Oposição de Belarus recebe prêmio de direitos humanos da UE | Notícias internacionais e análises | DW | 22.10.2020

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Europa

Oposição de Belarus recebe prêmio de direitos humanos da UE

Liderados por Svetlana Tikhanovskaya, grupo de oposicionistas recebe o renomado Prêmio Sakharov. Eles vêm impulsionando protestos massivos contra o regime de Lukashenko há mais de dois meses.

Milhares de pessoas marcham com bandeiras vermelhas e brancas.

Protesto em Minks: há 11 semanas consecutivas, bielorrussos saem às ruas em protesto contra o presidente Lukashenko

O Parlamentou Europeu concedeu à oposição de Belarus nesta quinta-feira (22/10) o renomado Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, o maior tributo prestado pela União Europeia (UE) ao trabalho desenvolvido em prol dos direitos humanos.

"Queria parabenizar os representantes da oposição de Belarus pela sua coragem, resiliência e determinação, já que encarnam no cotidiano a defesa da liberdade de expressão e pensamento que o prêmio Sakharov gratifica, e continuam a se mostrar fortes perante um adversário muito potente", salientou o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, ao anunciar o prêmio em Bruxelas.

A oposição democrática de Belarus agraciada pelo prêmio é representada pelo chamado Conselho de Coordenação, estabelecido pela líder da oposição Svetlana Tikhanovskaya em 18 de agosto, nove dias após as eleições presidenciais que deram o sexto mandato consecutivo ao autoritário presidente Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos.

A oposição e grande arte da população acusam a eleição de ter sido fraudada. A União Europeia não reconheceu o resultado do pleitoe aplicou sanções a líderes bielorrussos, incluindo o próprio Lukashenko.

Ao agradecer a homenagem, Tikhanovskaya disse que a distinção "não é um prêmio pessoal, é uma recompensa para o povo bielorrusso".

Dezenas de milhares de pessoas saem às ruas há 11 semanas consecutivas em Belarus para protestar pacificamente contra Lukashenko. O governo responde aos protestos com violência, detenções e repressão, apesar da condenação unânime da comunidade internacional. Centenas de pessoas foram presas, e há relatos de tortura. Jornalistas internacionais tiveram suas credenciais revogadas para dificultar a cobertura dos protestos, estações de metrô foram fechadas nos dias de manifestação, e a internet chegou a ser cortada para dificultar a articulação dos manifestantes. Tikhanovskaya se exilou na Lituânia após sofrer ameaças.

"Os protestos massivos que estão ocorrendo nas ruas de Belarus comoveram o mundo nas últimas 11 semanas. À medida que nossa admiração pelo povo de Belarus cresce, também nos enfurecemos com as repercussões cada vez mais violentas por parte de Lukashenko", disse Sassoli.

Também pertencem ao Conselho de Coordenação personalidades como a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, Svetlana Alexievich; a líder oposicionista Maria Kolesnikova, que chegou a ser sequestrada; o blogueiro Serguei Tikhanovski, marido de Tikhanovskaya, que está preso; o fundador do Centro de Direitos Humanos Viasna, Ales Bialiatski; e o candidato oposicionista nas eleições presidenciais de 2010, Nikolai Statkevich.

Luta pela democracia e liberdade

O Parlamento da UE é a primeira instituição a homenagear os protestos a nível internacional com um prêmio. O objetivo é dar às pessoas um sinal para que continuem fortes. "Não desistam da sua luta", reforçou Sassoli.

Pelo Twitter, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também parabenizou os vencedores. "O prêmio Sakharov deste ano recompensa a coragem da oposição em Belarus e homenageia a sua luta pela democracia e liberdade. A União Europeia (UE) reitera a sua condenação à violência e apela às autoridades de Belarus para que libertem todos os detidos e se empenhem num diálogo nacional inclusivo", escreveu.

O Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, também parabenizou os laureados em nome da Comissão. "O Prêmio Sakharov vai para todos aqueles em Belarus que defendem destemidamente a democracia e os direitos fundamentais face à repressão. A UE saúda a sua coragem e apoia totalmente as suas ambições", escreveu no Twitter.

A entrega do prêmio está prevista para 16 de dezembro, durante sessão plenária que deverá ocorrer em Estrasburgo, na França. 

Oposição a Lukashenko já venceu outras vezes

O Parlamento Europeu atribui o Prêmio Sakharov desde 1988, um em homenagem ao físico nuclear e dissidente soviético Andrei Sakharov. A distinção reconhece indivíduos e organizações excepcionais na defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais.

O prêmio já foi concedido a personalidades como o líder sul-africano Nelson Mandela e a jovem ativista paquistanesa Malala Yousafzai.

Nos 32 anos de história do prêmio, a oposição a Lukashenko foi laureada, também, em outras duas ocasiões. A Associação de Jornalistas de Belarus recebeu o prêmio em 2004, por seu apoio aos repórteres envolvidos em vários processos judiciais no país. Em 2006, o prêmio foi concedido ao líder oposicionista Aleksandr Milinkevich, que em 2001 liderou a campanha eleitoral do partido que então catalisova a oposição a Lukashenko.

Os outros finalistas da edição de 2020 foram a ambientalista hondurenha Berta Cáceres, assassinada em 2016, e os ativistas de Guapinol, presos por participarem de um protesto pacífico contra uma mineradora na Guatemala, além de Najib Moussa Mikhae, arcebispo da cidade iraquiana de Mossul. Em 2014, com o avanço do "Estado Islâmico" no Iraque, o arcebispo ajudou na retirada de cristãos, sírios e caldeus para o Curdistão iraquiano e contribuiu para a preservação de mais de 800 manuscritos históricos centenários.

LE/lusa,efe,ots

Leia mais