Otan se aproxima de consenso sobre sistema antimíssil na Europa | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 14.10.2010
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Mundo

Otan se aproxima de consenso sobre sistema antimíssil na Europa

Em nova estratégia, aliança atlântica planeja ordem de defesa que inclui o projeto originariamente norte-americano de um escudo antimíssil na Europa. Altos custos serão compensados com cortes na estrutura administrativa.

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Secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, defende nova estratégia da aliança militar

No encontro de ministros dos 28 países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizado nesta quinta-feira (14/10) em Bruxelas, esboçou-se um consenso pela instalação de um sistema antimíssil na Europa. O governo alemão apoiou pela primeira vez em público este projeto originariamente concebido pelo governo norte-americano como forma de defesa contra eventuais mísseis iranianos de médio alcance.

Até a França, que sempre se opôs terminantemente ao plano, sinalizou que não pretende bloquear o projeto na próxima cúpula da Otan, a ser realizada nos dias 19 e 20 de novembro, em Lisboa.

"Considerando a atual situação, somos da opinião que uma defesa antimíssil é necessária hoje e no futuro", declarou o ministro alemão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg. O escudo antimíssil faz parte da nova estratégia da Otan a ser votada daqui a cinco semanas em Portugal.

Otan assume projeto americano

Karl-Theodor zu Guttenberg Verteidigungsminister Guido Westerwelle Außenminister Brüssel NATO Belgien

Os ministros alemães Guido Westerwelle, do Exterior, e Karl-Theodor zu Guttenberg, da Defesa, em Bruxelas

Na época em que o então presidente norte-americano George W. Bush fez essa proposta, ela foi rejeitada pelo governo da Alemanha na época, integrado por social-democratas e verdes.

Em Bruxelas, o ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, atribuiu essa mudança de postura de Berlim ao fato de que o atual projeto será levado a cabo por todos os parceiros da Otan, e não apenas pelos EUA em cooperação com a Polônia e República Tcheca, como originariamente planejado.

Além disso, a situação mudou após os EUA terem convidado a Rússia a participar do projeto. Até agora, o Kremlin ainda não disse sim à proposta. O ministro francês da Defesa, Hervé Morin, comparou o sistema de defesa com a Linha Maginot, a série de fortificações construídas pela França ao longo da fronteira com a Alemanha nos anos 1930, durante a ascensão do nazismo. Além disso, Morin apontou diversas imponderabilidades técnicas e financeiras nesse ambicioso projeto.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, por sua vez, defendeu o plano, argumentando que "a ameaça é clara, o potencial é evidente e os custos são previsíveis". Enquanto Rasmussen calcula que o sistema antimíssil chegue a custar 200 milhões de euros, os EUA contam com um dispêndio de 85 a 110 milhões de euros ao longo de dez anos.

Desarmamentismo é assunto vago

O apoio do governo alemão ao projeto não é incondicional. Berlim exige, em contrapartida, avanços no processo de desarmamento nuclear. Esse é outro impasse entre a Alemanha e a França, uma potência atômica que sempre tentou impedir a influência da Otan sobre o seu arsenal.

Paris encara com ceticismo a meta de um mundo livre de armas nucleares, incluída na nova estratégia da Otan. Para o governo francês, o sistema antimíssil é apenas um complemento da defesa antinuclear e não um motivo para promover o desarmamento.

A nova estratégia a ser votada na próxima cúpula da Otan menciona o desarmamento nuclear em termos vagos, sem apontar passos concretos nessa direção. O documento não inclui a exigência alemã, apoiada por quatro outros países, de que as armas atômicas norte-americanas sejam retiradas da Europa.

Durante a cúpula de novembro em Lisboa, deverá ser constituída uma comissão de desarmamento nuclear encarregada do assunto.

Como financiar a nova estratégia

O governo norte-americano se mostrou apreensivo com o corte de verbas na área de defesa pelos países europeus, entre os quais o Reino Unido e a Alemanha. O secretário-geral Rasmussen também fez advertências nesse sentido.

Afinal, além do ambicioso plano do sistema antimíssil na Europa, a Otan pretende se armar contra eventuais ataques militares convencionais, considerando que há 30 países em vias de construir mísseis balísticos de longo alcance.

Além disso, a estratégia da aliança inclui a defesa contra novas ameaças, como o terrorismo ou ataques cibernéticos contra redes de informação essenciais. Por fim, no campo da gestão de crises civis, a Otan também pretende intensificar sua cooperação com a União Europeia e as Nações Unidas e criar um departamento dedicado a essa tarefa.

A fim de poder financiar seus ambiciosos planos, a Otan planeja economizar verbas administrativas. O número de quartéis-generais será reduzido de 11 para sete e o número de funcionários diminuído de 12,5 mil para menos de 9 mil.

Das 14 agências da Otan, restarão apenas três; por enquanto, ainda não se sabe quais sedes serão mantidas. Três cidades alemãs sediam unidades da Otan: Heidelberg, Ramstein e Geilenkirchen.

SL/afp/dpa/rtdt
Revisão: Roselaine Wandscheer

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