Opinião: Debater é bom; vacinar-se, melhor ainda | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 02.08.2021

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Opinião

Opinião: Debater é bom; vacinar-se, melhor ainda

Depois da ânsia de se vacinar, agora muitos postos na Alemanha estão vazios – e doses valiosas acabam no lixo. O país se despede da meta da imunidade de rebanho. Uma tragédia, opina Astrid Prange de Oliveira.

Sala de espera vazia de posto de vacinação em Munique

Postos de vacinação vazios atestam falta de disposição de tomar a injeção

É uma verdadeira tragédia: primeiro os cidadãos da Alemanha tiveram que esperar meses por uma vacina contra a covid-19. Agora os médicos dos postos de vacinação ficam esperando por quem se disponha, e milhares de doses acabam no lixo.

Alguns estados, entre os quais Hamburgo, Berlim e Baden-Württemberg, querem devolver seus excedentes ao Ministério da Saúde. Milhares de vacinas têm que ser eliminadas, pois seu prazo de validade expirou.

Já é suficientemente ruim que, desse modo, também estejam sendo destruídos milhões de euros do contribuinte. Pior ainda é o ceticismo ainda existente contra a vacina e a sorrateira despedida da meta de imunidade de rebanho, tão propalada no início da campanha.

Drama com grande elenco

Os participantes da tragédia são muitos, não só quem se recusa a tomar a injeção. Os céticos da vacina evocam seus direitos à liberdade pessoal, arriscando assim a restrição da liberdade de toda a sociedade.

Essa noção de liberdade à custa do interesse público não tem nada a ver com o ideal do cidadão esclarecido – defendido, com toda razão, por muitos liberais. Pelo contrário: ela mostra que se está disposto a condenar toda uma sociedade à falta de liberdade, no próximo confinamento.

Também as recomendações contraditórias quanto ao produto da AstraZeneca contribuíram para a tragédia. Enquanto Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aconselha o imunizante irrestritamente, para todas as faixas etárias, a Comissão Permanente para Vacinas da Alemanha (Stiko) só recomenda seu emprego nos maiores de 60 anos. A Dinamarca até mesmo suspendeu as vacinações com a AstraZeneca.

Nesse meio tempo, os tomadores de decisões políticas alemães partiram para a campanha eleitoral, na qual a destruição de vacinas não é um tema adequado. E a vacinação obrigatória, menos ainda.

Outros países já obrigam

A introdução da obrigatoriedade para determinados grupos profissionais nos vizinhos europeus mostra que é possível agir diferente. Na Itália, por exemplo, desde 25 de maio o pessoal médico tem que se vacinar contra o novo coronavírus. Também está sendo debatida a inoculação compulsória para os professores.

Na França, os funcionários de hospitais e de lares para idosos ou deficientes devem comprovar até 15 de setembro que se imunizaram. E no Reino Unido, o governo passou a exigir a vacinação dos empregados de lares para deficientes.

Para mim, uma das lições da pandemia é a constatação de que debates ideológicos e dogmatismo político não salvam vidas humanas nem neutralizam vírus – já o desenvolvimento rápido de vacinas, com toda certeza. Graças a esse excepcional desempenho cientifico e à cooperação internacional, parece possível controlar a pandemia.

Isso torna ainda mais acabrunhante a destruição de vacinas valiosas. O sofrimento dos mortos pelo coronavírus e de seus familiares exigem de nós que não desistamos, apesar de todos os reveses dolorosos, e continuemos nos vacinando, lutando por cada vida humana e travando debates incômodos. E tomando decisões, em vez de nos esquivar delas – para que a tragédia tenha fim.

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Astrid Prange de Oliveira é jornalista da DW. O texto reflete a opinião pessoal da autora, não necessariamente da DW.

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