Polarização se reflete nas ruas | Eleições 2018 | DW | 01.10.2018
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Eleições 2018

Polarização se reflete nas ruas

Último fim de semana antes da eleição tem milhares de manifestantes em dezenas de cidades no Brasil e no exterior, em protestos pró e contra Jair Bolsonaro, líder das pesquisas de intenção de voto.

Protesto em São Paulo no domingo, em apoio a Bolsonaro

Protesto em São Paulo no domingo, em apoio a Bolsonaro

A polarização que se anuncia para o segundo turno se refletiu nas ruas neste fim de semana, o último antes da eleição presidencial. No sábado e no domingo, milhares de pessoas saíram às ruas em protestos pró e contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto.

No sábado (29/09), 114 cidades em 26 estados brasileiros e no Distrito Federal abrigaram o protesto #EleNão, movimento de mulheres que critica as falas misóginas e posições sexistas do candidato. No domingo (30/09), as mobilizações em apoio ao militar ocorreram em 16 estados.

Uma lista de cidades que receberiam protestos contrários a Bolsonaro foi postada nas redes sociais para permitir a organização das marchas em diferentes locais. A ideia de tornar real o ato de protesto nascido na internet surgiu em grupos de militância feminista no Facebook e espalhou-se pelo Instagram e Twitter.

As manifestações começaram no início da tarde. Em algumas cidades, como Porto Alegre, os eleitores saíram em caminhada pelas ruas centrais após encontrarem-se no Parque Farroupilha. No Rio de Janeiro, a concentração ocorreu na Cinelândia. Depois, os manifestantes seguiram em passeata pelas ruas do Centro. Em Curitiba, foi possível identificar faixas em apoio ao ex-presidente Lula em meio à multidão.

Em São Paulo, o ato "Mulheres contra Bolsonaro" ocorreu no Largo do Batata. O movimento contou com o apoio de partidos de esquerda e reuniu também artistas, que se apresentaram em um carro de som. A candidata  Marina Silva (Rede) participou da mobilização. Em suas contas em redes sociais, os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) manifestaram apoio ao movimento, que agrupou majoritariamente mulheres, mas também contou com a presença de homens e crianças.

Protesto contra Bolsonaro em Curitiba, no sábado

Protesto contra Bolsonaro em Curitiba, no sábado

No final da tarde, os manifestantes saíram em caminhada e bloquearam completamente o fluxo de automóveis de uma das pistas da Avenida Rebouças até chegarem à Avenida Paulista. O ato em São Paulo, segundo os organizadores, reuniu cerca de 500 mil pessoas. A Polícia Militar, entretanto, não estimou o número de participantes em nenhum dos locais.

Também houve registro de manifestações em cidades europeias e nos Estados Unidos.

No dia seguinte, a reação

Em resposta ao protesto #EleNão, defensores da candidatura e da postura de Bolsonaro se mobilizaram também nas redes sociais e saíram às ruas no domingo vestidos de verde e amarelo. Em Brasília, duas carreatas somaram 25 mil veículos, segundo a Polícia Militar. Os veículos ocuparam as seis faixas da Esplanada dos Ministérios. A concentração iniciada no Eixo Monumental tinha como bandeiras a defesa do candidato e a pergunta, exposta em uma faixa: "Quem mandou matar Bolsonaro?”, uma referência ao questionamento utilizado para cobrar explicações sobre o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco.

Em São Paulo, o ato em favor do postulante à Presidência da República se espalhou por quatro quarteirões na Avenida Paulista, mas acabou desmobilizado por causa de uma forte chuva. Os protestos de domingo destoaram dos do dia anterior pelo tipo de público, pelas cores das camisetas e também pela hashtag:os apoiadores de Bolsonaro usaram a ideia dos opositores para compor seu próprio mote,  #EleSim.

Um telão erguido na avenida mais importante do país exibia uma mensagem do candidato ao público. "Vamos ganhar essas eleições no primeiro turno. A diferença será tão grande que será impossível qualquer possibilidade de fraude”, bradava. Bolsonaro recebeu alta do hospital Albert Einsten, na Zona Sul de São Paulo, no sábado de manha, após 24 dias internado. Ele retornou à sua casa na capital fluminense, onde permanece em repouso.

Em Porto Alegre, o protesto em defesa de Bolsonaro ocorreu no Parque Moinhos de Vento, povoado tradicionalmente para protestos da direita. No Rio, a marcha foi em Copacabana.

Além de empunhar cartazes contra partidos mais à esquerda, os manifestantes pró-Bolsonaro entoaram o Hino Nacional e discursaram em defesa do militar. Os protestos reuniram, além de simpatizantes da candidatura, representantes de partidos políticos, movimentos autointitulados patriotas e apoiadores da ditadura militar.

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