Para torcida bávara, missão do Bayern é conquistar a Champions | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 23.07.2019
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Coluna Halbzeit

Para torcida bávara, missão do Bayern é conquistar a Champions

Para um clube da envergadura do Bayern não basta vencer a Bundesliga. É preciso prevalecer também na Champions League. O torcedor espera que a diretoria disponibilize ao treinador os recursos necessários.

Torcida do Bayern de Munique

Objetivo da diretoria e da torcida do Bayern é que o time fique pelo menos entre os melhores quatro clubes da Champions

A realização de um banquete comemorativo, especialmente após a conquista de um título, já é uma tradição do Bayern de Munique. Não foi diferente depois do triunfo sobre o RB Leipzig na final da Copa da Alemanha, em maio deste ano. Antes dos comes e bebes num hotel de luxo em Berlim, o diretor Karl-Heinz Rummenigge tomou a palavra para agradecer a jogadores, comissão técnica e integrantes do departamento médico pelo feito.

Mais do que aquilo que foi dito, seu discurso ficou marcado pelo não dito. O cartola simplesmente não mencionou o técnico Niko Kovac. Agradeceu a todos pela vitória, menos ao treinador. Pode ter sido apenas um lapso de memória àquela altura da madrugada, mas que Kovac ficou constrangido com o esquecimento do dirigente, isso ficou.

Alguns dias depois, em longa entrevista dada ao portal Spiegel Online, Rummenigge afirmou que ficou muito aborrecido com a eliminação precoce na Champions League já nas oitavas de final porque "o sistema Bayern se baseia no sucesso".

"O sucesso está no DNA do clube, e cada um de nós precisa encarar a pressão pelo sucesso. Niko sabe disso desde os seus tempos como jogador do Bayern", afirmou.

Para bom entendedor, meia palavra basta. O sucesso para os bávaros se mede pelo desempenho do time na Champions League, mesmo porque conquistar "apenas" os dois títulos nacionais já virou obrigação.

Antes do vexame deste ano, a última vez que o Bayern tinha sofrido uma eliminação nas oitavas de final da Champions foi em 2011, contra a Inter de Milão, numa partida que acabou com a carreira do zagueiro Breno na Alemanha. Desde então, o time bávaro esteve em duas finais, tendo perdido uma para o Chelsea e vencido outra frente ao Dortmund.  Além disso, chegou a três semifinais e, na derradeira temporada com Pep Guardiola, em 2016, parou nas quartas de final.

Quando o assunto é Champions League, o objetivo da diretoria e da torcida é que o time fique pelo menos entre os melhores quatro clubes da Europa. No que se refere ao desempenho esportivo no nível europeu na temporada que passou, o Bayern deixou a desejar e não conseguiu ficar nem entre os oito melhores. 

Talvez sirva de consolo o fato de que, pelo menos financeiramente, o clube esteja muito bem das pernas. Em faturamento bruto, ficou atrás apenas de Real Madrid (743 milhões de euros), Barcelona (689 milhões ) e Manchester United (666 milhões). O Bayern vem em quarto lugar com 629 milhões de euros. Ou seja: está no G4.

Mesmo com esse cenário financeiro amplamente favorável, os bávaros continuam muito conservadores quando se trata de botar a mão no bolso para novas contratações. Basta dizer que pela primeira vez na sua história o clube gastou 80 milhões de euros com a contratação de um jogador: o zagueiro Lucas Hernández. É um valor considerado alto para os padrões em Munique, mas ainda assim aquém do que se pratica em outras paragens. Basta lembrar que o Real Madrid desembolsou, sem vacilar, 100 milhões de euros por Eden Hazard.

No momento em que escrevo esta coluna, o time conta com apenas 21 jogadores. Desses, quatro são goleiros. É muito pouco material humano para quem vai disputar três competições simultaneamente.

Uma rápida análise do atual elenco à disposição do técnico, escancara a necessidade de preencher ao menos quatro posições: um back-up para o atacante Lewandowski, dois alas para suprir eventuais ausências de Gnabry e Coman, além de um meio-campista que, a partir da faixa central, arme e organize o jogo.

Só que, até agora, o Bayern não tomou nenhuma inciativa no sentido de buscar reforços. Parou nas compras dos franceses Hernández e Pavard. Está em compasso de espera em vez de agredir o mercado. Diante dessa pasmaceira, a exigente torcida começa a dar sinais de impaciência. Praticamente não passa um dia sem que o principal executivo do clube tenha que justificar a sua morosa política de contratações.  

As perguntas que mais se ouvem nos badalados Biergarten (jardins de cerveja) de Munique, quando torcedores por lá se reúnem, dizem respeito a eventuais novas contratações. Quem mais virá? Será que não vem ninguém? A diretoria acredita mesmo que o time pode dar conta do recado com tão poucos jogadores? O que estão esperando? Que adianta ter uma gorda conta bancária, se o clube não investe em jogadores top de linha? 

Basta acompanhar as redes sociais e os fã clubes. Não apenas na Baviera, mas também mundo afora, à medida que o tempo passa, há muita insatisfação com a morosidade da diretoria em tomar a iniciativa de contratar reforços de peso.  Os torcedores entendem que a atuação dos cartolas nesse quesito é, no mínimo, insatisfatória e exigem ações concretas.

Rummenigge tenta sair pela tangente: "A janela de transferências está aberta até o dia 2 de setembro. É importante agora ter um pouco mais de paciência." Ao mesmo tempo, o dirigente pressiona o técnico Niko Kovac: "O clube quer o título da Champions. No passado recente estivemos em três finais e quase sempre nas semifinais." Ele não disse, mas talvez tenha pensado: "E com você, Niko, fomos eliminados nas oitavas."

É verdade que o técnico precisa fazer a sua parte e dar provas de sua competência também em campos europeus. Para um clube da envergadura do Bayern não basta vencer apenas a Bundesliga. É preciso prevalecer também na Champions.

E é verdade também que a diretoria tem a obrigação de disponibilizar ao treinador todos os recursos necessários para que esse objetivo possa ser alcançado. É o que o torcedor do Bayern espera.

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

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