Otan prepara ação militar contra Kadafi | Notícias internacionais e análises | DW | 18.03.2011
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Mundo

Otan prepara ação militar contra Kadafi

Uma coalizão de nações ocidentais se prepara para lançar ataques aéreos na Líbia, após a ONU ter aprovado ações militares contra forças de Kadafi. EUA, Inglaterra e França devem enviar caças para o país norte-africano.

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Delegados do Reino Unido e dos EUA votam resolução

Uma coalizão de nações ocidentais está se mobilizando nesta sexta-feira (18/03) para lançar rapidamente ataques aéreos contra a Líbia, após a ONU ter aprovado uma ação militar contra as forças de Muammar Kadafi. Estados Unidos, Inglaterra e França devem enviar caças para o país norte-africano. Paris afirmou que ataques devem ocorrer "dentro de horas".

As três potências militares podem ter ajuda do Canadá que, segundo a mídia do país, planeja empregar seis jatos CF-18. A Noruega confirmou que tomaria parte na operação e a Dinamarca aguarda a aprovação parlamentar antes de se juntar à ação com caças F-16. A Polônia ofereceu apoio logístico, mas não planeja participar em uma força de ataque militar.

Deutschland Libyen Außenminister Guido Westerwelle in Berlin zu Flugverbotszone

Westerwelle alerta contra riscos de ação militar

Após semanas de discussão, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma ação militar contra a Líbia. A votação, realizada na noite de quinta-feira em Nova York, aprovou não apenas um bloqueio aéreo sobre o país norte-africano para proteger civis contra ataques da Força Aérea do ditador Muammar Kadafi. Ela também abriu caminho para quase todas as opções militares, com exceção do uso de tropas terrestres. A Alemanha se absteve na votação e pretende agir da mesma forma com relação a ataques aéreos. Também se abstiveram Rússia, China, Índia e Brasil.

Trípoli se diz pronta para cessar-fogo

Em uma reunião de emergência nesta sexta-feira, a Otan vai decidir o papel que pode vir a desempenhar nas operações na Líbia. As ações militares podem também vir a ser apoiadas por nações árabes. O Ministério do Exterior do Qatar disse que poderia "contribuir para esforços que visam a deter derramamento de sangue e proteger a população civil na Líbia".

Nas últimas horas, o regime líbio adotou um tom surpreendentemente conciliador. O vice-ministro do Exterior, Khalid Kaim, já admite a possibilidade de negociações de cessar-fogo.

"Estamos prontos para essa decisão, mas precisamos de alguém para conversar, para discutir como será implementada", afirmou Kaim diante de jornalistas em Trípoli. Segundo ele, Trípoli quer lidar de forma positiva com a decisão do Conselho de Segurança da ONU e proteger sua população civil.

Ataque "dentro de algumas horas"

O porta-voz do governo francês, François Baroin, afirmou que os ataques militares contra a Líbia acontecerão "dentro de algumas horas", com a participação da França. "Os ataques terão lugar rapidamente", disse François Baroin à rádio RTL, observando que não podia precisar a hora exata.

Flash-Galerie UN Libyen Diplomatie Flugverbotszone

Delegado da Rússia (segundo da esquerda) se absteve em votação, assim como Brasil, Alemanha, China e Índia

Ele disse também que a intervenção militar "não é uma ocupação do território líbio", mas um "dispositivo de natureza militar para proteger o povo líbio" e permitir-lhe atingir a liberdade, com a "queda do regime de [Muamar] Kadafi".

O presidente norte-americano, Barack Obama, conversou por telefone com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy. De acordo com a Casa Branca, todos os três líderes concordam que a Líbia "deve cumprir imediatamente todas as disposições da resolução e que a violência contra a população civil deve acabar".

Ele concordaram com uma estreita coordenação em relação aos "próximos passos" e em continuar a cooperação com parceiros árabes e outros parceiros internacionais, "para assegurar a aplicação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia".

Filho de Kadafi: "Líbia não tem medo"

Seif al-Islam Kadafi afirmou, após a decisão da ONU, que "a Líbia não tem medo". "Estamos no nosso país e com o nosso povo", afirmou o filho do ditador desde Trípoli, em uma entrevista ao canal de TV norte-americano ABC News. "Venham. Não temos medo. Não vão ajudar o povo se bombardearem a Líbia para matar os líbios. Vocês vão destruir nosso país. Ninguém ficará feliz com isso", disse.

Berlim não acredita que o uso da força militar seja uma solução. "Continuamos vendo a opção militar de intervenção na Líbia de forma extremamente cética. Vemos perigos e riscos significativos. Portanto, não podemos concordar com esta parte da resolução", afirmou o ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle.

Alemanha, China e Rússia não participam de ação militar

Libyen Demonstration gegen Muammar Gaddafi in Bengasi Flagge

Povo festejou em Benghazi, com bandeiras pré-Kadafi

O ministro descartou uma participação da Alemanha em uma ação militar na Líbia, embora desaprove a guerra do regime Kadafi contra os rebeldes. "Nossa posição em relação ao regime de Kadafi permanece inalterada: o ditador deve parar imediatamente com a violência contra seu próprio povo. Ele tem que deixar o poder e ser responsabilizado por seus crimes diante da Justiça", complementou Westerwelle.

A China manifestou “sérias dúvidas” sobre alguns aspectos da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança. A Rússia também descartou sua participação em uma operação militar na Líbia.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, saudou a votação como uma "decisão histórica". Para a União Europeia, foi "uma base clara para os membros da comunidade internacional poderem fornecer proteção para a população civil", de acordo com uma declaração conjunta do presidente do Conselho da UE, Herman Van Rompuy, e da chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton.

A decisão foi comemorada com entusiasmo no reduto rebelde de Benghazi. No centro da cidade, pessoas assistiram em uma tela gigante à votação no Conselho de Segurança da ONU durante a madrugada de sexta-feira e comemoraram quando o resultado foi anunciado. Muitos atiraram para o ar e até fogos de artifício puderam ser vistos.

MD/afp/lusa/dpa/
Revisão: Bettina Riffel

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