Opinião: Fim da guerra foi só uma etapa contra o nazismo | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 08.05.2020

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Opinião

Opinião: Fim da guerra foi só uma etapa contra o nazismo

Em 8 de maio, se concretizou o que militarmente já era um fato há tempos: a derrota da Alemanha e do regime de Adolf Hitler. Mas a "desnazificação" mental dos alemães ainda duraria anos.

Soldados americanos são saudados pela população de Munique, em 8 de maio de 1945

Soldados americanos são saudados pela população de Munique, em 8 de maio de 1945

Em 8 de maio de 1945, as armas silenciaram na Europa, como se diz metaforicamente. Em termos concretos: cessaram os combates e as mortes – assim como desapareceram os fronts que ainda existiam e os bombardeamentos das cidades.

No dia anterior, a liderança da Wehrmacht, as forças armadas nazistas, já havia assinado a rendição incondicional na sede dos Aliados em Reims; no dia 9 de maio, a cerimônia seria repetida em Berlim, perante os soviéticos. 

É por isso que ainda hoje existem na Europa dias diferentes para lembrar o fim da Segunda Guerra Mundial. Em todo caso, não houve combates a partir das 23h do dia 8 de maio. A guerra tinha custado cerca de 60 milhões de vidas na Europa, na Ásia Oriental e no Pacífico.

Para o regime nazista, o fim da guerra foi apenas uma fase intermediária, porque até o final de maio, o grande-almirante Dönitz residia com partes da antiga elite do poder na Escola Naval Mürwick, em Flensburg, no norte da Alemanha, e agia como se o poder supremo na Alemanha ainda estivesse com ele. 

Em outras partes da Alemanha, com o rápido avanço dos Aliados e das tropas soviéticas, o domínio dos nazistas já tinha terminado em março ou abril.

Uma série de oficiais da Wehrmacht e de civis corajosos no front ocidental havia assegurado que muitas cidades destinadas à defesa incondicional fossem entregues sem grandes combates. 

No Leste, por outro lado, os combates foram ferozes até o fim. Para a maioria das pessoas na Alemanha – a população civil, os trabalhadores forçados, os prisioneiros de guerra e os presos em campos de concentração – o dia 8 de maio foi sobretudo uma data simbólica: eles já haviam sido derrotados, ocupados ou libertados (dependendo da forma como se via) mais cedo. 

Por isso, o dia 8 de maio não desempenhou um papel importante em sua memória. Era, no entanto, importante para as pessoas de fora da Alemanha, para quem um pesadelo havia finamente chegado ao fim naquele dia.

A guerra havia começado em 1º de setembro de 1939 com a invasão alemã da Polônia, seguida pela declaração de guerra francesa e britânica contra o regime nazista e, pouco depois, pelo ataque soviético no leste polonês. À primeira vista, parecia ser uma espécie de guerra revisionista para destruir a ordem de Versalhes após a Primeira Guerra Mundial. 

Mas as primeiras medidas tomadas contra a população judaica da Polônia foram um sinal de que a guerra iria em breve se tornar uma guerra ideológica: contra os eslavos, contra os judeus, contra o bolchevismo. 

No verão europeu de 1941, Hitler e Goebbels já conclamavam abertamente a isso. Tornou-se uma guerra que deixou marcas diferentes na Europa – tanto físicas como psicológicas: no Ocidente virou um trauma que continua a ter impacto até hoje em alguns lugares; no Leste foi uma catástrofe. E aqui na Alemanha deixou um rastro de destruição que ainda pode ser notado.

Alguns dos alemães eram seguidores fanáticos de Hitler e nacional-socialistas convictos; outros eram meros opositores da Ordem de Versalhes e celebraram a sua destruição militar durante os dois primeiros anos da guerra; muitos ficaram indiferentes desde que a guerra não interviesse demais em suas vidas; apenas alguns eram opositores da guerra. Esta situação começou a mudar em 1943, com a derrota de Stalingrado e os bombardeios cada vez mais violentos. O nacional-socialismo se tornava algo cada vez mais distante – e o regime reagiu a isso com uma estratégia de fanatismo crescente.

A "desnazificação" dos alemães aconteceu gradualmente: para alguns, já começou em 1943, para outros apenas com a inevitável derrota, a partir do início de 1945; uns só a perceberam com a consolidação da prosperidade na Alemanha do pós-guerra – e outros permaneceram nazistas até o fim de suas vidas. 

O fim da guerra em 8 de maio de 1945 foi apenas um passo intermediário na "desnazificação" mental dos alemães. Politicamente, porém, foi o passo mais importante, pois era o pré-requisito para a criação de uma outra, uma nova Alemanha.

Herfried Münkler é cientista político e lecionou na Universidade Humboldt de Berlim até 2018.

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