Países europeus enfrentam aumento de casos de covid-19 | Notícias internacionais e análises | DW | 13.09.2020

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Coronavírus

Países europeus enfrentam aumento de casos de covid-19

França registra mais de 10 mil infecções em 24 horas e bate recorde desde início da pandemia. Reino Unido supera 3.000 casos pelo terceiro dia seguido. Áustria está no início de uma segunda onda, alerta premiê.

Multidão de máscara nas ruas da França

Em algumas áreas da França, o uso de máscara facial é obrigatório também nas ruas

Depois de a pandemia de covid-19 ter dado relativa trégua à Europa, a Áustria, a França e o Reino Unido estão entre os países do continente que lutam contra um novo aumento das infecções. Algumas nações batem recordes diários e já falam em uma segunda onda de contágios.

Neste domingo (13/09), o Reino Unido registrou, pelo terceiro dia consecutivo, mais de 3.000 casos confirmados de coronavírus em 24 horas – tal sequência não era vista desde maio. Foram 3.330 novas infecções, elevando para 10 mil o total dos últimos três dias, informou o Departamento de Saúde britânico.

Embora parte dessa alta nos casos se deva a um aumento nos testes, está claro que o vírus tem se espalhado pelo país nos últimos tempos. O número diário de infecções mais que dobrou em comparação com algumas semanas atrás, gerando preocupações de uma segunda onda.

"Acho que podemos dizer que estamos à beira de perder o controle", declarou Mark Walport, ex-conselheiro científico do governo britânico, à rádio BBC.

Na tentativa de controlar a crise, autoridade britânicas endureceram algumas restrições à vida cotidiana. Por exemplo, reuniões sociais entre mais de seis pessoas, tanto em lugares abertos quanto fechados, estão proibidas na Inglaterra a partir desta segunda-feira, e quem infringir as regras estará sujeito a multa.

O número diário de mortes em decorrência da covid-19 continua baixo, mas há preocupações de que o aumento nos casos, mesmo ocorrendo principalmente entre os mais jovens, leve a um crescimento das hospitalizações nas próximas semanas e, potencialmente, dos óbitos.

E também há temores sobre o avanço da covid-19 entre idosos, que são mais vulneráveis à doença. Neste sábado, dos mais de 3.000 casos confirmados pelo governo, cerca de um terço foi registrado em lares de idosos, onde o vírus ressurgiu, informou o jornal Sunday Times.

Ao todo, mais de 370 mil pessoas foram infectadas pelo coronavírus até o momento no Reino Unido, enquanto mais de 41 mil pacientes morreram em decorrência da doença.

Preocupação também na França

A França é outro país que tem registrado altas preocupantes nos casos. Autoridades francesas reportaram mais de 10,5 mil novas infecções neste sábado, mil a mais que o registrado na véspera. O número diário é o mais alto no país desde o início da pandemia.

O número de pacientes hospitalizados também voltou a crescer. Segundo dados de sábado, 2.432 pessoas foram internadas com o vírus – 75 a mais que no dia anterior. Desses, 417 pacientes estão em unidades de terapia intensiva (UTIs).

O governo francês reportou ainda 17 mortes em decorrência da covid-19 em 24 horas, somando mais de 30 mil vítimas desde o início da pandemia – é o sétimo país com mais mortos no mundo. Ao todo, mais de 402 mil pessoas foram infectadas no país.

Kurz reforça medidas na Áustria

Já na Áustria, o chanceler federal Sebastian Kurz afirmou neste domingo que o país está enfrentando o "início de uma segunda onda" e, por isso, pediu aos cidadãos que cumpram as medidas recém-endurecidas pelo governo para conter a recente alta nos casos.

A Áustria teve uma primeira onda de contágios relativamente bem-sucedida, mas se uniu à lista de países europeus que enfrentam um aumento nas infecções nas últimas semanas. Foram registrados 869 casos na última sexta-feira, número mais alto desde o final de março.

No mesmo dia, Kurz anunciou que o governo decidiu reimpor medidas anticoronavírus, como o uso obrigatório de máscaras em lojas.

Cerca de metade das novas infecções ocorre na capital austríaca, Viena, mas os contágios estão avançando em todo o país, alertou o chanceler federal. Ele disse que muitos cidadãos estão sendo infectados em reuniões familiares, festas de aniversário e outros eventos privados e acrescentou que "essas infecções são geralmente levadas ao local de trabalho".

Por isso, ele sugeriu às empresas que mantenham seus funcionários trabalhando de casa, se possível, e mencionou "boas experiências" com o home office em algumas companhias do país.

Kurz ainda previu que a situação deve voltar à normalidade no próximo verão europeu, "mas, até lá, o outono e o inverno serão muito desafiadores".

A Áustria, que tem cerca de 8,9 milhões de habitantes, soma mais de 33 mil casos de coronavírus até o momento, além de 750 mortes.

Recorde na República Tcheca

A República Tcheca, por sua vez, bateu seu terceiro recorde consecutivo de casos diários neste domingo, ao registrar 1.541 infecções em 24 horas. Foi ainda o quinto dia seguido com mais de mil novos casos, num país com 10,7 milhões de habitantes.

Em relação à população, o país reportou 94 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças. Somente Espanha e França registraram um número maior no mesmo período.

O epidemiologista Roman Prymula, comissário do governo tcheco para ciência e pesquisas em saúde, afirmou neste domingo, em um programa de televisão, que o país já vive uma segunda onda de infecções, e as hospitalizações poderiam crescer.

Ao todo, mais de 35 mil pessoas foram infectadas pelo vírus na República Tcheca, enquanto 456 morreram, segundo contagem mantida pela Universidade Johns Hopkins.

EK/afp/ap/rtr/ots

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