″Palhaços projetaram o Boeing 737 MAX″, zombaram funcionários da empresa | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 10.01.2020
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Mundo

"Palhaços projetaram o Boeing 737 MAX", zombaram funcionários da empresa

Fabricante divulga diálogos com duras críticas ao modelo, envolvido em acidentes que deixaram mais de 300 mortos. Desenvolvedores da aeronave foram "supervisionados por macacos", escreveu um empregado.

Aviões do modelo 737 MAX parados em aeroporto de Victorville, no sul da Califórnia

Aviões do modelo 737 MAX parados nos EUA: modelo está impedido de voar desde março de 2019

A Boeing divulgou nesta quinta-feira (09/01) centenas de mensagens internas de funcionários com duras críticas ao desenvolvimento do modelo 737 MAX, incluindo diálogos em que afirmaram que o avião foi "projetado por palhaços, os quais, por sua vez, são supervisionados por macacos".

As mensagens mostram tentativas de escapar do escrutínio regulatório, com funcionários menosprezando o avião, a empresa, a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) e reguladores estrangeiros da aviação.

Em uma troca de mensagens instantâneas em 8 de fevereiro de 2018 – quando o 737 MAX já estava voando e oito meses antes do primeiro de dois acidentes fatais envolvendo o modelo –, um funcionário pergunta a outro: "Você colocaria sua família em um avião MAX treinada por simulador?" O segundo empregado responde: "Não."

"Eu ainda não fui perdoado por Deus pelo que acobertei no ano passado", escreveu um funcionário em uma mensagem de 2018 sobre lidar com a FAA. Outro empregado afirmou: "Eu sei, mas é isto que estes reguladores recebem quando tentam atrapalhar. Eles impedem o progresso."

A Boeing afirmou que enviou as mensagens, tendo a transparência como interesse, aos congressistas americanos que investigam o processo de certificação do 737 MAX.

O modelo está impedido de voar desde março de 2019, quando um 737 MAX da Ethiopian Airlines que viajava de Adis Abeba para Nairóbi, no Quênia, caiu apensa seis minutos após a decolagem. O acidente ocorreu cinco meses depois de outro similar com uma aeronave do modelo que voava pela Lion Air. Os dois desastres mataram juntos 346 pessoas.

Algumas mensagens reveladas nesta quinta-feira pela Boeing revelam esforços da empresa no sentido de evitar que o treinamento de pilotos em simuladores pelas companhias aéreas – um processo caro e demorado – fosse um requisito para o 737 MAX.

A fabricante de aviões mudou sua orientação apenas esta semana, afirmando que recomendaria aos pilotos o treinamento em simuladores antes de retomar os voos com o 737 MAX – uma grande mudança na posição de que o treinamento por computador era suficiente, pois o avião era semelhante aos seu antecessor, o 737 NG.

A divulgação das mensagens, que destacam uma agressiva cultura de corte de custos e desrespeito à FAA, aprofunda a crise na Boeing, que está lutando para liberar os voos do seu modelo de avião mais vendido e restaurar a confiança do público. 

No entanto, a FAA afirmou que as mensagens não suscitam novas preocupações de segurança, embora "o tom e a linguagem contidos nos documentos sejam decepcionantes".

A Boeing afirmou que as comunicações "não refletem a empresa que somos e precisamos ser, e elas são completamente inaceitáveis".

A empresa trabalha para fazer as mudanças exigidas pela FAA no Sistema de Aumento de Características e Manobra (MCAS), um sistema de controle de voo automatizado.

Em dezembro, a Boeing demitiu seu principal executivo, Dennis Muilenburg, por causa das tensões com a FAA e o substituiu pelo presidente do conselho, David Calhoun. No mesmo mês, ela também anunciou que iria suspender temporariamente a fabricação do 737 MAX, a partir de janeiro.

FC/rtr/afp 

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube 
App | Instagram | Newsletter

Leia mais