Opinião: Merkel encontra novamente o tom certo | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 01.01.2021

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Opinião

Opinião: Merkel encontra novamente o tom certo

A chanceler federal alemã dedicou quase todo o seu discurso de Ano Novo à pandemia. E conseguiu colocar a coisa mais importante em foco: o povo, seu destino, seus medos, suas conquistas, opina Jens Thurau.

Angela Merkel em seu discurso anual em rede nacional

Angela Merkel em seu discurso anual em rede nacional

Angela Merkel tem razão: alguma coisa passou por cima de nós, em todo o mundo, neste ano de tirar o fôlego que foi 2020, algo que ninguém esperava. Em seu último discurso de Ano Novo, a chanceler federal alemã nem se preocupou em abordar outro tema, senão a pandemia. Ela disse algumas palavras no final sobre a proteção climática e a necessidade de continuar a garantir condições de vida iguais na Alemanha. No mais, o assunto foi coronavírus - e, acima de tudo, o que o vírus está causando às pessoas.

Merkel é frequentemente acusada de adotar uma abordagem demasiadamente sóbria e analítica até mesmo para grandes problemas. No início de 2020, a chanceler apontou o que ela acreditava ser a coisa mais importante que o país e a sociedade precisavam: solidariedade e a observância das medidas e restrições sem precedentes adotadas na Alemanha.

É justamente a esta coesão que Merkel está apelando agora. Justamente no momento em que as pessoas estão cansadas das tantas histórias horríveis, no momento em se sentem irritadas com o caos em torno do início da vacinação na Alemanha. Por isso é importante reconhecer mais uma vez o esforço que a Alemanha fez em 2020 e terá que fazer em 2021.

A vida humana como principal

Em seu discurso, Merkel pediu que fosse feita uma pausa em memória dos mortos. Ela mencionou claramente a minoria que nega a existência do vírus: algo errado e perigoso, afirmou, cínico e cruel para com as vítimas.

Merkel prestou homenagem a médicos, enfermeiros, motoristas de ônibus, trabalhadores de supermercado, policiais e soldados, trabalhadores da saúde. Ela mencionou os trabalhadores e comerciantes culturais que temem por seus empregos. E então, muito brevemente, ela não perdeu a oportunidade de se referir à segunda grande luta política, que até um ano atrás estava centralmente ligada a sua chancelaria: a questão de quanta imigração o país pode tolerar, quantos refugiados.

Merkel mencionou a empresa alemã Biontech, onde foi desenvolvida uma vacina contra o coronavírus, agora utilizada em todo o mundo. Uma empresa onde pessoas de 60 países trabalham juntas. Nada, disse Merkel, poderia demonstrar melhor que é o poder da diversidade que traz progresso. Isso quase soa como um legado.

Sem desculpa para erros

Aqueles que esperavam que Merkel pedisse desculpas por alguns dos graves erros cometidos ao lidar com a pandemia, especialmente nos últimos três meses, ficaram desapontados. A chanceler falou de aprendizagem constante durante todo o ano, e é isso mesmo. Por outro lado, ela se absteve de culpar os governadores de alguns estados, por exemplo, os que impacientemente insistiram no fim das restrições no meio do ano. E ela agradavelmente se absteve do tipo de insultos públicos que se permitiu em dezembro: quando Merkel fez parecer como se cada vinho bebido nas ruas fosse um ataque à saúde de seus semelhantes.

Merkel então tocou no debate acalorado sobre a questão da ordem em que as vacinas devem ser dadas. Para este caso, usou uma frase curta, típica dela: "Eu também serei vacinada quando for a minha vez". Em outras palavras, a discussão sobre o tema é desnecessária.

Se não fosse pelo coronavírus, a chanceler, no cargo há 15 anos, poderia ter usado este discurso de Ano Novo para relembrar a era associada ao seu nome. Mas isso seria inapropriado agora. O governo Merkel será definido se o país, se a sociedade, conseguirem combater a pandemia de tal forma que possa continuar em progresso. Ainda não está claro se isso será possível. Merkel sabe disso. Não há tempo, portanto, para tirar uma conclusão apressada.

Jens Thurau é jornalista da DW. O texto reflete a opinião pessoal do autor, e não necessariamente da DW. 

 

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