Pelas estatísticas, sexta-feira 13 é dia como outro qualquer | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 13.08.2010
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Mundo

Pelas estatísticas, sexta-feira 13 é dia como outro qualquer

Para os supersticiosos, ela é sinônimo de azar. O temor da sexta-feira 13 teria uma justificativa? A tradição do "dia maldito" tem um fundo cultural. Mas segundo as estatísticas, a data é um dia como outro qualquer.

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Quem tem medo da sexta-feira 13?

Sexta-feira 13: para os supersticiosos, a data é sinônimo de azar, mas até que ponto esse medo tem justificativa? Existe, talvez, um fundo cultural e histórico para este suposto dia de azar? E o que dizem as estatísticas? Realmente acontecem mais acidentes e contratempos em uma sexta-feira 13?

"Eu tento fazer nesse dia o menor número possível de coisas importantes", afirma a arquiteta alemã Susanne Euen. "Pegar um avião numa sexta-feira 13, para mim, está fora de cogitação. E só viajo de carro apenas se for absolutamente necessário", observa. "Mas, tudo bem, ao local de trabalho eu compareço."

Para ela, a sexta-feira 13 não é absolutamente um dia como outro qualquer. A arquiteta de 33 anos não confia na data misteriosa, embora nada de estranho tenha jamais acontecido a ela em uma sexta-feira 13. Mas Euen considera que isso seja uma questão de intuição, que não dá para descrever.

Seguro morreu de velho

"Eu não costumo ser uma pessoa supersticiosa. Gatos pretos, escadas sob as quais dizem que não deveríamos passar, espelhos quebrados, tudo isso considero uma bobagem. Já os horóscopos, eu costumo ler, sim. E eu tenho um certo respeito pela sexta-feira 13. Mas o porquê, isso eu não sei direito."

Susanne Euen não se considera uma pessoa supersticiosa. Entretanto, um compromisso de trabalho para supervisionar umas de suas obras é coisa que ela prefere transferir da sexta 13 para a quinta 12. Afinal, o seguro morreu de velho.

No entanto, não é possível encontrar um motivo palpável para o medo diante desse dia supostamente místico. Na sexta-feira 13 não costuma acontecer, segundo as estatísticas, mais ou menos acidentes do que em outros dias. O psicólogo Thomas Teubel, de Leipzig, começou a investigar o assunto baseando-se em testes realizados com esportistas. Segundo ele, esses profissionais são cobaias ideais, por costumarem ser especialmente supersticiosos.

"Tomamos como exemplo o jogo de golfe. Fizemos um teste em uma sexta-feira 13, dizendo em alto e bom tom que aquela era uma sexta-feira 13 e que queríamos ver se a data trazia mesmo azar para os participantes", lembrou. "Então fizemos um outro teste em um outro dia 13. Vimos depois que não houve diferenças na pontuação."

Origens bíblicas

A própria sexta-feira sempre teve uma má reputação entre os cristãos. Segundo a Bíblia, Jesus foi crucificado neste dia da semana. E Adão e Eva mordiscaram o fruto proibido em uma sexta-feira. Já o número 13 é considerado como um número diabólico, porque o "décimo terceiro" era Judas, o traidor da última ceia.

Já a chamada "sexta-feira negra" foi na verdade uma quinta-feira, dia 24 de outubro de 1929, quando o crash da bolsa de Nova York provocou uma crise econômica mundial. Mas o pânico dos investidores atingiu a Europa só no dia seguinte, reforçando a má fama das sextas-feiras no Velho Mundo.

Superstição é transmitida entre gerações

O pesquisador Thomas Teubel tem pouco a dizer sobre a evolução histórico-cultural do fenômeno. Ele prefere se ater aos fatos e pesquisar a psique humana que, em sua avaliação, recebe os rituais supersticiosos transmitidos quase que hereditariamente.

"É um conceito que existe na sociedade e é comunicado e aprendido entre as gerações. Se os meus pais ou meu ambiente social possuem esse conceito, de alguma forma, então, é possível que eu também o incorpore. E se realmente algo me acontecer em uma sexta-feira 13, pode ser que eu superestime esse fato. Ele se torna, então, uma profecia autocumprida", explica Teubel.

Então, quem realmente acreditar na sexta-feira 13 irá se deparar, cedo ou mais tarde, com o azar em um desses dias. Se não hoje, talvez na próxima vez. Pequenos percalços e acidentes graves são coisas da vida que muito provavelmente não costumam se ater a uma data específica. E quem tenta, como a arquiteta Susanne Euen, evitar quaisquer riscos no suposto dia da falta de sorte, talvez deixe de vivenciar, no final, algo realmente incrível.

"Eles nunca vão poder vivenciar esse dia como uma data normal, como qualquer outra. E, assim, essa relação será mantida e estabilizada. Mas se a pessoa resolvesse fechar um importante negócio ou simplesmente viajar nessa data, então perceberia que a sexta-feira 13 não teve a menor influência", observa Thomas Teubel.

Autor: Ronny Arnold (md)
Revisão: Carlos Albuquerque

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