Opinião: Festividades dos 60 anos da República Popular da China ecoam no vazio | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 30.09.2009
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Mundo

Opinião: Festividades dos 60 anos da República Popular da China ecoam no vazio

Neste 1° de outubro, a República Popular da China faz 60 anos, e tem realmente o que comemorar. As festividades em Pequim, no entanto, evitam um olhar crítico sobre o próprio passado, opina Matthias von Hein.

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O escritor britânico George Orwell cunhou certa vez a frase: "Quem controla o presente, controla também o passado. E quem controla o passado, controla o futuro". Na China, o Partido Comunista controla o presente. E, assim, o partido também é subjugado pelo passado. Isso pode ser percebido, por exemplo, na figura de Mao Tsé-tung. Por todo o país, estão sendo restauradas suas estátuas. Nos cinemas, ele é festejado como herói e salvador do país.

O olhar embelezador sobre o passado omite as catastróficas campanhas em massa: a Revolução Cultural, por exemplo, ou também o "Grande Salto para a Frente". Nesta, que foi uma das maiores misérias da história desencadeadas pelo homem, há quase 50 anos, estima-se que morreram 30 milhões de pessoas. Não há debates públicos a respeito disso. E mesmo os historiadores têm dificuldades em pesquisar e publicar a este respeito.

Nas celebrações pelos 60 anos de fundação da República Popular da China, paira a ameaça de que encenação e realidade possam se distanciar. A China se apresenta com força através de uma parada militar de calibre especial. Mas, do lado de dentro, a preocupação em relação à estabilidade é tão grande que, por razões de segurança, a venda de facas de cozinha foi proibida em Pequim, enquanto soldados foram enviados às ruas armados com metralhadoras.

A China quer se mostrar como uma família feliz de muitos povos. Mas a região autônoma do Tibete foi bloqueada para grupos de estrangeiros antes do dia das celebrações. As medidas de segurança para a comemoração dos 60 anos de fundação da República Popular ultrapassam em muito aquelas tomadas durante os Jogos Olímpicos no país.

Apesar de todas as promessas de "harmonia" e "estabilidade", a liderança da China parece estar tomada de profunda desconfiança em relação à própria população. "Pão e circo" devem acalmar o povo, detendo-o de maiores questionamentos. E a China, nos últimos 60 anos, certamente alcançou muita coisa de que pode se orgulhar.

A ascensão econômica dos últimos 30 anos não tem precedentes na história. Centenas de milhões de pessoas puderam se libertar da mais absoluta miséria. Até mesmo o Banco Mundial cita a China como o caso mais bem-sucedido no combate à pobreza. O sistema educacional chinês fez enormes progressos. Mais de 20 milhões de estudantes frequentam as universidades do país. E a China dispõe das maiores reservas de divisas do mundo.

Mesmo assim, os líderes chineses demonstram surpreendentemente pouca soberania. Eles não reagem a críticas com a serenidade do mais forte, mas sim com o nervosismo do mais fraco. Dissidentes são presos, e as manchas negras da história são simplesmente retocadas. Sob esses auspícios, as festividades na Praça Tian An Men irão soar vazias e insossas.

Autor: Matthias von Hein
Revisão: Augusto Valente

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