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Piñera e Guillier disputam segundo turno no Chile

20 de novembro de 2017

Ex-presidente Sebastián Piñera, da centro-direita, e senador Alejandro Guillier disputarão presidência. Primeiro turno é marcado por surpresas, incluindo crescimento da candidatura da socialista Beatriz Sánchez.

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O ex-presidente Sebastián Piñera
O ex-presidente Sebastián Piñera, que lidera a coligação de direita Chile Vamos, conquistou 36,62% dos votosFoto: picture alliance/dpaAP/E. Felix

O ex-presidente Sebastián Piñera e o senador independente Alejandro Guillier disputarão o segundo turno da eleição presidencial no Chile, de acordo com os resultados oficiais do primeiro turno, disputado neste domingo (19/11).

Piñera, que lidera a coligação de centro-direita Chile Vamos, conquistou 36,62% dos votos, um resultado abaixo do esperado. Antes da votação, pesquisas indicavam que ele ficaria com cerca de 44% dos votos.

Com 22,66%, Guillier, de centro-esquerda, teve sua posição ameaçada pela surpreendente votação da socialista Beatriz Sánchez, que obteve 20,31% dos votos. Ela encabeça uma coalizão de partidos alternativos e movimentos sociais chamada Frente Ampla. As pesquisas davam a ela apenas 12%.

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"Estamos contentes porque esta noite conseguimos um grande resultado eleitoral e, sobretudo, porque abrimos as portas que vão nos conduzir a tempos melhores", afirmou Piñera. Ele agradeceu o apoio do candidato ultradireitista José Antonio Kast, que havia antecipado seu apoio no segundo turno. Com 7,9% dos votos, Kast pode ser uma explicação para o desempenho do candidato do Vamos ter ficado aquém do esperado.

"Precisamos resgatar a liderança, o dinamismo e o progresso que nos arrebataram", disse Piñera, que governou o país entre 2010 e 2014. Ele manifestou seu compromisso de "trabalhar lado a lado com cada um dos parlamentares" e assegurou que será "o presidente de todos os chilenos".

O senador e jornalista Alejandro Guillier
O senador e jornalista Alejandro Guillier, que defende as reformas realizadas pela presidente Michelle BacheletFoto: picture alliance/dpa/AP/L. Hidalgo

Guillier, um jornalista e sociólogo que lidera a aliança Nova Maioria, consolidou-se como a opção da esquerda para frear uma possível vitória da direita no segundo turno, em 17 de dezembro. Sua candidatura se apresenta como garantia de continuidade das reformas iniciadas pela presidente Michelle Bachelet, prometendo aprofundá-las. "A direita não acredita na gratuidade da educação, pois, assim como a saúde, eles a veem como um negócio", disse o candidato, defendendo as reformas.

O fato de haver três candidatos do setor progressista com uma votação significativa – Sánchez, a democrata-cristã Carolina Goic e o progressista Marco Enríquez-Ominami – faz Guillier pensar que é possível superar o candidato da direita no segundo turno. "Com especial carinho e emotividade quero agradecer Beatriz Sánchez e Carolina Goic", disse o candidato, em alusão aos parabéns recebidos das duas oponentes mulheres.

Guillier também agradeceu o apoio explícito a sua candidatura do ex-presidente Ricardo Lagos, que perdeu para o jornalista a indicação do Partido Socialista em abril passado.

Mudanças no cenário político

A eleição acontece sob égide a de uma nova legislação eleitoral, a chamada Lei d'Hondt, que acaba com o chamado sistema binominal e estabelece um critério de divisão proporcional.

A proporcionalidade do novo modelo favorece o surgimento de formações menores, em detrimento dos dois grandes blocos, a direita e a centro-esquerda, que historicamente dominaram o Congresso.

Com a nova lei, o Parlamento que tomará posse em março de 2018 passará a ter 155 membros em vez de 120. A coalizão de direita Chile Vamos, após eleger 71 parlamentares, aumentará sua participação de 35,8% para 46%.

Os direitistas ampliaram sua base também no Senado, aumentando de 13 para 19 o número de representantes na casa, ou seja, 44,1% do total. Das 38 cadeiras, 25 estavam em disputa nas eleições.

A Nova Maioria de Guillier perdeu 4 das 61 cadeiras que possuía no Parlamento, ficando com 37% de participação. Já a Frente Ampla de Sánchez passará de apenas três para 21 parlamentares, ou seja, 14% do total.

RC/efe/dpa/lusa

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