Polônia quer colaborar com novo programa antimísseis americano | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 21.10.2009
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Mundo

Polônia quer colaborar com novo programa antimísseis americano

Em viagem ao Leste Europeu, vice de Obama afaga poloneses e colhe promessa de cooperação para um escudo antimísseis reformulado. Visita de Joe Biden à Europa inclui ainda a República Tcheca e a Romênia.

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Biden se encontrou com o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk

A Polônia está pronta para fazer parte do sistema de defesa antimísseis reformulado, apresentado por Washington no mês passado, conforme afirmou o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, nesta quarta-feira (21/10) após encontro com o vice-presidente norte-americano, Joe Biden.

Polônia e República Tcheca ainda se ressentem da decisão do presidente Barack Obama de se desfazer dos planos da era Bush de construir um ambicioso escudo antimísseis contra possíveis ataques de longo alcance a partir do Irã. Já a Rússia se opunha aos planos, temendo que o projeto viesse a neutralizar seu próprio arsenal nuclear.

O novo conceito apresentado por Obama prevê primeiro a instalação de interceptores baseados no mar e depois de sistemas baseados em terra. Dentro deste esquema, a Polônia poderia abrigar interceptores SM-3 destinados a neutralizar mísseis de curto e médio alcances.

"A Polônia considera o novo projeto antimísseis muito interessante e importante, e estamos prontos a participar, na escala apropriada", declarou Tusk durante uma entrevista coletiva dos dois líderes à imprensa.

Mais efetivo

Na primeira etapa de sua viagem a Europa – que inclui ainda a República Tcheca e a Romênia –, Biden disse que o novo sistema será mais efetivo e cobrirá uma parte muito maior do território europeu do que o plano anterior, de George W. Bush. “Eu saúdo a declaração do primeiro-ministro de que a Polônia está disposta a abrigar elementos de defesa antimísseis”, disse.

Obama iniciou uma nova era no relacionamento com a Rússia, fazendo do país um ponto forte de sua política externa, com o objetivo de conseguir a cooperação de Moscou para assuntos relacionados a Irã e a Afeganistão, bem como a outros assuntos estratégicos, causando preocupações na Polônia e em outras antigos satélites soviéticos.

A Rússia elogiou a decisão de Washington de arquivar o plano do escudo antimísseis de Bush, tido por Moscou como uma ameaça direta à sua própria segurança. O país continua esperando mais detalhes sobre o novo plano de defesa, mas vê a idéia com menos preocupação.

Biden assegurou aos poloneses que a administração Obama não tratará de detalhes com a Rússia à revelia deles. “Nosso compromisso com a Polônia é inabalável” assegurou. "Não temos acordos com a Rússia às custas da Europa Central e não assinaremos tais acordos. Nada sobre você, sem você," declarou Biden a um jornal polonês em entrevista concedida logo após desembarcar no país.

“Honestamente acreditamos que melhorar o clima entre os Estados Unidos e a Rússia contribuirá para melhorar a segurança na Europa e trará benefícios para todos os nossos aliados," acrescentou.

Laços com Moscou

Depois das conversas com o presidente polonês, Lech Kaczynski, um conservador conhecido por sua retórica anti-russa, Biden enfatizou a importância do artigo 5 da carta da OTAN, no qual está escrito que um ataque a um de seus membros é um ataque a todos. Biden acrecentou ainda que ele e Kaczynski discutiram sobre a Rússia “em profundidade” e concordaram sobre a necessidade da construção de melhores laços com Moscou.

Para a Polônia, incomodada com uma política externa russa mais agressiva no território da antiga União Soviética, especialmente na Geórgia, o tipo de sistema antimísseis é menos importante que o compromisso claro dos EUA com sua segurança. “Não nos importamos tanto com o equipamento, mas com a percepção de que a segurança nessa região é tão importante quanto à da Europa Ocidental”, disse Witold Waszczykowski, segundo homem na hierarquia do Departamento de Segurança Nacional da Polônia.

A Polônia, que se tornou membro da OTAN na década passada, vinha reclamando há muito tempo que não abriga tropas norte-americanas ou grandes instalações de segurança, apesar de contribuir com soldados para missões lideradas pelos EUA no Iraque e no Afeganistão, contribuições estas que arrancaram calorosos elogios de Biden.

Mísseis Patriot

Nem Biden nem Tusk fizeram qualquer referência a planos de estacionar baterias de mísseis Patriot na Polônia e diplomatas afirmaram que questões fiscais ainda estariam bloqueando um entendimento.

Em um acordo negociado durante a administração Bush paralelamente ao plano do escudo antimísseis, a Polônia conseguiu dos Estados Unidos o compromisso de que Washington enviaria uma bateria armada de mísseis Patriot para a Polônia a partir da Alemanha regularmente até 2012, a fim de manter a defesa aérea polonesa atualizada.

"Esse é um assunto que deve ser resolvido o mais rápido possível", disse o presidente Kaczynski, um crítico do governo Tusk, após se encontrar com Biden.

Mais cedo, Biden colocou uma coroa de flores no monumento às vítimas da revolta do Gueto de Varsóvia, assassinadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e também se encontrou com líderes da comunidade judaica da capial polonesa.

MD/reuters/ap

Revisão: Rodrigo Rimon

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