Peruanos vão às ruas contra indulto a Fujimori | Notícias internacionais e análises | DW | 29.12.2017
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Mundo

Peruanos vão às ruas contra indulto a Fujimori

Manifestação em Lima aumenta pressão sobre Pedro Paulo Kuczynski, suspeito de, em meio a escândalo de corrupção, comprar sobrevivência política com perdão ao ex-presidente.

Manifestantes com máscaras de Fujimori e Kaczynski: indulto não é insulto foi lema da marcha

Manifestantes com máscaras de Fujimori e Kaczynski: "indulto não é insulto" foi lema da marcha

Mais de 15 mil peruanos foram às ruas de Lima nesta quinta-feira (28/12), em protesto contra a decisão do atual presidente Pedro Paulo Kuczynski de conceder um indulto a Alberto Fujimori, condenado por crimes contra a Humanidade.

Sob a lema o "indulto é um insulto", as passeatas expressaram a indignação de parte da população peruana com a decisão tomada por Kuczynski no dia 24 de dezembro, quando, para Fujimori, ainda faltava completar mais da metade da pena de 25 anos de prisão.

Os manifestantes pediram a anulação do indulto para que Fujimori cumpra integralmente a condenação emitida em 2009, pelo assassinato de 25 pessoas nos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), realizados pelo grupo militar secreto Colina, além do sequestro de um empresário e um jornalista em 1992.

Os manifestantes denunciam que o indulto é um pacto político entre Kuczynski e Fujimori: o atual presidente, sob pressão em meio a escândalos de corrupção, seguiria governando em troca da liberdade do ex-presidente.

O indulto concedido ao ex-presidente Alberto Fujimori e os casos de corrupção relacionados com a Odebrecht transformaram 2017 em um dos anos mais agitados da história recente do Peru.

Embora tenha sido o escândalo da Odebrecht a atrair a maioria das atenções no país ao longo do ano, por envolver ex-governantes e grande parte da classe política nacional, a decisão de Kuczynski de dar indulto a Fujimori causou um terremoto político ainda maior, de consequências ainda imprevisíveis.

Kucyznski anunciou a medida poucas horas antes do Natal e apenas três dias após o Congresso arquivar um pedido para a sua cassação, que havia sido apresentado pela oposição depois da revelação de que uma de suas empresas fez trabalhos para a Odebrecht entre 2004 e 2007.

O governante defendeu a sua honestidade e conseguiu salvar o cargo por uma pequena margem na votação. O pedido não obteve os votos necessários devido à abstenção de dez membros da bancada fujimorista, que domina o Legislativo.

Quando grande parte dos setores políticos e da sociedade lhe pedia para que fortalecesse sua gestão, Kuczynski surpreendeu com o anúncio do indulto por razões humanitárias, alegando que a saúde do ex-governante corria risco na prisão.

A decisão não foi bem recebida por grande parte do país, que considerou que ela semeava a impunidade, já que o ex-mandatário cumpria pena de 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade, e pela rapidez com que o benefício foi aprovado.

Na opinião pública nacional cresceu a ideia de que, na realidade, o que houve foi um grande acordo político para que Kuczynski se mantivesse no cargo em troca da liberdade de Fujimori.

RPR/efe/rtr/ots

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