Os números nos quais a Alemanha baseia o combate à covid-19 | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 14.10.2020

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Alemanha

Os números nos quais a Alemanha baseia o combate à covid-19

País é um dos que melhor conseguiram controlar a pandemia. Sua estratégia e as decisões do governo são baseadas numa estrita política de testagem e nos números gerados por ela. Entenda.

Merkel durante a entrega de um prêmio a cidadãos: distanciamento social observado

Merkel durante a entrega de um prêmio a cidadãos: distanciamento social observado

Até recentemente, na Alemanha, um dos países que melhor conseguiram controlar a pandemia de coronavírus, tudo girava em torno do número de reprodução R. O desafio era mantê-lo abaixo do limiar crítico 1.

Isso porque, se o número de reprodução for maior que 1, cada pessoa infectada transmite a doença a pelo menos outra pessoa – e o vírus se propaga. Se o número for inferior a 1, cada vez menos pessoas serão infectadas. Portanto, para conter a propagação de um vírus, o R deve ser inferior a 1.

Até o momento, na Alemanha, tudo bem. Atualmente, o número R de quatro dias é 1,18, o de sete dias é 1,20. Mas quem ainda está interessado em R hoje?

Incidência

Hoje há uma forma preferencial para medir o estado da pandemia na Alemanha: a taxa de incidência. Na epidemiologia, a incidência expressa a frequência com que novas infecções e doenças ocorrem durante um determinado período de tempo. O número descreve, por exemplo, o risco de que as pessoas adoeçam, medido ao longo de um determinado período de tempo. Isso também é conhecido como "taxa de novas infecções".

Na Alemanha, a "incidência de sete dias" indica quantas novas infecções ocorreram na última semana para cada 100 mil habitantes – ou seja, quantas pessoas tiveram um resultado positivo num teste de covid-19 ou de antígeno.

Se muitas pessoas forem infectadas, uma determinada área deve adotar medidas de proteção. Elas incluem, por exemplo, uma ampliação do uso obrigatório de máscaras, toques de recolher, proibição do consumo de álcool em locais públicos, restrições ao número de pessoas reunidas em grupos ou em eventos e festas particulares, restrições de viagem e a tão discutida proibição de acomodação em hotéis e pousadas.

Teto

Este limite varia: na maioria dos distritos ou estados alemãs o limite é de 50 novas infecções por 100 mil habitantes. Na Baviera foi introduzido um chamado valor de alerta precoce: a partir de 35 novas infecções, as autoridades sanitárias locais são obrigadas a informar o Ministério da Saúde sobre a causa do número crescente de casos e sobre as contramedidas locais.

Os números atuais podem ser visualizados painel da covid-19 do Instituto Robert Koch. Este teto de 50 novas infecções foi estabelecido em maio, quando o país começou a reabrir, como uma espécie de freio de emergência contra o coronavírus.

"Este é o número a partir do qual as autoridades sanitárias deixam de ser capazes de rastrear cada infecção e fazer um rastreamento adequado", disse o presidente da Associação Médica Mundial Frank Ulrich Montgomery, em entrevista à rádio Deutschlandfunk. Quando este número é ultrapassado, algo precisa ser feito. "Não é alarmismo, mas uma medida sensata de política de saúde."

O RKI também destaca a importância desse índice, além do número R. "O número absoluto de novas infecções deve ser suficientemente pequeno para permitir o rastreamento efetivo dos contatos e não sobrecarregar as capacidades dos leitos de UTI", afirma o site da entidade.

Mais testes, mais casos?

Stefan Willich, diretor do Instituto de Epidemiologia do Hospital Charité de Berlim, acredita que o teto de 50 não está mais atualizado. Ele frisa que esse teto foi fixado há cinco meses, o que na época parecia preciso, mas na verdade foi apenas um valor aproximado.

Agora, afirma o especialista, estão sendo realizados mais testes do que na primavera europeia. "Isso significa que o número de testes, por si só, já torna mais provável que este número seja excedido", argumenta. "Não há um quadro de referência razoável."

Segundo Willich, os números teriam que se referir a amostras representativas. "Acho que isso terá que ser definido de forma diferente nas próximas semanas, com base em novas amostras e pesquisas", disse. Isso, segundo ele, permitiria que os valores fossem mais bem classificados e de forma mais realista.

O epidemiologista admite que medidas gerais de proteção, como manter distância, usar máscaras e acompanhar casos clínicos e seus contatos serão necessárias por um período de tempo mais longo.

"Estas serão as pedras angulares de uma estratégia de longo prazo", afirmou. Além disso, pacientes de alto risco em lares de idosos e casas de repouso ou em hospitais teriam que ser particularmente bem protegidos.

84 em vez de 50

Andreas Gassen, presidente do conselho da Associação Nacional de Médicos de Seguros de Saúde da Alemanha, pleiteia uma divisão da incidência de infecções de acordo com os grupos etários, a fim de se poder reagir mais especificamente.

Ele quer que o teto de 50 novas infecções por 100 mil habitantes, acima do qual os distritos e cidades são declarados áreas de risco na Alemanha, seja aumentado significativamente: o número 50 vem de uma época em que 400 mil testes eram realizados a cada semana e em que a taxa de resultados positivos era alta.

Agora, afirmou ele, são realizados três vezes mais testes com muito menos resultados positivos. "O número tem que ser ajustado aos desenvolvimentos, e levando em conta a menor taxa positiva, o valor limite atual seria de 84 por 100 mil ", argumentou.

"Devemos parar de olhar para o número de novas infecções com falsos alarmismos", disse Gassen ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung. "Mesmo 10 mil infecções por dia não seriam nenhum drama se apenas uma em mil adoecesse gravemente, como estamos observando no momento".

A declaração de Gassen foi em reação às falas de Lothar Wieler, chefe do Instituto Robert Koch, que havia advertido sobre a perda de controle de casos na pandemia.

Mas na primavera, 4 mil novos casos da doença causavam até 150 mortes por dia, explicou Gassen. "Isso acabou. Agora é o número de mortes está em um dígito", disse. "Enquanto a proporção permanecer assim, as novas infecções na faixa de cinco dígitos são pouco relevantes", complementou o especialista. Segundo ele, uma sobrecarga do sistema de saúde não é previsível nem mesmo no outono e no inverno.

Montgomery vê isso de forma diferente: "A doença dura cerca de quatro a seis semanas até a morte de alguém. Isso significa que com as infecções recentemente detectadas, estamos vendo agora o padrão de infecção de uma semana atrás." Somente em quatro ou cinco semanas, enfatizou, podemos esperar um aumento no número de mortes em unidades de UTI: "É por isso que eu acho que ainda é muito cedo para fazer esta afirmação", ressaltou.

Além das fronteiras

Tudo torna-se ainda mais complicado quando se olha além da fronteira alemã. A marca de 50 casos por 100 mil habitantes desempenha um papel importante quando se trata de classificar as áreas de risco. Isso é feito após uma análise e decisão dos Ministérios da Saúde, das Relações Exteriores e do Interior.

A decisão é baseada em uma avaliação em duas etapas: primeiro, determina-se em quais estados/regiões houve mais de 50 novos infectados por 100 mil habitantes nos últimos sete dias. Em uma segunda etapa, critérios qualitativos são usados para determinar se os estados/regiões que nominalmente ficam abaixo do valor limite acima mencionado estão, no entanto, diante de um risco maior de infecção. 

A lista atual de áreas de risco pode ser acessada aqui

Há também um painel no site do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças no qual é mostrada a taxa de incidência, mas por um período de 14 em vez de sete dias por 100 mil habitantes.

Entretanto, o próprio centro lembra que as comparações entre os países da UE são difíceis, uma vez que os dados são coletados de forma diferente. Por exemplo, o número de testes para coronavírus varia muito de país para país, o que afeta o número de casos relatados.

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