Opinião: Será mesmo uma eleição decisiva para a União Europeia? | Notícias internacionais e análises | DW | 25.05.2019
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Opinião

Opinião: Será mesmo uma eleição decisiva para a União Europeia?

Sob o signo da extrema direita, especialistas preveem maior participação que de costume em pleito europeu. Mais do que nacionalistas e populistas, pior perigo para a UE é quem nem sequer vai votar, opina Felix Steiner.

Cartazes de campanha para eleição do Parlamento Europeu

Cartazes de campanha para eleição do Parlamento Europeu

Quem viaja pela Alemanha por estes dias vivencia um país dividido. Há regiões que, a rigor, parecem estar como sempre: um discreto cartaz eleitoral aqui ou ali, nada mais. E há lugares em que pelo menos dois rostos sorriem em cada poste de luz, gigantescos murais decoram cada pracinha, e no sábado é impossível ir à feira sem ser assediado por um candidato.

A que se deve essa diferença? Em nove dos 16 estados federados transcorrem neste domingo (26/05) as eleições municipais, e em Bremen se elege o parlamento estadual. Nessas localidades – e só nessas – luta-se por cada voto e por cada mandato, com toda força e sem poupar material.

Qual lição se tira disso? Apesar de todo o palavreado sobre uma suposta eleição decisiva para a União Europeia, parece que, pelos menos para os partidos alemães, os conselhos comunais no Sarre ou na Saxônia ainda são mais importantes do que o Parlamento Europeu. E essa exausta campanha europeia está ainda mais longe do empenho que cerca as eleições para o Bundestag (Parlamento alemão) no país.

Tais não são as melhores condições para elevar a participação daqueles menos de 48% alcançados no pleito parlamentar europeu de 2014 – o que já foi vergonhosamente pouco em termos de Alemanha, mas, ainda assim, cinco pontos percentuais acima da média da União Europeia. O recorde negativo coube à Eslováquia, onde apenas 13% do eleitorado encontrou o caminho para as urnas.

Desta vez tudo deve ser melhor, acreditam os especialistas em demoscopia, apontando uma mobilização nitidamente mais alta em todo o bloco. Segundo os pesquisadores de opinião, o motivo para tal é óbvio: o temor de uma maciça guinada para a direita estaria impelindo as cidadãs e cidadãos às seções eleitorais.

A dedução não poderia ser mais equivocada: também em quase todas as votações dos últimos anos a participação alemã nas urnas cresceu, e apesar disso os populistas de direita da Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançaram, na maioria dos casos, resultados muito bons.

Antes a regra fora sempre que, quanto maior a participação eleitoral, menor o sucesso das legendas nos extremos do espectro político. Agora, ao contrário, deve-se tomar consciência de que sobretudo os populistas de direita conquistam para si numerosos eleitores que antes ficavam em casa.

O desempenho dos ultradireitistas será, sem dúvida, o tema decisivo da noite de domingo na Europa. Será que o escândalo do vídeo de Ibiza terá consequências para seu resultado na Áustria? Ou será que eles alcançarão, por todo o bloco, os 20%, talvez até 25%, que preveem alguns estatísticos? E, caso tal previsão se confirme: o que isso significa para a UE? Será esse de fato o princípio do fim de sua história de sucesso?

Não, a despeito de todas as ondas de choque que um resultado de 25% para a extrema direita em nível europeu certamente provocaria, a coisa não é tão fácil assim. A primeira pré-condição seria os populistas e nacionalistas da Europa entrarem em acordo e se unirem numa bancada conjunta no Parlamento Europeu. No momento há três.

Nacionalistas de todas as nações, uni-vos? A contradição é evidente, e o perigo de uma ameaça à UE a partir do Parlamento, proporcionalmente pequena. Cada governo nacionalista ou populista de direita é capaz de causar danos bem piores através de bloqueios nos conselhos ministeriais e conferências de cúpula.

Não, para a legitimação e futura força do Parlamento Europeu, vale muito mais dizer que os grandes desprezadores da democracia e da Europa unida são aqueles que não se importam com nenhuma dessas duas coisas, e que, por isso, nem sequer vão votar.

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