Pazuello é efetivado como ministro da Saúde | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 16.09.2020

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Brasil

Pazuello é efetivado como ministro da Saúde

General ocupava posto há quatro meses na condição de interino. No período, submeteu a pasta completamente aos desejos de Bolsonaro, tentou esconder números e viu mortes por covid-19 no país explodirem.

O general Eduardo Pazuello foi efetivado na tarde desta quarta-feira (16/09) como ministro da Saúde. Ele ocupava o cargo interinamente desde 15 de maio, quando seu antecessor, Nelson Teich, deixou o posto após questionar o entusiasmo do presidente Jair Bolsonaro com a cloroquina no tratamento da covid-19 – um procedimento que não demonstrou sucesso em estudos pelo mundo. Sob Teich, Pazuello ocupava o cargo de secretário-executivo.

A cerimônia de posse teve a participação de Bolsonaro e do vice-presidente, Hamilton Mourão.

"Montamos um time que trabalhou muito bem. Juntos, reestruturamos o ministério", disse Pazuello em seu discurso. "O mais forte a salientar foi a união e a solidariedade de todo o povo brasileiro mostrando o valor de nossa nação, onde empresários, cidadãos e entidades das mais diversas se mobilizaram e continuam mobilizados na certeza de que juntos estamos vencendo esta guerra."

Após a fala de Pazuello, Bolsonaro tomou a palavra e aproveitou para criticar Teich e promover mais uma vez a cloroquina, exibindo uma caixinha do fármaco. 

"Com o ministro anterior, nada foi resolvido nas nossas conversas. Eu aprendi no meio militar que, pior que uma decisão mal tomada, é uma indecisão", disse.

Durante a cerimônia, Bolsonaro ainda elogiou o deputado Osmar Terra (MDB-RS), um notório negacionista da pandemia, difusor de fake news sobre a doença e que conspirou para derrubar o primeiro ministro da Saúde de Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta. Terra já afirmou, entre outras coisas, que a epidemia no Brasil terminaria em abril (depois atualizou a previsão para junho) e que apenas 2 mil pessoas morreriam de covid-19 no país. "É um aliado desde o princípio nesta questão, com números contados com convicção, que também foi massacrado no Brasil por suas posições. Nós temos couro duro, Osmar".

A Saúde sob Pazuello

Em seus quatro meses à frente da pasta, como interino, Pazuello submeteu o Ministério da Saúde completamente aos desejos de Bolsonaro.

Poucos dias depois de tomar o controle da pasta, Pazuello divulgou um novo protocolo sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes com covid-19, permitindo que os medicamentos pudessem ser administrados também em casos leves da doença provocada pelo novo coronavírus. O novo protocolo não trazia a assinatura de responsáveis médicos. 

No início de junho, Pazuello também chegou a esconder os números totais da pandemia. A medida só foi revertida dias depois por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), mas levou o Brasil a se juntar, mesmo que por um breve período, a países autoritários como o Irã e o Uzbequistão, que sistematicamente escondem seus números.

Sem experiência prévia em gestão da saúde, Pazuello ainda tentou emplacar amadores para alguns cargos, como o criador de um curso de inglês, que desistiu após conceder uma entrevista catastrófica. O general foi mais bem-sucedido ao arrumar um posto para uma amiga de décadas em Pernambuco. Também instalou dezenas de militares sem experiência em saúde em postos estratégicos na pasta.

Já a comunicação do ministério abandonou recomendações sobre distanciamento social e passou a replicar mensagens otimistas da Secretaria Especial de Comunicação Social do Ministério das Comunicações, chefiada por Fabio Wajngarten, que preferem destacar o número de "curados" e ignoram por completo as vítimas.

Durante a gestão interina de quatro meses de Pazuello, o país registrou mais de 117 mil mortes por covid-19 e 4,1 milhões de novos casos.

A manutenção de Pazuello no cargo e a expansão da oferta de postos para militares na pasta conforme a pandemia avançava fez com o que o ministro do Supremo Gilmar Mendes declarasse, em julho, que o Exército estava "se associando" a um "genocídio".

À frente da pasta, Pazuello também seguiu orientações de Bolsonaro em outras áreas, como a exoneração de dois servidores da pasta que assinaram uma nota técnica sobre o acesso à saúde sexual e reprodutiva pelas mulheres durante a pandemia, que foi interpretada por Bolsonaro como um apoio ao aborto. Em agosto, a pasta também publicou uma portaria para obrigar profissionais de saúde a avisarem a polícia quando atenderem pacientes que peçam a interrupção de uma gestação em razão de estupro.

JPS/ots

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