Opinião: Saída para a Venezuela tem que ser política | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 02.05.2019
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Opinião

Opinião: Saída para a Venezuela tem que ser política

O confronto é infrutífero e só polariza e esgota a população. Comunidade internacional deve tornar claro aos campos adversários a importância do diálogo para solucionar a crise, opina o analista político Günther Maihold.

Homem em meio a fumaça, carregando a bandeira venezuelana no ombro, leva lenço ao nariz

Militante da oposição em nuvem de gás lacrimogêneo em Caracas

Os acontecimentos dos últimos dois dias na Venezuela permitem muitas interpretações diferentes – a situação ainda é muito confusa. Mas uma coisa pode ser dita com grande certeza: o cabo de força em Caracas ocorre às custas da população, que vê ficar cada vez mais distante uma solução para o impasse entre Juan Guaidó e Nicolás Maduro e sofre cada vez mais de exaustão política.

As consequências das sanções ao petróleo e da escassez continuada do abastecimento aumentarão ainda mais a migração para os países vizinhos. A frustração crescente atinge de forma especial Juan Guaidó, cuja estratégia na luta pelo poder se baseia na capacidade de mobilização de seus seguidores. A falsa afirmação da manhã de terça-feira de que partes relevantes dos militares passaram para seu campo prejudicou a ele e a seu projeto. A libertação de Leopoldo López de sua prisão domiciliar também não levou as pessoas massivamente às ruas. O desejado efeito de nocaute não ocorreu. E se espalham desilusão e fadiga após meses de manifestações em massa, combinadas com medos de ações violentas dos órgãos de segurança do regime.

As tentativas de Washington de provocar pelo discurso uma queda de Maduro estão cada vez mais desvalorizando o apoio de países estrangeiros, considerado tão importante pelos seguidores de Guaidó. Não está parecendo que uma abrupta mudança de regime se aproxima. A estratégia de Guaidó parece não estar funcionando. Mas também Maduro está enfraquecido: a cada evento, ele é obrigado a se assegurar novamente do apoio contínuo da liderança militar.

A esfera militar é o único jogador a emergir fortalecido do confronto: conseguiu se manter até agora, em grande parte, como um ator bastante autônomo, as dissidências de forças individuais não provaram ser relevantes. Mas com isso, uma dinâmica perigosa é posta em movimento: as duas partes opostas na luta de poder pelo governo estão competindo pela liderança do Exército, e perdem cada vez mais o controle da situação – que pende cada vez mais para os generais.

Isso apenas tende a complicar a perspectiva de uma solução política para o conflito, que é indispensável para a dissolução do impasse entre Guaidó e Maduro. Os militares vão ganhando o duvidoso papel de fiadores de um possível cenário de reforma na Venezuela. Por exemplo, Guaidó e López poderiam atuar como "líderes duais" no futuro. Tal plano, segundo o qual Guaidó continuaria na linha de confronto e López faria as vezes de negociador inteligente, poderia trazer movimento aos fronts emperrados.

O confronto infrutífero em Caracas, que polariza e esgota cada vez mais a população, só pode terminar politicamente. Mas ambos os oponentes continuam a jogar pela vitória e impõem condições. A tarefa da comunidade internacional agora é tornar claro a ambos os protagonistas a falta de perspectiva para solução do impasse, para permitir a virada para o diálogo. Um confronto a qualquer preço só ocorre à custa do povo, a espera pelo cansaço dos protagonistas e o esgotamento do povo não fazem a situação avançar. A Alemanha, a Europa e os países da América Latina devem agora abandonar seu papel de espectadores e não devem se esquivar da responsabilidade pela situação do povo na Venezuela. É hora de uma iniciativa no nível dos ministros do Exterior para acabar com o confronto inútil em Caracas.

Günther Maihold é vice-diretor do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (Stiftung Wissenschaft und Politik).

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