Opinião: Seis lições da era Trump | Notícias internacionais e análises | DW | 10.06.2020
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Opinião

Opinião: Seis lições da era Trump

Estamos vendo o que pode acontecer quando um país perde o respeito por suas instituições e, no fim, por si mesmo, afirma a correspondente em Washington Ines Pohl.

(1) Quatro anos atrás, quando Donald Trump se destacava nas primárias, na disputa intrapartidária dos republicanos pela candidatura presidencial, muitas pessoas dentro e fora dos EUA pensavam que, se ele de fato vencesse a corrida presidencial, o cargo iria amansá-lo. Também naquela época, no curso posterior da campanha eleitoral, muitos o perdoaram pelos insultos, por suas odiosas acusações contra sua adversária, pelas ameaças aos jornalistas e pelos ataques verbais a portadores de deficiência. Pensaram que tudo era palavreado de campanha eleitoral. E que o seguinte iria acontecer: "O cargo molda o homem". Nos últimos anos, o mundo teve que aprender amargamente que populistas continuam sendo populistas ‒ não importa em que cargo estejam. E que aprender que empresários e políticos não abandonam o desprezo pelas pessoas apenas porque prestam um juramento.

(2) Não se deve menosprezar a forma como políticos falam sobre seus adversários e críticos. Hoje estamos vivenciando o efeito de longo prazo do veneno verbal que Trump vem derramando sobre seu país há quatro anos, um veneno que está destruindo a sociedade por dentro. Por meio dos contínuos ataques verbais do presidente, o ódio, a raiva e o desprezo determinam os sentimentos de muitos americanos. Palavras são armas ‒ não são bobagens. É preciso lidar com elas com o maior rigor possível. Mesmo quando se corre o risco de ser chamado de chato ou sem senso de humor.

(3) O racismo mata. E esses atos assassinos sempre começam na cabeça. Não podemos nos dar o luxo de ser negligentes na luta contra a exclusão e o racismo cotidiano. Até hoje na Alemanha ainda existem muitos resquícios de extrema direita em instituições importantes, piadas xenófobas pertencem à ordem do dia, minorias são escolhidas como bodes expiatórios. Obviamente, cada país tem sua própria história com os respectivos desafios específicos. Mas nenhuma sociedade está livre do racismo. Todos nós temos que questionar repetidamente nossos pensamentos e ações.

(4) Eu estava lá há quatro anos e vi como Trump iniciou sua campanha contra as instituições existentes; como ele vendeu o seu racismo, seu desprezo pelas mulheres, sua ira contra os esforços em prol de uma democracia inclusiva e de maior igualdade de oportunidades como uma "luta contra os que estão lá em cima" ‒ as elites. Que esse discurso populista ataca os fundamentos democráticos deve ser um aviso para todos os políticos.

(5) Os Estados Unidos estão num curso autodestrutivo também porque não há mais espaços em que os cidadãos possam trocar ideias. Não há mais pontos em comum nas cerradas visões de mundo das redes sociais. Até a mídia tradicional dificilmente consegue chegar a pessoas fora do respectivo espectro político. Esse isolacionismo furioso abre a porta não apenas para os fanáticos por teorias de conspiração no próprio país, mas também para forças estrangeiras, com intenções políticas concretas e sombrias.

(6) Eu não sei como você se sente. Mas às vezes me vejo embasbacada quando se trata do atual presidente dos Estados Unidos. O que seria inimaginável apenas alguns anos atrás é visto agora como uma nova realidade ‒ ataques verbais a outros chefes de Estado, ameaças, insultos. A resposta lendária da ex-primeira-dama Michelle Obama foi uma tentativa precoce de oferecer outros padrões: "Quando eles descem, nós subimos."

Os EUA podem servir de alerta. O tratamento respeitoso é mais do que etiqueta social. Ele é a base também para a verdadeira formação de opiniões democráticas. Com isso, não estou dizendo que não se deve discutir ferozmente em torno do melhor argumento, também no espaço público político e midiático. Mas mesmo num rápido tuíte, deve-se manter um tom educado. Nestes dias e semanas, estamos vendo o que pode acontecer quando um país perde o respeito por suas instituições e, no fim, por si mesmo.

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