Polícia alemã captura ″Rambo da Floresta Negra″ | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 17.07.2020

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Alemanha

Polícia alemã captura "Rambo da Floresta Negra"

Após seis dias de buscas em área montanhosa e de mata fechada, autoridades prendem fugitivo que havia rendido quatro agentes e tomado suas armas. Caçada mobilizou centenas de policiais no sudoeste da Alemanha.  

Membros das forças de segurança da Alemanha em estrada na Floresta Negra

Caçada chegou a mobilizar mais de 400 policiais e teve participação de helicópteros

Após seis dias de buscas em uma área íngreme e de mata fechada, a polícia da Alemanha capturou nesta sexta-feira (17/07) o fugitivo Yves Etienne Rausch, que foi apelidado de "Rambo da Floresta Negra" pela imprensa do país.

O anúncio foi feito em um tuíte da Polícia de Offenburg, no sudoeste alemão. "Depois de vários dias procurando Yves Rausch, que estava escondido nas florestas ao redor de Oppenau, a polícia prendeu com sucesso o homem de 31 anos", diz a mensagem.

Em coletiva de imprensa depois da prisão, a polícia afirmou que apreendeu com o fugitivo cinco armas de fogo – quatro delas pertenciam a policiais que haviam sido rendidos por Rausch dias antes.

De acordo com a polícia, Rausch ficou levemente ferido durante a captura. Agentes tiveram que usar uma arma de eletrochoque para imobilizá-lo. Um policial também foi ferido durante a operação, após o fugitivo atacá-lo com um machete.

Rausch foi capturado após dois transeuntes terem avisado a polícia de que ele estava próximo de um restaurante a 2,5 quilômetros do centro de Oppenau. Policiais seguiram a pista com cães farejadores e toparam com o fugitivo, que estava atrás de um arbusto. Além das cinco armas, policiais apreenderam com ele o que foi descrito como uma nota de suicídio.

Agora, Rausch deve passar por uma avaliação psiquiátrica. Ele pode ser condenado a cinco anos de prisão por ter rendido os policiais e tomado suas armas.

O caso mobilizou a polícia do estado de Baden-Württemberg e a imprensa alemã por quase uma semana. Em uma das etapas da caçada, mais de 500 policiais foram deslocados para a região. Helicópteros, cachorros e unidades táticas de elite participaram da ação, que se concentrou numa região de difícil acesso nos arredores da pequena cidade de Oppenau.

O suspeito acabou sendo chamado de "Rambo" pelos jornais do país devido a similaridades entre elementos do caso e os filmes da franquia estrelada pelo ator Sylvester Stallone. No primeiro filme da série, Stallone interpretava um traumatizado veterano da Guerra do Vietnã que era caçado por policiais nas matas fechadas do estado americano de Washington.

Caçada

O episódio todo teve início no último sábado (11/07), quando a polícia local foi alertada que um homem vestindo roupas de camuflagem e armado com um arco e flecha e facas estava rondando a cidade de maneira suspeita. Era Yves Rausch, um desempregado de 31 anos que vivia isolado numa cabana na Floresta Negra.

Sylvester Stallone em cena de filme da série Rambo

Caso provocou comparações com filmes da série Rambo

No dia seguinte, Rausch foi abordado em sua cabana por quatro policiais. Inicialmente, ele cooperou e entregou o arco. Mas em seguida sacou uma arma que estava oculta e ameaçou os policiais, que acabaram entregando suas próprias pistolas. Depois, ele sumiu na mata com o novo estoque de armas e munições.

Como parte da caçada, a polícia chegou a instalar bloqueios em estradas da região e advertiu que os turistas não deveriam se aproximar da área. Escolas de Oppenau chegaram a ser fechadas na segunda-feira, mas reabriram no dia seguinte.

O caso gerou certo constrangimento para a polícia alemã, que admitiu que o suspeito vinha sendo bem-sucedido em despistar os agentes de segurança graças ao seu conhecimento da área. "Ele vive na floresta. E a floresta é sala de estar dele. É por isso que, considerando o terreno intransitável e às vezes íngreme, é difícil encontrá-lo rapidamente", disse o comissário de polícia de Offenburg, Reinhard Renter, em entrevista coletiva na terça-feira.

Além do terreno acidentado, a região é repleta de cavernas e velhos bunkers que datam da época da Segunda Guerra Mundial. Nesta sexta-feira, a polícia chegou a adotar uma estratégia diferente. Por meio de alto-falantes, pediu para que Rausch entrasse em contato com as autoridades. Era uma forma de negociar que ele se entregasse de forma voluntária.

Ao longo das buscas, a polícia afirmou que não havia indicações de que o caso teve alguma motivação política. A corporação limitou-se ao longo da caçada a apontar que o suspeito demonstrava uma grande "afinidade por armas".

Já a procuradoria de Baden-Württemberg forneceu um retrato mais complicado do suspeito, afirmando que ele mostrou simpatia pelo nazismo quando era adolescente. Quando tinha 15 anos, ele vandalizou a placa de um centro juvenil para que as palavras soassem "Judeus longe daqui".

Ainda segundo a promotoria, educadores de um reformatório disseram que ele chegou a montar uma bomba fictícia para ameaçar os funcionários, e frequentemente fazia declarações antissemitas e usava acessórios com símbolos da SS.

Rausch passou a viver na velha cabana na Floresta Negra após ser despejado de seu apartamento por falta de pagamento do aluguel. Na região de Oppenau, ele se dedicava a pequenos bicos, como trabalhos de jardinagem e reforma. À imprensa, habitantes da região descreveram o suspeito como uma pessoa excêntrica, mas que não tinha uma reputação perigosa. 

Mas além de simpatias pelo nazismo no passado, ele também tem um histórico de detenções por agressão, furto e posse ilegal de armas de fogo. Em 2010, Rausch foi condenado por ferir gravemente sua namorada com uma flechada após uma discussão. O caso lhe rendeu três anos na cadeia.

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