Paquistão tenta explicar como não notou presença de Osama bin Laden | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 03.05.2011
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Mundo

Paquistão tenta explicar como não notou presença de Osama bin Laden

Autoridades paquistanesas iniciam investigação para saber se membros do governo ou do serviço de inteligência ocultaram terrorista mais procurado do mundo, que vivia em uma mansão em uma cidade militar.

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Zardari: 'Talvez o Paquistão seja a maior vítima do terrorismo'

As autoridades paquistanesas tentam agora explicar como o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, conseguiu manter-se escondido na cidade turística e militar de Abbottabad, sem despertar atenção oficial. A comunidade internacional questiona se os serviços de segurança e inteligência do país realmente fracassaram em detectar a presença do terrorista mais procurado do mundo no país, ou se as autoridades locais foram coniventes, ao não entregá-lo.

Para tentar sair do aperto, o governo paquistanês – que vem insistentemente negando qualquer conhecimento sobre o refúgio do radical saudita no país – iniciou uma investigação interna para descobrir se ele recebeu ajuda de algum integrante do governo ou mesmo do serviço nacional de inteligência. Osama bin Laden foi morto na madrugada desta segunda-feira (02/05), numa ação militar ordenada pelos Estados Unidos.

John Brennan Pressekonferenz Washington

Para Brennan, arquiterrorista recebeu apoio para se esconder

Logo após a operação, o assessor do presidente norte-americano para assuntos de segurança, John Brennan, afirmou ser "inconcebível" que o radical saudita não tenha tido algum tipo de apoio durante os cinco anos que viveu no Paquistão.

O episódio levou legisladores norte-americanos a sugerirem uma revisão da ajuda de 20 bilhões de dólares ao Paquistão. Aprovada pelo Congresso norte-americano, ela era em parte destinada à luta contra os seguidores de Bin Laden, desde que este orquestrou os atentados do dia 11 de setembro de 2001.

"Nosso governo está passando por apertos fiscais. Fazer contribuições a um país que não nos apoia inteiramente é um problema para muita gente", disse a senadora Dianne Feinstein, do Comitê de Inteligência do Senado norte-americano.

Papel cumprido?

Nesta terça-feira o presidente paquistanês, Azif Ali Zardari, publicou um artigo intitulado "O Paquistão fez a sua parte" no diário norte-americano Washington Post, garantindo não saber do esconderijo do líder saudita em solo paquistanês. "Ele não estava em nenhum lugar onde havíamos previsto que estaria. Mas agora, ele se foi", escreveu.

Zardari afirmou ainda que o país tem pago "um enorme preço" por seu posicionamento contra o terrorismo. "Morreram mais soldados nossos do que todas as vítimas da Otan juntas. Dois mil policiais, quase 30 mil civis inocentes e gerações de progresso social para o nosso povo foram perdidos", lamenta Zardari na publicação, acrescentando que Bin Laden também assassinara sua esposa, a ex-primeira ministra Bezanir Bhutto, em 2007.

"A guerra contra o terrorismo é tanto uma causa dos Estados Unidos como do Paquistão", garante.

Apesar de a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ter dito nesta segunda-feira que a cooperação dos paquistaneses "ajudou a levar as forças norte-americanas a Bin Laden e ao complexo onde ele se escondia", relatos posteriores de Brennan mostraram que esta foi uma ação exclusiva dos EUA.

Outro sinal da desconfiança de Washington com relação ao Paquistão, segundo Brennan, seria o fato de os militares norte-americanos só terem informado Islamabad sobre a operação quando os helicópteros já deixavam o espaço aéreo do país com o corpo de Bin Laden a bordo.

Suntuosa mansão

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Bin Laden vivia numa mansão avaliada em 1 milhão de dólares

Ainda de acordo com o assessor do presidente Barack Obama, os militares ficaram surpresos ao encontrar o terrorista vivendo em uma mansão oito vezes maior que as casas das redondezas. Avaliada em 1 milhão de dólares, a propriedade era cercada por um muro de cinco metros de altura e arame farpado, e ficava a curta distância da academia militar paquistanesa e a apenas duas horas de distância da capital Islamabad.

O presidente Zardari insiste, porém, que o Paquistão "talvez seja a maior vítima do terrorismo". Ainda no artigo ao Washington Post, ressaltou que poucas horas após a confirmação da morte de Bin Laden, o Talibã culpou o governo paquistanês pelo ataque contra o líder terrorista e convocou os simpatizantes à reação. Com isso, o Paquistão e os EUA seriam os prováveis alvos de novos ataques.

"O Paquistão nunca foi e nunca será um campo fértil para o fanatismo, como a mídia descreve frequentemente", afirma o presidente, sem, no entanto, conseguir explicar como Bin Laden passou anos em Abottabad sem ser notado.

MS (afp/rts)
Revisão: Augusto Valente

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