Populismo perdeu apoio na Europa, aponta pesquisa | Notícias internacionais e análises | DW | 26.10.2020

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Europa

Populismo perdeu apoio na Europa, aponta pesquisa

Levantamento do instituto YouGov aponta queda acentuada nas tendências populistas em todos os oitos países europeus pesquisados, em comparação com o ano passado.

O italiano Matteo Salvini e a francesa Marine Le Pen: duas figuras do populismo de direita na Europa

O italiano Matteo Salvini e a francesa Marine Le Pen: duas figuras do populismo de direita na Europa

Crenças populistas perderam apoio considerável na Europa ao longo do último ano, segundo apontou uma ampla pesquisa realizada pelo instituto YouGov em vários países do mundo.

O YouGov-Cambridge Globalism Project, um levantamento envolvendo cerca de 26 mil pessoas em 25 nações e feito em parceria com o jornal britânico The Guardian, mostrou uma queda nas tendências populistas neste ano em todos os oito países europeus onde a pesquisa foi realizada em 2020 e no ano passado, podendo, portanto, ser comparados.

O instituto usa como base para o levantamento posições tipicamente populistas sobre uma série de questões, da imigração à vacinação, redes sociais e globalização. Os entrevistados são questionados sobre se concordam ou não com cada uma dessas declarações.

Realizada entre julho e agosto deste ano, a pesquisa descobriu que no Reino Unido, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Suécia – e também nos não europeus Austrália, Canadá e Estados Unidos – menos pessoas concordaram com a afirmação de que "o poder de alguns interesses especiais impede nosso país de fazer progressos".

Em alguns países a queda foi acentuada: de 33% para 22% na Dinamarca, ou 11 pontos percentuais a menos entre 2019 e 2020, além de declínios de nove pontos percentuais no Reino Unido, nove pontos na Alemanha, oito na França, seis na Itália e quatro na Polônia.

A pesquisa apontou quedas semelhantes no apoio a outras declarações consideradas de visão populista – incluindo uma baixa de 20 pontos percentuais na Dinamarca e 15 na Alemanha para a ideia de que "muitas informações importantes são deliberadamente ocultadas do público por interesses próprios".

Declínios significativos foram observados ainda em apoio à visão de que "meu país está dividido entre pessoas comuns e elites corruptas que as exploram": foram 11 pontos percentuais a menos na Dinamarca, nove pontos na Alemanha, sete na Itália e cinco na França.

Também houve queda, mas menos acentuada, no apoio à declaração de que "a vontade do povo deveria ser o princípio mais elevado da política deste país": oito pontos percentuais na Polônia, três na Alemanha e dois na Itália.

Apesar das quedas observadas entre 2019 e 2020, os níveis de apoio às afirmações consideradas populistas permanecem altos em vários países. Em sete das oito nações europeias consultadas, entre 60% e 74% dos entrevistados disseram concordar que a "vontade do povo" deveria prevalecer.

Mas diferenças consideráveis foram vistas entre os países. Por exemplo, 56% dos entrevistados na França e 66% na Espanha concordaram que seu país estava dividido entre pessoas comuns e uma elite corrupta, contra 34% na Suécia e 18% na Dinamarca.

Imigração

A imigração – uma questão política profundamente explorada por todos os partidos populistas de direita da Europa – é um dos pontos-chave da pesquisa do YouGov.

Em cinco países europeus – além de EUA, Canadá e Austrália –, caiu a proporção de pessoas que concordam com a declaração de que "os custos da imigração superam os benefícios". Foram sete pontos percentuais a menos na França e na Itália, e cinco na Alemanha.

Por outro lado, questionadas sobre migrações futuras a seus respectivos países, em sete das oito nações europeias mais pessoas apoiaram um corte no número de imigrantes. Na França, por exemplo, 51% dos entrevistados disseram que a imigração deveria ser reduzida no futuro, enquanto em 2019 esse índice havia sido de 36%.

O sentimento anti-imigração também se manteve forte na Suécia, onde 65% dos entrevistados disseram que menos migrantes deveriam ter permissão para entrar no futuro, ante 58% no ano passado. Os números são semelhantes na Itália: 64% em 2020, contra 53% em 2019.

O país onde uma onda anti-imigração foi mais observada foi a Grécia, incluída na pesquisa pela primeira vez em 2020. Quase quatro em cada cinco entrevistados querem uma redução no número de imigrantes chegando ao país, com 62% dizendo que esse corte deve ser "muito alto".

Entre os oito países europeus pesquisados, apenas a Polônia contrariou essa tendência: 32% concordam que a imigração deve ser reduzida no futuro, contra 37% em 2019.

Onda populista

O populismo cresceu rapidamente como força política na Europa nos últimos anos. O apoio a partidos populistas em eleições nacionais em todo o continente aumentaram de 7% para mais de 25% nas últimas duas décadas.

Líderes populistas de direita e extrema direita – como Matteo Salvini na Itália e Viktor Orbán na Hungria – surgiram em vários países, e partidos populistas passaram a integrar o governo em quase uma dúzia de nações europeias.

Na Alemanha, o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) entrou pela primeira vez no Parlamento em 2017, já dono da terceira maior bancada do Bundestag.

EK/ots

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