Por que reforma econômica de Maduro ainda não surtiu efeito? | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 25.11.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

América Latina

Por que reforma econômica de Maduro ainda não surtiu efeito?

Há 100 dias, presidente da Venezuela anunciou pacote de medidas para tirar país da crise, incluindo desvalorização da moeda e aumento do preço da gasolina. Até agora, balanço é desanimador.

Estudante venezuelano ergue cartaz dizendo Soberano fracasso, em protesto em Caracas

Protesto estudantil em Caracas dá veredicto sobre reformas: "Soberano fracasso"

Para quem sofre na própria pele as consequências de uma crise econômica, em geral o tempo transcorre lento. Assim, para muitos venezuelanos parece ter sido ontem que o presidente Nicolás Maduro anunciou suas medidas para sustar a desvalorização da moeda nacional, o bolívar, e resgatar o país da espiral hiperinflacionária.

O programa conjuntural de Maduro completa 100 dias neste domingo (25/11) – e a promessa de fortalecer o poder aquisitivo da população e corrigir as distorções financeiras, feita pelo presidente em 17 de agosto, ainda não foi cumprida.

O plano presidencial de reforma incluiu uma radical desvalorização da moeda, elevando a cotação oficial do dólar de 240 mil para 6 bilhões de bolívares; o corte de cinco zeros nas cédulas; a introdução de uma criptomoeda nacional venezuelana, o "petro": a elevação do salário mínimo de 50 para 1.800 bolívares; e o aumento dos preços da gasolina, que até então era praticamente dada de presente à população, a 0,01 dólar o litro.

População dependente do governo

O sociólogo Héctor Briceño, pesquisador do Centro de Estudos de Desenvolvimento da Universidade Central de Caracas, faz um balanço desanimador: "O que Maduro realmente conseguiu foi o fechamento de muitas pequenas e médias empresas, que até então ainda sobreviviam, por milagre."

Para Briceño, o governo nunca disse expressamente ser essa sua intenção, mas agora ele conseguiu o que há muito queria: ampliar a própria posição como único fornecedor de bens e serviços, de forma a tornar a população totalmente dependente dele.

Segundo o sociólogo, o poder aquisitivo teoricamente maior com a elevação do salário mínimo mostrou ser inútil, pois a inflação não caiu, mas sim continuou crescendo. Ninguém tampouco entendeu qual o sentido da criptomoeda petro, que não se apoia nem em produtos, nem numa outra moeda.

"E o que é feito realmente com os lucros que Maduro alegadamente obtém com a mineração de ouro no Arco Minero, na margem do rio Orinoco, no nordeste do país?", indaga o sociólogo.

No início de novembro, o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, advertiu que para os cidadãos americanos é crime passível de punição fazer negócios com o ouro venezuelano. Os Estados Unidos acusam o governo em Caracas de "saquear" os recursos nacionais para praticar lavagem de dinheiro e se manter no poder.

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresenta a criptomoeda petro

Presidente Maduro apresenta a criptomoeda petro

População foge

Alejandro Márquez Velásquez, do Instituto Latino-Americano da Universidade Livre de Berlim lembra que "entre o fim de 2014 e 2016, Maduro podia culpar a queda dos preços do petróleo pela má situação", mas "agora, que o preço do óleo cru está entre 60 e 70 dólares, está claro que a crise é agravada pela falta de investimentos na indústria petrolífera".

No momento, a Venezuela extrai diariamente pouco mais de 1 milhão de barris de petróleo, enquanto quatro anos atrás esse volume era de 3 milhões de barris. "O país não vai voltar a alcançar essa quota de extração tão rápido assim, porque o governo não tem dinheiro para importar máquinas mais modernas, de modo a manter as perfurações ativas."

E, como não consegue mais divisas no mercado financeiro internacional, agora o país olha, esperançoso, para a China, explica o economista: Maduro tenta convencer Pequim a investir na indústria petrolífera venezuelana, a fim de reanimá-la.

"O ouro negro ainda é responsável por 96% das exportações venezuelanas, e a principal fonte de divisas do país. A questão decisiva é como impulsionar outros produtos, a fim de diversificar as exportações", prossegue Velásquez.

Sob outras circunstâncias, o setor privado teria o potencial para vender suas mercadorias e serviços no exterior. Mas o controle estatal sobre as taxas de câmbio deixa os empresários de mãos atadas. "Nem mesmo a reforma mais recente trouxe o relaxamento dos controles de divisas impostos 15 anos atrás."

Enquanto isso, cada vez mais habitantes abandonam o país. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), está atualmente em curso o maior êxodo da história moderna da América Latina: o órgão calcula que 3 milhões de pessoas deixaram a Venezuela desde 2015. E a reforma econômica de Maduro não está conseguindo detê-los.

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube 

WhatsApp | App | Instagram | Newsletter

Leia mais