Opinião: O futebol precisa de mais mulheres como Stéphanie Frappart | Siga a cobertura dos principais eventos esportivos mundiais | DW | 16.08.2019
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Opinião

Opinião: O futebol precisa de mais mulheres como Stéphanie Frappart

Por décadas futebol foi coisa de homem. Mas mulheres ajudam a moldar esse esporte há muito tempo, e agora, a exemplo da árbitra Stéphanie Frappart, é hora de elas passarem para a linha de frente, opina Joscha Weber.

Pulisic, do Chelsea, questiona decisão da juíza Frappart de anular gol feito por ele contra o Liverpool

A árbitra francesa Stéphanie Frappart foi a primeira mulher a apitar uma final europeia

A toda velocidade, a juíza Stéphanie Frappart se aproxima da grande área. Sua camisa amarela se move rapidamente através da respiração ofegante, após percorrer mais da metade do campo. Mas Frappart não irradia cansaço nem agitação, e sim calma. Ela acabou de anular um gol de Christian Pulisic, do Chelsea, na final da Supercopa da Europa contra o Liverpool.

Seria 2 a 0 para os atuais campeões da Liga Europa e talvez algo como uma decisão preliminar pouco antes do intervalo. Mas Frappart e suas duas assistentes, Manuela Nicolosi (França) e Michelle O'Neill (Irlanda), marcaram o impedimento de Pulisic.

Após breve confirmação do árbitro de vídeo Clément Turpin, a decisão de Frappart é mantida: não foi gol. Enquanto o americano Pulisic gesticula de forma irritada à sua frente, Frappart se mantém calma. Ela não se impressiona; irradia determinação e tem linguagem corporal confiante – a francesa domina seu trabalho. E não houve qualquer dúvida sobre isso nem antes nem depois da partida. 

Mesmo antes de se tornar a primeira mulher a apitar uma grande final de um torneio de futebol masculino, a juíza de 35 anos já era vista como uma das melhores árbitras. Já apitava jogos masculinos aos 19 anos de idade e, desde 2011, apita partidas internacionais. O destaque de sua carreira até então era a final da Copa do Mundo de Futebol Feminino em julho deste ano.

Contudo, sua vida mudou ao ser chamada para apitar a final da Supercopa da Europa, em Istambul. "Sou mais conhecida agora", afirma Frappart, deixando claro que toda a excitação em torno desse jogo "histórico" é desnecessária: "O futebol é o mesmo, as regras são as mesmas."

O fato de muitos torcedores se importarem com o gênero de quem apita um jogo revela muito sobre o esporte mais popular do mundo. Foi – e continua sendo – um mundo masculino. Durante décadas ir ao estádio aos sábados era coisa de homem – para alguns, parece que ainda é. E não somente no Irã ou na Arábia Saudita, mas também aqui na Europa, o berço desse esporte.

Mas as paredes da fortaleza masculina estão se desmoronando. A juíza Bibiana Steinhaus é dona do apito na Bundesliga, e Stéphanie Frappart faz o mesmo agora na Supercopa. Vozes femininas são cada vez mais ouvidas nas arquibancadas; há tempos mulheres fazem parte da comissão técnica de clubes profissionais; há várias narradoras de futebol nos bastidores e algumas comentaristas na tribuna de imprensa – mesmo que muitas delas ainda tenham que aturar comentários maliciosos.

Sem contar, é claro, com as inúmeras agentes de segurança interna, policiais, garçonetes, vendedoras de ingressos ou diretoras de TV que tornam possível a realização e a transmissão de um jogo. Há muito tempo as mulheres fazem parte do futebol, incluindo o futebol masculino – e está na hora de os homens verem isso também.

Stéphanie Frappart e sua equipe mostraram um desempenho forte e impecável num jogo apertado e competitivo – apesar da grande pressão do público. No 39º minuto do segundo tempo, Frappart apitou outro gol irregular do Chelsea, e a decisão foi tão correta quanto a marcação de um pênalti para o mesmo clube durante a prorrogação.

Esse desempenho impecável deve agora qualificar a francesa para missões ainda maiores: está na hora de uma mulher apitar jogos importantes num grande torneio masculino – e a Eurocopa 2020 é a próxima oportunidade para isso. O futebol masculino só pode se beneficiar de uma imparcialidade tão soberana e resiliente como a de Stéphanie Frappart.

E talvez o último tabu possa também ser derrubado: uma mulher como treinadora de um grande time ou equipe nacional masculina. As mulheres são capazes também desse trabalho. Por que não?

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