Petição exige libertação de Julian Assange | Notícias internacionais e análises | DW | 01.01.2021

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Mundo

Petição exige libertação de Julian Assange

Com mais de 100 mil assinaturas, documento é enviado ao governo britânico pela Repórteres sem Fronteiras, dias antes de decisão sobre extradição do fundador do Wikileaks para os EUA.

Julian Assange

Preso desde 2019, após sete anos refugiado na embaixada do Equador, Assange pode pegar até 175 anos de detenção nos EUA

Às vésperas da decisão da Justiça britânica sobre uma possível extradição de Julian Assange para os EUA, a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) enviou ao governo do Reino Unido uma petição com mais de 108 mil assinaturas exigindo a libertação imediata do fundador do Wikileaks.

"A acusação dos EUA contra Julian Assange é claramente motivada politicamente", disse em Berlim nesta sexta-feira (01/01) Christian Mihr, diretor da RFS. Ele afirmou que os EUA buscam uma punição exemplar contra Assange, que servirá para "dissuadir profissionais de mídia em todo o mundo".

Nesta segunda-feira, um tribunal em Londres decidirá sobre o pedido de extradição dos EUA. O processo de extradição começou em fevereiro passado, tendo sido reiniciado em setembro. É previsto que uma das partes recorra da sentença desta segunda-feira. Um veredicto definitivo é esperado para o segundo semestre de 2021, na avaliação de especialistas.

"Ameaça à liberdade de imprensa"

"Se os EUA tiverem sucesso em seu pedido de extradição e levarem Assange a julgamento, cada jornalista no mundo estará ameaçado pelo mesmo destino se publicar informações secretas de interesse público", alertou Mihr. "O que está em jogo aqui é o futuro do jornalismo e da liberdade de imprensa em todo o mundo."

O australiano de 49 anos enfrenta a ameaça de extradição para os EUA por acusações ligadas à divulgação de arquivos secretos pelo site Wikileaks em 2010, detalhando aspectos das campanhas militares dos EUA no Afeganistão e no Iraque.

Entre os documentos publicados estava um vídeo que mostra civis mortos por tiros de armas americanas no Iraque em julho de 2007, incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters.

Ele fugiu para a embaixada do Equador em Londres em 2012 para evitar outros processos judiciais na Suécia, onde era acusado de assédio sexual e estupro, acusações que foram retiradas posteriormente.

Assange está preso desde abril de 2019 na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres. Ele pode pegar até 175 anos de detenção se for condenado em todas as 18 acusações nos EUA, que incluem a publicação de documentos sigilosos e a violação da lei antiespionagem americana.

Preocupação em Berlim

Nesta quarta-feira, o governo alemão afirmou que "acompanha com preocupação" o processo de extradição do australiano, ressaltando que seu estado de saúde física e mental deve ser levado em consideração.

"Acompanho com preocupação o procedimento de extradição realizado no Reino Unido contra o fundador do Wikileaks, Julian Assange", sublinhou a comissária federal alemã para os Direitos Humanos, Bärbel Kofler, através de nota. 

"Os direitos humanos e aspectos humanitários de uma possível extradição não devem ser negligenciados", apelou, acrescentando ser "imprescindível que o estado de saúde física e mental de Julian Assange seja levado em consideração na decisão da extradição", recordando que o Reino Unido está "vinculado pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos".

Em junho passado, mais de 130 personalidades, a maioria na Alemanha, incluindo políticos, jornalistas, escritores e artistas, assinaram uma declaração exigindo a libertação imediata de Assange.

MD/dpa/epd


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