Opinião: Na mídia e política, mais atenção, menos precipitação | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 12.01.2019
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Opinião

Opinião: Na mídia e política, mais atenção, menos precipitação

Ciberataque russo a deputados alemães? Esquerdistas espancam ultradireitista? Líder verde acha que estado do Leste é ditadura? Os tempos são sérios demais para "fake news" involuntárias, adverte Fabian von der Mark.

Agente examina local de suposto atentado político contra deputado da AfD em Bremen

Agente examina local de suposto atentado político contra deputado da AfD em Bremen

O novo ano ainda nem completou duas semanas, e a Alemanha já está mais uma vez em polvorosa. Foram colocadas três pedras no caminho dos observadores da política, redes sociais e imprensa, e quase todos fizeram questão de tropeçar numa atrás da outra.

No primeiro caso, divulgaram-se dados de políticos, jornalistas e personalidades públicas da Alemanha que, na verdade, deveriam ter permanecido confidenciais: números de celulares, endereços, até mesmo conversas privadas.

Isso é péssimo, não há dúvida. Só que não se tratou de nenhum ciberataque do serviço secreto russo, como políticos e jornalistas imediatamente presumiram, e sim do ato de um jovem de 20 anos da cidade de Hessen. Os observadores foram simplesmente apressados demais.

No fim das contas, a prefeita da cidade natal do hacker se disse orgulhosa dele, e um político da União Democrata Cristã (CDU) quer até lhe arranjar um emprego. Durma-se com um barulho desses.

E aí o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) anuncia um "atentado assassino" contra o chefe de sua bancada parlamentar estadual de Bremen, Frank Magnitz. O também deputado federal teria sido abatido com um caibro e, caído no chão, espancado a pontapés.

Mas o vídeo divulgado pela polícia no fim da semana não mostra nem caibro, nem chutes contra o político derrubado. O que se vê é um ataque vicioso, de quem quer que seja, sem dúvida digno de ser condenado e punido penalmente. Entretanto a essa altura todos já tinham feito o maior alarde, até mesmo o presidente federal: tratava-se de uma ruptura na história da Alemanha, violência como na época da República de Weimar, e por aí foi.

E, para terminar, veio o copresidente do Partido Verde, Robert Habeck. Numa situação em que em alguns estados do Leste Alemão a AfD ameaça se tornar a legenda mais forte, ele disse num vídeo, no Twitter, que a Turíngia deve se tornar livre e democrática. Claro que soa estúpido, mas é óbvio que ele quis dizer que o estado deve permanecer, não ficar, democrático.

Contudo seus adversários políticos não perderam a oportunidade de entendê-lo mal, de propósito, e entraram numa exaltação sem limites. Habeck – cujas mensagens privadas para a esposa e o filho tinham sido divulgadas pouco antes por um rapaz de 20 anos (ver acima) – se aborreceu tanto, que saiu imediatamente do Twitter e do Facebook, no que muitos também consideraram uma reação precipitada.

Três vezes teria sido possível refletir: o que é indignação direcionada, o que são informações garantidas, e como seria uma reação razoável à situação? Três semanas depois do escândalo em que o repórter Claas Relotius, da conceituada revista Der Spiegel, foi desmascarado como mentiroso, um jornal alemão estampava na primeira página: "Com caibro e capuz".

O jornalismo já perdeu crédito demais para poder se permitir esse tipo de desleixo. Transcorrem em 2019 as eleições para o Parlamento Europeu, que poderão ser alvo de notícias falsas e manipulações como nenhuma outra antes. Por mais que se goste de uma notícia rápida, políticos, profissionais de imprensa e cidadãos precisam tomar tempo para verificar os fatos com cuidado. Os tempos atuais são sérios demais para tiros à queima-roupa e indignação automática.

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