Polícia russa prende aliada de Navalny | Notícias internacionais e análises | DW | 25.12.2020

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Mundo

Polícia russa prende aliada de Navalny

Importante voz de oposição na Rússia, Lyubov Sobol é processada por invasão de domicílio. Navalny diz que ela apenas tocou a campainha da casa de suposto agente russo que ele acusa de participação em seu envenenamento.

A advogada Lyubov Sobol, ao lado do opositor russo Alexei Navalny, em foto de 29 de setembro de 2019

Ao lado de Navalny na foto, advogada Lyubov Sobol foi eleita uma das mulheres mais influentes do mundo pela BBC

Autoridades da Rússia abriram nesta sexta-feira (25/12) um processo criminal contra uma aliada próxima do opositor Alexei Navalny, num caso relacionado ao envenenamento do dissidente.

Lyubov Sobol, uma voz importante da oposição política na Rússia, havia sido detida mais cedo nesta sexta-feira por policiais que invadiram sua casa em Moscou, segundo informou Navalny.

Em comunicado oficial, a principal agência de investigação da Rússia disse que Sobol é acusada de ter entrado à força em uma residência familiar na capital russa na última segunda-feira.

A equipe de Navalny afirma que ela estava apenas tentando confrontar um suposto agente do Serviço de Segurança Federal (FSB) da Rússia, uma espécie de sucessora da KGB soviética. Navalny acusa o oficial de ser um dos que tentaram assassiná-lo com o agente neurotóxico Novichok, em agosto deste ano, como parte de um ataque orquestrado pelo Estado russo.

O presidente Vladimir Putin sempre negou que oficiais russos tenham tentado matar Navalny, que é um dos opositores e críticos mais ferozes de Putin no país. O FSB também rejeitou as acusações.

Acusada de "invasão de domicílio" por meio de violência e ameaça de violência, Sobol agora enfrenta uma pena de até dois anos de prisão, segundo informações do Comitê de Investigação da Rússia. "Quando a proprietária abriu a porta, Sobol empurrou a mulher para o lado [...] e invadiu o apartamento", diz a nota do órgão, sem dar muitos detalhes adicionais.

Navalny, por sua vez, afirma que Sobol apenas tocou a campainha da casa. "Você bate na porta de um assassino. Eles [a polícia] quebram a sua e levam você para interrogatório", denunciou o opositor russo em comunicado em sua página na internet.

Segundo fontes próximas de Navalny, a polícia russa prendeu Sobol em sua casa na manhã desta sexta-feira e a levou para a sede do Comitê de Investigação da Rússia para ser interrogada. A câmera de segurança do lado de fora do apartamento mostra homens mascarados e encapuzados, que depois bloqueiam a câmera com fita adesiva.

Mulheres mais influentes

Lyubov Sobol, de 33 anos, atua como advogada na equipe de Navalny e trabalha para expor a corrupção entre altos funcionários russos. Ela costuma aparecer em vídeos no Youtube que geralmente somam centenas de milhares de visualizações.

A emissora BBC escolheu Sobol como uma das 100 mulheres mais influentes do mundo no ano passado. Ela tentou concorrer à câmara municipal de Moscou nas eleições de 2019, mas não obteve permissão para se registrar como candidata.

O envenenamento

Alexei Navalny acredita que um esquadrão do FSB tentou matá-lo há cerca de cinco meses com o químico Novichok, desenvolvido pela antiga União Soviética.

Em agosto, o dissidente russo de 44 anos foi transportado por médicos para a Alemanha após ficar gravemente doente durante uma viagem em que foi fazer campanha para políticos da oposição na cidade siberiana de Tomsk. Em Berlim, Navalny foi tratado no Hospital Charité.

Laboratórios alemães, franceses e suecos atestaram que Navalny foi envenenado com Novichok, mas autoridades russas alegam que não encontraram nenhuma evidência que apoie essa conclusão.

Na quinta-feira, médicos de Berlim que trataram Navalny divulgaram os detalhes clínicos do envenenamento, em um artigo de quatro páginas publicado na revista científica The Lancet, uma das mais prestigiadas do mundo. Segundo Navalny, trata-se da "prova" médica que Moscou tanto pedia.

EK/dpa/rtr/lusa/ots

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