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Casal, de máscara, puxa malas de rodinhas pelo aeroporto. Em primeiro plano, é possível ler "Infraero" em um vidro.
Em caso de voos cancelados com menos de 72 horas de antecedência, passageiro tem direito a reembolso ou reacomodaçãoFoto: Bruna Prado/Getty Images

Por covid e gripe, centenas de voos são cancelados no Brasil

10 de janeiro de 2022

Em meio a avanço da variante ômicron do coronavírus e onda de influenza, principais companhias aéreas brasileiras vêm sofrendo com falta de tripulação. Voos nacionais e internacionais da Latam e da Azul foram afetados.

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O aumento de casos de covid-19, em meio à disseminação da variante ômicron do coronavírus, e também de influenza no Brasil tem feito centenas de voos nacionais e internacionais serem cancelados por falta de tripulação, incluindo pilotos e copilotos. Isso ocorre devido a dispensas médicas provocadas pelas duas doenças, que aumentaram consideravelmente no mês de janeiro.

As três principais companhias aéreas brasileiras, Azul, Gol e Latam, confirmaram que seus serviços foram impactados. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) disse que "está monitorando os casos de doenças respiratórias causadas em pilotos, comissários e demais profissionais do setor aéreo".

A Latam já cancelou 1% de todos os voos domésticos e internacionais este mês. Ao menos 111 decolagens foram canceladas entre esta segunda-feira (10/01) e o próximo domingo.

"Devido ao recente aumento de casos de covid-19 e de influenza na população, alguns voos domésticos e internacionais precisaram ser cancelados. Lamentamos essa situação, totalmente alheia à nossa vontade", disse a Latam no Twitter, reforçando que, antes de se dirigirem aos aeroportos, os passageiros devem verificar se o voo está confirmado.

A empresa afirma que, caso o passageiro tenha o voo afetado, poderá remarcar a viagem sem multa ou diferença tarifária ou, ainda, solicitar o reembolso.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a Latam e a Azul afirmaram nesta segunda que já cancelaram ou reprogramaram um total de 528 voos devido ao afastamento de membros da tripulação.

Aumento dos afastamentos

No caso da Azul, em janeiro houve aumento de 405% nos afastamentos por motivos médicos, em relação à média dos últimos 12 meses, segundo dados do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). A situação levou a companhia a propor acordo coletivo a empregados, no qual ofereceu gratificação em dinheiro a quem aceitar redução de folgas.

De acordo com Ondino Dutra, presidente do SNA, a Azul disse em reunião com o sindicato que pretendia cancelar "centenas de voos", sobretudo na segunda quinzena de janeiro.

Em nota, a empresa garante que "90% das operações da companhia estão funcionando normalmente".

Segundo a Azul, "por razões operacionais", alguns voos do mês de janeiro estão sendo reprogramados. A companhia informou que registrou aumento no número de dispensas médicas entre os tripulantes, mas que os casos, "em sua totalidade, apresentaram um quadro com sintomas leves". 

No Aeroporto de Viracopos (SP), principal hub da companhia Azul, foram registrados ao menos 53 cancelamentos entre domingo e esta segunda-feira. Desde a última quinta, foram mais de 140.

A Gol também confirmou que houve "um aumento dos casos positivos entre colaboradores" nos últimos dias, mas disse que nenhum voo foi cancelado ou sofreu alteração significativa por este motivo. "Os funcionários que apresentam resultado positivo estão sendo afastados das funções para se recuperarem em casa com segurança", diz nota divulgada pela companhia.

Direito a reembolso

Segundo as regras da Anac, em caso de cancelamentos com menos de 72 horas de antecedência, o passageiro tem direito a reembolso integral da passagem ou reacomodação, sem custo, em outro voo, seja da própria companhia ou de outra empresa aérea.

Além disso, a companhia deve informar o passageiro a cada 30 minutos quanto à previsão de partida dos voos atrasados e oferecer assistência material gratuitamente, de acordo com o tempo de espera, o que inclui acesso a meios de comunicação, alimentação e, em caso de pernoites, transporte e acomodação.

Cancelamentos em todo mundo

Não só o Brasil vem sofrendo com cancelamentos de voos. Desde que a variante ômicron do coronavírus passou a se disseminar, várias companhias aéreas se viram obrigadas a cancelar viagens devido à falta de tripulação e pessoal em solo. No fim de semana do Natal, por exemplo, mais de 7 mil voos foram cancelados em todo o mundo, segundo o site de rastreamento aéreo Flightaware.com.

Companhias aéreas chinesas foram responsáveis pela maioria dos cancelamentos na época do Natal. Somente a China Eastern cancelou mais de mil voos – ou mais de 20% de seu cronograma – nos dias 24 e 25 de dezembro. A Air China também cancelou cerca de 20% de suas partidas programadas no mesmo período.

Várias companhias aéreas, incluindo a alemã Lufthansa e as americanas Delta e United, precisaram cancelar voos por falta de funcionários, tanto membros da tripulação quanto pessoal de terra, que adoeceram ou entraram em quarentena após exposição à covid-19.

Em dezembro, a Lufthansa anunciou que iria cortar "em cerca de 10%" seu plano de voos de inverno, devido à rápida disseminação da ômicron.

"De meados de janeiro a fevereiro, estamos observando uma queda acentuada nas reservas", levando o grupo a cancelar "33 mil voos" neste inverno, afirmou o presidente-executivo Carsten Spohr, em entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung.

"Acima de tudo, estamos perdendo passageiros em nossos mercados domésticos da Alemanha, Suíça, Áustria e Bélgica, porque esses países foram os mais atingidos pela atual onda da pandemia", disse ele.

Segundo Spohr, o maior grupo de companhias aéreas da Europa – que inclui Eurowings, Austrian, Swiss e Brussels Airlines – já operava, em dezembro, com apenas cerca de 60% dos voos em comparação com antes da pandemia, transportando cerca de metade do número de passageiros.

No final de dezembro, a associação de aeroportos europeus ACI Europe estimou que o número de passageiros que viajam através de seus membros caiu 20% desde 24 de novembro, quando a variante ômicron foi relatada pela primeira vez à Organização Mundial da Saúde (OMS).

le/lf (Agência Brasil, ots)