Para especialista alemão, Brasil ainda não é potência regional | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 03.11.2005
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Brasil

Para especialista alemão, Brasil ainda não é potência regional

Bush já deu a entender que a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), por enquanto, fracassou. A Alca morreu?

George Bush Will fight them on the beaches

Bush: problemas em casa e antiamericanismo no exterior

O projeto Alca em sua concepção original provavelmente não será realizado. Desde a interrupção precoce da reunião de ministros em Miami, em 2003, as negociações sobre a Alca praticamente não avançaram. No máximo, ainda haverá uma Alca light , uma área de livre comércio da qual os Estados latino-americanos poderão ou não participar com intensidade e velocidade diferentes quanto à derrubada de barreiras comerciais.

O que o sr. acha da "Alternativa Bolivariana para a América", proposta pelo presidente venezuelano Hugo Chaves, para fazer frente à Alca?

Sob o ponto de vista estritamente econômico, a proposta não traz absolutamente nada. Politicamente, a ressurreição das idéias bolivarianas na América Latina poderia fomentar a integração regional, mas só até o ponto em que não entrar em conflito com as ambições brasileiras de assumir o papel de liderança regional como potência de médio porte.

Outras alianças ou blocos econômicos, como o Mercosul, têm futuro na região?

A crise argentina deixou marcas na integração do Cone Sul. Mas a estrutura institucional do Mercosul foi fortalecida e a administração de crises intergovernamentais dos Estados-membros funcionou bem em vários casos. No entanto, sem uma harmonização das políticas econômica, financeira e monetária dos dois principais atores – Argentina e Brasil –, o Mercosul continuará se arrastando num baixo nível de integração. Outras propostas, como a fusão da Comunidade Andina com o Mercosul ou até a criação de uma comunidade de Estados sul-americanos, não passam de projetos para o futuro.

Depois da Cúpula das Américas, Bush vai ao Brasil, um país que tenta atuar como potência regional e busca novos parceiros no cenário mundial (como Índia, China ou Rússia), o que não agrada aos EUA. Como o sr. avalia essa reorientação da política externa brasileira?

Lula unter Druck

Lula: desviando a atenção dos problemas internos?

O governo brasileiro enfrenta enormes problemas de política interna e é uma receita conhecida que, nessas situações, se procura desviar a atenção para atividades de política externa. O Brasil até que teve alguns sucessos nas recentes negociações da OMC, nas quais coordenou suas ações com outros países emergentes ou em desenvolvimento. Mas, a longo prazo, essa não é uma estratégia promissora. O Brasil não tem potencial nem econômico nem político para se firmar isoladamente como ator no cenário mundial e liderar os demais países latino-americanos, como potência regional de médio porte.

Portanto, não é nenhum contrapeso para os EUA na América Latina.

Não. Lula e seus ministros gostam de mencionar estudos segundos os quais o Brasil, a Rússia, Índia e China – os chamados Estados BRIC – no futuro agiriam no palco mundial. Eu sou cético quanto a isso. Já vimos esse tipo de anúncio no final dos anos 60 e início dos anos 70, quando se falava do Brasil como potencial agente, mas uma década depois, o balão estourou e o Brasil estava lá em baixo. Para que o Brasil se firme como potência de médio porte, precisa mais do que o sucesso econômico, hoje ainda fortemente baseado em matéria-prima. O país precisa, sobretudo, resolver seus problemas internos. Um país com tais contradições sociais jamais poderá assumir um papel de liderança, porque os problemas políticos internos sempre estreitarão o espaço de atuação externa.

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