População do leste alemão encolhe e volta ao nível de um século atrás | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 12.06.2019
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Alemanha

População do leste alemão encolhe e volta ao nível de um século atrás

Três décadas após a queda do Muro, território da antiga Alemanha Oriental têm mesmo número de habitantes registrado em 1905. Em contraste, oeste da Alemanha nunca concentrou tantas pessoas.

Deutschland Magdeburg Gemeinschaftswerk Aufschwung Ost (picture-alliance/dpa/J. Wolf)

A população do oeste deve atingir 68,3 milhões até o fim do ano – em 1905, a mesma área concentrava 32,6 milhões

O número de pessoas vivendo no território da antiga Alemanha Oriental continua a diminuir, e a área atingiu o mesmo nível populacional de 114 anos atrás, apontou nesta quarta-feira (12/06) um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Ifo, um think tank baseado em Munique.

Segundo o levantamento, os cinco estados no leste da Alemanha somados à metade oriental de Berlim concentram hoje 13,6 milhões de habitantes, o mesmo número registrado nessas áreas em 1905. Em contraste, os territórios alemães do oeste, que compunham a antiga Alemanha Ocidental, nunca tiveram tantos habitantes. A população do oeste deve atingir 68,3 milhões até o fim do ano – em 1905, a mesma área concentrava 32,6 milhões de habitantes.

Segundo Felix Rösel, autor do levantamento, cidades do leste, como Leipzig e Dresden, teriam hoje milhões de habitantes se tivessem crescido no mesmo ritmo populacional do oeste. No entanto, elas têm hoje pouco mais de 500 mil habitantes cada.

De acordo com Rösel, mesmo passadas três décadas desde a reunificação da Alemanha e a extinção do Estado comunista do leste, a divisão que persistiu por mais de quatro décadas entre as partes ocidental e oriental do país ainda tem impacto.

Entre 1871 (ano da primeira unificação alemã) até 1949, as atuais partes oeste e leste se desenvolveram "praticamente de maneira idêntica" no aspecto populacional – o estudo desconsiderou a população de antigos territórios alemães perdidos após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.

"Embora as taxas de renda e desemprego no leste e oeste estejam convergindo lentamente, os números da população estão cada vez mais distantes", diz Rösel. "A força contínua da divisão alemã ainda é subestimada hoje. Esse aspecto é muitas vezes ignorado e requer consideração política especial."

Ainda segundo o estudo, a principal razão para a queda da população é o êxodo em massa que atingiu os territórios do leste em diferentes décadas.

O primeiro grande êxodo começou em 1949, quando foi fundada a República Democrática da Alemanha, de regime comunista, e só foi interrompido com a construção do Muro, em 1961, que estancou por algumas décadas o número de saídas.

Em 1989, no entanto, com a queda do Muro, o êxodo foi retomado e centenas de milhares de habitantes da antiga Alemanha Oriental empobrecida rumaram para o oeste, mais desenvolvido. Em 1990, 16,1 milhões de pessoas viviam no leste – 2,5 milhões a mais do que hoje.

Outro fator que contribuiu para o contraste, segundo Rösel, foi que os territórios do oeste também vivenciaram grandes ondas de migração de trabalhadores de outros países durante as décadas de 1960 e 1970, notadamente da Turquia. Já a então Alemanha Oriental não experimentou nenhuma onda de migração e teve até mesmo que recorrer à violência e à construção do Muro para reter sua população.

Segundo o autor do estudo, uma das soluções para ajudar a estancar o declínio passa pela promoção de subsídios para desenvolver as áreas rurais do leste, e não apenas concentrar fundos nas cidades. "A divisão da Alemanha sangrou as áreas rurais do leste do país até a morte. "Nós precisamos promover a coesão social não apenas nas cidades, mas também no campo."

"Cerca de 30 anos após a queda do Muro de Berlim, os aspectos danosos mais visíveis do socialismo no leste da Alemanha em grande medida desapareceram. Muitos vilarejos foram reconstruídos. Edifícios históricos, restaurados. Sedes de prefeituras estão tinindo. A maioria das cidades e vilarejos alemães-orientais recuperou o esplendor histórico. A única coisa que falta são os habitantes", afirma Rösel.

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