Polícia Civil adia greve no Espírito Santo | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 10.02.2017
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Brasil

Polícia Civil adia greve no Espírito Santo

Sindicato de policiais dá prazo de 14 dias para o governo do estado atender as reivindicações da categoria. Polícia Militar continua paralisação. Objetos furtados de lojas começam a ser devolvidos.

Forças Armadas assumiram segurança pública no Espírito Santo

Forças Armadas assumiram segurança pública no Espírito Santo

Em meio à onda de violência que atinge o Espírito Santo, o Sindicato dos Policiais Civis do estado decidiu nesta quinta-feira (09/02), em assembleia, dar um prazo ao governo antes de entrar em greve. A categoria vai esperar 14 dias para o governo atender as reivindicações. Caso isso não ocorra, paralisará, então, as atividades.

Os policiais civis pedem reajuste salarial que, segundo o sindicato, não ocorre há três anos, exigência de nível superior em concursos para agentes, escala especial ao salário e a possibilidade de usar o Hospital da Polícia Militar.

"A sociedade precisa entender que essa crise na segurança pública é culpa do governo do estado que não investiu e sucateou a Polícia Civil do Espírito Santo. Também estamos sofrendo com a crise na segurança, mas não podemos culpar as mulheres dos policiais militares", disse o presidente do sindicato Jorge Emílio Leal.

A paralisação da Polícia Militar no estado chegou ao sexto dia e, neste período, foram registrados 113 homicídios no Espírito Santo. A greve dos PMs começou de forma inusitada na sexta-feira passada, quando familiares dos policiais, em especial mulheres, ocuparam a porta da frente de uma companhia militar e impediram a saída de viaturas.

Leia mais: Segurança nos estados não pode depender apenas da PM, dizem especialistas

Desde então, o caos tomou conta do estado, com uma onda de saques e depredações. Alguns dos produtos roubados nos últimos dias estão sendo devolvidos em delegacias. Em Vitória, foram entregues nesta quinta-feira uma geladeira e um fogão furtados de uma loja próxima ao distrito policial.

Segundo delegado Isaías Tadeu, as mercadorias foram devolvidas pelos suspeitos de terem cometido o roubo. "Vamos investigar os crimes, e, nesses casos, se for confirmado que eles foram os responsáveis, eles serão autuados pelo furto qualificado, com a redução da pena, pois houve o arrependimento posterior", acrescentou.

Uma delegacia do município de Cachoeiro de Itapemirim também recebeu produtos roubados. "Uma sala da unidade já está cheia de materiais que foram devolvidos. A Polícia Civil orienta que a população devolva os materiais que foram furtados durante os últimos dias", disse o delegado Paulo Rogério.

O caos levou o comércio capixaba a acumular prejuízos milionários. A Federação do Comércio do estado estimou em 90 milhões de reais as perdas por conta das lojas fechadas e 20 milhões de reais devido aos saques, somando 110 milhões de reais. Cerca de 270 lojas teriam sido saqueadas na Grande Vitória.

Nesta quarta-feira, secretários do governo capixaba e representantes das mulheres e das associações de classe de policiais militares iniciaram negociações para acabar com a crise. Segundo o secretário de Direitos Humanos, Julio Pompeu, as lideranças do movimento exigem anistia geral para todos os policiais, que são proibidos de fazer greve, e 100% de aumento para toda a categoria.

De acordo com a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (ACS), o salário base de um policial no estado é 2,6 mil reais, abaixo da média nacional 4 mil reais.

CN/abr/rtr/ots

 

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