Oposição diz que governo de Belarus desviou voo para deter jornalista | Notícias internacionais e análises | DW | 23.05.2021

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Europa

Oposição diz que governo de Belarus desviou voo para deter jornalista

Avião da Ryanair ia da Grécia para a Lituânia, mas foi desviado para Minsk. Para oposição, medida faz parte do esforço do governo para calar vozes críticas a Lukashenko. Países europeus exigem esclarecimento de Belarus.

O jornalista belarusso Roman Protasevich

Roman Protasevich, de 26 anos, enfrenta pena de morte em Belarus, afirma líder oposicionista

A oposição de Belarus acusou neste domingo (23/05) o governo do país de ter desviado um avião ao aeroporto da capital, Minsk, para prender um jornalista e ativista contrário ao regime do presidente Alexander Lukashenko. 

O voo da companhia aérea irlandesa Ryanair partiu de Atenas, na Grécia, e tinha como destino Vilnius, na Lituânia. A aeronave foi desviada para pousar em Belarus, de acordo com o site de rastreamento de voos Flightradar24.

Segundo a agência de notícias belarussa Belta, o avião teria sido redirecionado a Minsk para fazer um pouso de emergência devido a uma suspeita de bomba.

A Ryanair confirmou o desvio do voo. Segundo a companhia, a tripulação da aeronave foi alertada pelas autoridades belarussas sobre uma possível ameaça à segurança e então direcionada a pousar em um aeroporto de Minsk. "Nada de impróprio foi encontrado", disse a empresa.

A imprensa belarussa diz que Minsk aproveitou a oportunidade para deter um jornalista crítico ao governo que estava a bordo do avião. Segundo o grupo de direitos humanos Viasna, Roman Protasevich foi preso logo após a aterrissagem da aeronave na capital belarussa.

A oposição afirma, contudo, que o desvio do voo foi realizado com o propósito de prender Protasevich, em mais uma tentativa do governo de reprimir as vozes críticas à sua gestão.

Mais tarde, a Comissão Europeia informou que o voo da Ryanair foi autorizado a deixar Minsk e continuar sua rota em direção à Lituânia. "Ótimas notícias para todos, especialmente para as famílias e amigos das pessoas a bordo", escreveu no Twitter a comissária europeia de Transportes, Adina Valean.

Roman Protasevich

A líder da oposição Sviatlana Tsikhanouskaya, que está exilada na Lituânia depois de sofrer várias ameaças, disse que Protasevich enfrenta pena de morte em Belarus.

"Roman Protasevich é um jornalista, fotógrafo, blogueiro e ativista belarusso. Ele trabalhou como fotógrafo para a maior mídia belarussa e foi bolsista do Programa de Jornalismo Vaclav Havel", escreveu ela no Twitter.

A oposicionista ainda pediu sanções internacionais contra o regime de Lukashenko e disse que Belarus colocou todos os passageiros do voo da Ryanair em perigo.

Protasevich, de 26 anos, cobriu ativamente as eleições belarussas no ano passado e os protestos que seguiram o pleito. Ele fundou o Nexta, veículo de comunicação da oposição que ajudou a organizar manifestações contra Lukashenko.

O governo de Belarus considera o Nexta como "extremista" e incluiu Protasevich em uma lista de "indivíduos envolvidos em atividades terroristas" no ano passado. Ele também enfrenta várias outras acusações criminais, incluindo incitação ao ódio contra o governo.

Comunidade internacional exige esclarecimentos

Várias autoridades europeias e internacionais se pronunciaram sobre o caso neste domingo.

A Organização da Aviação Civil Internacional, agência das Nações Unidas, se disse "fortemente preocupada" com o aparente pouso forçado da aeronave da Ryanair, e afirmou que isso pode ter infringido a Convenção de Chicago, um tratado de 1944 destinado a promover o uso pacífico da aviação civil.

A Otan, por sua vez, exigiu uma investigação internacional sobre o incidente, que descreveu como "sério e perigoso". "Estamos monitorando de perto o pouso forçado em Belarus de um avião da Ryanair voando de Atenas para Vilnius, e a detenção da figura da oposição Roman Protasevich", tuitou o secretário-geral Jens Stoltenberg.

O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, exigiu que Belarus solte Protasevich e prometeu discutir o tema nesta segunda-feira em uma cúpula da União Europeia.

"Exorto os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia (UE) a reagirem imediatamente à ameaça representada à aviação civil internacional pelo regime de Belarus. A comunidade internacional deve tomar medidas imediatas para que isso não se repita", disse o presidente lituano.

O Ministério do Exterior da Grécia, de onde o avião havia partido, condenou o desvio forçado do voo e a prisão do jornalista que estava a bordo.

"A Grécia condena veementemente o sequestro que ocorreu hoje, que resultou no pouso forçado do [voo] Ryanair FR 4978", disse a pasta em nota. "O avião tinha um total de 171 passageiros, 11 dos quais são cidadãos gregos. Esse ato, que colocou em risco a vida de todos os passageiros, é inaceitável."

O governo alemão, por sua vez, exigiu esclarecimentos das autoridades belarussas. "Precisamos de explicações imediatas do governo de Belarus sobre o desvio de um voo da Ryanair de dentro da União Europeia para Minsk e sobre a suposta detenção de um jornalista", disse Miguel Berger, secretário de Estado do Ministério do Exterior da Alemanha.

Já o ministro do Exterior da França, Jean-Yves Le Drian, chamou o desvio do voo da Ryanair de "inaceitável" e disse ser essencial uma "resposta firme e unida por parte dos europeus".

Último ditador da Europa

Conhecido como o "último ditador da Europa", Lukashenko está no cargo desde 1994. No ano passado, ele declarou ter ganhado as eleições presidenciais, vitória que não foi reconhecida pela oposição nem pela União Europeia.

Tsikhanouskaya, que concorreu contra Lukashenko, e outros líderes oposicionistas acusam o pleito de ter sido fraudado.

Após o resultado, dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Belarus  em protestos contra o regime de Lukashenko, que duraram vários meses e foram fortemente reprimidos. Muitas pessoas ficaram feridas em confrontos com forças de segurança. Vários manifestantes foram presos e acusaram a polícia belarussa de tortura.

le,ek (AFP, DPA, Reuters, DW, ots)

Leia mais