Para ex-embaixador alemão em Cuba, revolução não cumpriu promessas | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 01.01.2009
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Mundo

Para ex-embaixador alemão em Cuba, revolução não cumpriu promessas

A Revolução Cubana completa 50 anos com Raúl Castro como presidente de Cuba. Mas a figura central na política da ilha continua sendo a mesma de sempre, avalia o ex-embaixador alemão Bernd Wulffen.

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Fidel Castro, então com 32 anos, discursa ao tomar posse como presidente de Cuba, em 1959

A Revolução Cubana completa meio século em 2009. Desde o dia 1º de janeiro de 1959, quando Fidel Castro anunciou a queda do ditador Fulgencio Batista, muitas coisas mudaram na ilha. E outras permanecem inalteradas.

Entre a memória nostálgica do passado e as esperanças postas no futuro, o presente é, provavelmente, o que menos importa para os cubanos. Enquanto isso, multiplicam-se as vozes no exterior pedindo ao regime que inicie as ansiadas reformas. A União Europeia e os Estados Unidos são os dois principais atores que pretendem arrogar-se um papel de protagonista na transição cubana.

O artífice da revolução já não ocupa a liderança visível do país. Fidel Castro cedeu o poder ao seu irmão Raúl em julho de 2006 devido a uma cirurgia intestinal de emergência. Desde então, suas aparições públicas são reduzidas.

Jahresrückblick 2008 International Februar Kuba Raul Castro Präsident

Raúl Castro: novo presidente

Os cubanos apenas podem vê-lo em mensagens televisivas esporádicas, mas a sua sombra continua sendo extensa. Raúl Castro é formalmente o presidente de Cuba desde fevereiro passado, mas a figura de Fidel segue sendo a referência.

Nos últimos dois anos e meio, Raúl deu início a reformas que, para muitos, não são suficientes. Das esperanças iniciais de uma rápida abertura na ilha passou-se a um certo ceticismo que apenas gestos decisivos vindos da Europa ou dos Estados Unidos parecem capazes de romper.

Ao menos essa é a opinião do diplomata Bernd Wulffen, embaixador da Alemanha em Cuba entre 2001 e 2005. Apesar de alguns sinais de abertura vistos nos últimos anos – aumento de investimentos estrangeiros, fim da proibição para a compra de computadores e celulares e uma certa liberdade de expressão por meio de blogs – "Raúl ainda não deu o passo que se espera dele, Fidel ainda tem influência", afirma Wulffen.

Quando acontecerão as mudanças?

É certo que já se passaram dois anos sem Fidel no poder, mas também é verdade que nesse período o governo dos Estados Unidos, um dos interlocutores dos quais se exigem mais ação, pouco fez. Por isso que a chegada de Barack Obama ao poder parece abrir novas perspectivas.

Kuba Fidel Castro und sein Bruder Raul Castro

Fidel ao lado de Rául, em 2005

O presidente eleito poderia reverter medidas adotadas por George W. Bush, como a exigência de pagamentos antecipados nas compras de alimentos, ou reiniciar os diálogos sobre migração, interrompidos durante o governo Bush.

Mesmo que Obama possa introduzir rapidamente alterações modestas na política para Cuba, analistas duvidam que o embargo imposto em 1962 seja levantado ou que a proibição que impede turistas americanos de visitar a ilha seja suspensa. Em compensação, as restrições para o envio de dinheiro a Cuba por cubanos residentes nos Estados Unidos poderão ser relaxadas.

A postura europeia

Diante do risco de ser eclipsada pelo "efeito Obama", qual deverá ser a postura da União Europeia em relação a Cuba? Na opinião do Wulffen, a Europa deveria dialogar a todo custo com o governo da ilha.

Kuba Unterstützer von Fidel Castro

Cubanos ouvem discurso de Fidel em Havana

Apesar de reconhecer que se trata de uma ditadura, Wulffen considera Cuba um caso especial, com fortes vínculos com a Europa e a cultura ocidental, em especial com a Espanha, e também com uma população de formação elevada, que em muitos casos frequentou universidades.

Com relação ao papel da Alemanha, Wulffen disse que Berlim deveria pôr sobre a mesa a questão dos direitos humanos em seu diálogo com Havana, "assim como o governo alemão faz com outras ditaduras, na intenção de conduzir a uma melhora da situação".

Sem cumprir suas promessas

O que está claro é que, 50 anos após o triunfo da revolução, Cuba segue gerando discussões acaloradas. Detratores e partidários falam da situação na ilha, e suas posições distam uma da outra como a noite do dia.

Kuba Fidel Castro zieht sich endgültig aus der Regierung zurück

Doente, Fidel sai de cena

Os partidários lembram que a expectativa de vida é de 77 anos e 9 meses, quase igual aos 78 anos dos Estados Unidos. Ou que a taxa de alfabetização é de 99,8%, inferior apenas à da Geórgia, que é de 100%.

Os detratores falam da falta de liberdade, dos presos políticos e da situação econômica da ilha. Os cubanos ganham em média 20 dólares por mês, o que obriga muitos a aumentar sua renda negociando no mercado negro.

Afirmam também que os elogiados serviços públicos da ilha se deterioraram com a crise que se iniciou ao fim da União Soviética, em 1991.

Uma opinião endossada por Wulffen, que afirma que, naquele momento, Cuba desperdiçou a oportunidade de iniciar uma mudança.

Aspectos positivos ou negativos dos 50 anos de revolução que devem necessariamente ser postos na balança. "Apesar das escolas e dos hospitais, a revolução não cumpriu suas promessas", afirmou Wulffen.

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