Opinião: Europa não pode se deixar burlar pela ofensiva de charme da Rússia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 09.10.2008
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Mundo

Opinião: Europa não pode se deixar burlar pela ofensiva de charme da Rússia

Retirada das tropas das zonas de segurança antes de expirar o prazo convencionado é parte da estratégia russa, pois em primeira linha Moscou atingiu seus objetivos no conflito, opina Ingo Mannteufel.

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Antes de seu encontro em Evian com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, o presidente russo, Dimitri Medvedev, pôde anunciar cheio de orgulho que a Rússia terá retirado suas tropas das zonas de segurança na Geórgia inclusive antes do prazo prometido, que seria a sexta-feira. Com isso, a Rússia pretende mostrar-se como um parceiro confiável e construtivo da União Européia e restabelecer a confiança perdida nos últimos meses.

Mesmo rumo político

Ingo Mannteufel

Ingo Mannteufel

O presidente Medvedev pode fazer isso com toda serenidade e soberania, pois com a retirada das tropas das zonas de segurança a Rússia na verdade não perde muito. Sob o ponto de vista da estratégia militar, a retirada não muda nada: unidades do Exército russo continuam assegurando as regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul. Ali deverão ser estacionados 7.600 soldados.

Também sob o aspecto diplomático-político a Rússia não mudou sua posição: através do reconhecimento da independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, o princípio da integridade territorial da Geórgia continua sendo desrespeitado.

A retirada das tropas das zonas de segurança antes de expirar o prazo convencionado deve ser interpretada como parte da estratégia russa, pois em primeira linha a Rússia atingiu seus objetivos no conflito. Ou seja, a segurança militar e o reconhecimento diplomático das províncias separatistas da Geórgia. Assim, a Rússia se apresenta como um parceiro construtivo da União Européia e espera poder alcançar mais.

Questão primordial permanece

O problema básico no entanto continua: a Rússia usou a agressão georgiana contra o regime separatista na Ossétia do Sul para reconhecer a independência das regiões pró-russas Abkházia e Ossétia do Sul.

Com isso, pela primeira vez desde a derrocada da União Soviética há 17 anos, Moscou desrespeitou, também do ponto de vista jurídico, o princípio da inviolabilidade das fronteiras no território pós-soviético.

Esta não é uma situação que ameaça apenas a Geórgia, que de forma nenhuma irá agradar ao presidente georgiano Saakashvili. Trata-se também de um desenvolvimento perigoso para a paz no continente eurasiano.

Por isso é necessário um pacto de estabilidade no Cáucaso, cuja negociação oxalá seja iniciada na próxima semana em Genebra entre Rússia, União Européia e todos os atingidos – isto é, também com representantes da Abkházia e da Ossétia do Sul.

Para isso é preciso levar em conta também a situação política na parte russa do norte do Cáucaso. Só assim será alcançada uma solução pacífica permanente para a região.

A União Européia deveria condicionar sua política em relação a Moscou às atitudes construtivas da Rússia nestas negociações, e não à retirada de alguns soldados russos das zonas de segurança criadas por eles próprios. (rw)

Ingo Mannteufel é o chefe das redações em russo de DW-RADIO E DW-WORLD.DE.

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