Opinião: Uma freada brusca e necessária na Catalunha | Notícias internacionais e análises | DW | 11.10.2017
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Mundo

Opinião: Uma freada brusca e necessária na Catalunha

Líder catalão suspendeu independência da região em busca de diálogo. Foi uma decisão sensata e uma oferta que o governo espanhol não deve recusar, opina a jornalista María Santacecilia.

Manifestantes favoráveis à independência da Catalunha se reúnem em Barcelona antes do discurso de Carles Puigdemont, nesta terça-feira (10/10)

Manifestantes pró-independência se reúnem em Barcelona antes do discurso de do líder catalão

A expectativa antes da aparição de Carles Puigdemont no Parlamento da Catalunha era grande. As pressões sofridas pelo chefe de governo da região nos últimos dias também. O atraso no início da sessão parlamentar foi causado por conversações de última hora entre Puigdemont e os parceiros de esquerda da coalizão do Govern de Catalunya, cujas bases mais radicais consideraram o discurso do líder uma "traição inadmissível".

Leia mais: O barril de pólvora catalão

O discurso de Puigdemont se manteve fiel à sua linha argumentativa dos últimos meses. Com seu tom desafiador, ele chegou a ir além, ao dizer que a recente  fuga de empresas da Catalunha não tem "efeito real" sobre a força econômica da região.

María Santacecília, jornalista da redação espanhola da DW

María Santacecília, jornalista da redação espanhola da DW

Puigdemont recordou em seu discurso as "humilhações" sofridas pela região durante os últimos 15 anos por causa do Estado espanhol: a modificação, pelo Tribunal Constitucional, de aspectos sensíveis de seu estatuto de autonomia de 2006, a reiterada recusa do governo central de levar a cabo uma consulta popular de comum acordo sobre a independência da Catalunha, as sanções sofridas por aqueles que quiseram impor uma consulta sobre o assunto em 9 de novembro de 2014 e, finalmente, a violência empregada pelas forças de segurança espanholas durante o referendo do último dia 1º de outubro.

Apesar de ter sido realizada em condições irregulares, Puigdemont deu legitimidade ao resultado dessa votação e declarou a independência da Catalunha como República independente. Em seguida, suspendeu a declaração e apelou ao diálogo.

A freada brusca de Puigdemont decepcionou muitas pessoas na Catalunha. Mas, dadas as circunstâncias, era o mais sensato a fazer. Se tivesse mantido um curso confrontador, seguindo adiante com a independência, teria dado um salto para um abismo de consequências imprevisíveis para a região.

Puigdemont abriu uma oportunidade de diálogo que Mariano Rajoy não deve desperdiçar. Entrincheirado na frente legal, o presidente do governo espanhol nãonão cedeu nenhum milímetro em direção a negociações. Mas, após as imagens do dia 1º de outubro, os olhos da Europa e do mundo observam o conflito com preocupação.

Rajoy deve sair para o terreno político e iniciar negociações com a Catalunha. Os espanhóis precisam de um presidente do governo que faça algo mais do que utilizar a Constituição como escudo. No momento mais crítico da Espanha após várias décadas de democracia, Rajoy deve demonstrar um espírito mais aberto ao diálogo e provar que seu governo é capaz de fazer a política digna de um país da relevância da Espanha na União Europeia.

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