crise por alta dos combustíveis | Notícias internacionais e análises | DW | 15.07.2018
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Mundo

Premiê do Haiti renuncia em meio a crise por alta dos combustíveis

Primeiro-ministro abre mão do cargo após protestos contra proposta de aumento de preços. Onda de violência foi criticada pela ONU e fez governo voltar atrás quanto aos planos, que visavam atender a exigências do FMI.

Jack Guy Lafontant

Lafontant já era alvo de críticas mesmo antes da recente crise

O primeiro-ministro do Haiti, Jack Guy Lafontant, renunciou neste sábado (14/07) ao cargo, após uma semana de violentos protestos contra uma tentativa do governo de aumentar o preço dos combustíveis.

O premiê renunciou durante sessão da Câmara dos Deputados que debateria sobre a retirada ou não de um voto de confiança concedido a ele. A audiência no Parlamento foi convocada após a crise que explodiu no último fim de semana.

O governo havia anunciado planos de aumentar o preço da gasolina em 38%, o do diesel em 47%, e o do querosene em 51%. O anúncio provocou protestos em massa, com ruas da capital Porto Príncipe e de outras cidades bloqueadas por barricadas de lixo e pneus em chamas.

Dezenas de estabelecimentos comerciais foram saqueados, e carros foram incendiados. Ao menos quatro pessoas foram mortas. Em meio à violência, que foi condenada pelo Conselho de Segurança da ONU, o governo voltou atrás quanto aos planos de aumentar os preços dos combustíveis.

Lafontant, que é médico e tinha pouca experiência política antes de assumir o cargo de primeiro-ministro, em fevereiro do ano passado, já havia sido alvo de duras críticas antes mesmo da recente onda de violência.

Horas antes de o premiê anunciar sua renúncia, o presidente Jovenel Moise fez um pronunciamento na televisão, afirmando que gostaria de "reunir todas as forças da nação, sem perder tempo, para formar um governo inclusivo, com o objetivo de aliviar o sofrimento das pessoas e desenvolver a agricultura, a energia e a infraestrutura".

O chefe de Estado acrescentou que a "violência não é compatível com o desenvolvimento ou com a democracia". Moise terá agora que indicar um novo primeiro-ministro.

Neste sábado, centenas de manifestantes saíram às ruas de Porto Príncipe exigindo a renúncia não apenas de Lafontant, mas também de Moise.

"Não se trata apenas de trocar o primeiro-ministro, porque dia após dia, as pessoas continuam sofrendo com a miséria, o desemprego, a falta de segurança e a fome", disse a manifestante Fleurette Pierre.

Pneus queimam em barricada erguida na capital Porto Príncipe durante onde de protestos

Pneus queimam em barricada erguida na capital Porto Príncipe durante onde de protestos

Mais de 200 anos após se tornar independente da França, o Haiti ainda aparece no ranking do Banco Mundial como tendo uma das sociedades mais injustas do mundo. Cerca de 60% dos haitianos vivem com menos de dois dólares por dia, o que significa que a população é fortemente afetada por qualquer aumento de preços.

Em fevereiro, o Haiti assinou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no qual o país se comprometeu a realizar reformas econômicas e estruturais para promover o crescimento, em troca de ajuda financeira. Uma das condições impostas era eliminar os subsídios a derivados de petróleo, o que levou à proposta de aumento dos preços.

Em meio à onda de violência, o FMI sugeriu uma "abordagem mais gradual" para acabar com os subsídios aos combustíveis, acompanhada de medidas de compensação para proteger a parcela da população mais vulnerável.

A decisão de não implementar a alta dos combustíveis significa que o governo terá que encontrar outra maneira de obter os 300 milhões de dólares que a medida teria gerado.

LPF/afp/efe/lusa

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