Opinião: Crítica à Rússia crescerá, moderados ocidentais se calarão | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 26.08.2008
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Mundo

Opinião: Crítica à Rússia crescerá, moderados ocidentais se calarão

O reconhecimento por Medvedev das autodeclaradas repúblicas da Ossétia do Sul e Abkházia prejudicarão de forma considerável as relações entre a Rússia e a UE. Ingo Mannteufel opina.

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Ingo Mannteufel

Ingo Mannteufel

O presidente russo Dimitri Medvedev fez aquilo que tantos temiam. Moscou reconheceu em nível diplomático as repúblicas da Ossétia do Sul e Abkházia, que aspiram à independência em relação à Geórgia. Com este passo, a Federação Russa não apenas passa por cima de todas as advertências feitas pelos governos ocidentais nos últimos dias. Ela viola o direito internacional e ignora a integridade territorial de seu Estado vizinho europeu, a Geórgia.

É verdade que o presidente russo se vê no direito para tal, depois que o governo de Tbilisi tentou, por meios violentos, depor os regimes separatistas em território nacional georgiano. Porém o Kremlin está sozinho em tal posicionamento. Com esta decisão, a Rússia se posicionou em auto-isolamento perigoso não só para o Ocidente, como também para si própria. O reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abkházia acarretará uma considerável deterioração das relações entre a Rússia e o Ocidente.

Pois é uma ilusão o Kremlin achar que, após uma curta fase de descontentamento, o Ocidente sossegará. Não há dúvida, a Rússia dispõe de considerável potencial para prejudicar os interesses ocidentais em diversos setores: no Afeganistão, no impasse atômico com o Irã ou no abastecimento energético. Porém o mesmo se aplica ao Ocidente.

O perigo agora é que ambos os lados passem a erguer paredões de ameaças cada vez altos. O Ocidente poderia reagir integrando a Ucrânia e a Geórgia na Otan, ou impedindo o ingresso da Rússia na Organização Mundial de Comércio. A Rússia, por sua vez, poderia suspender o apoio ocidental no Afeganistão ou fundar um cartel internacional de gás natural. Dos dois lados, o arsenal de ações sabotadoras é grande.

Lamentável é o fato de que – de um ponto de visto sóbrio – ninguém tem a ganhar com um agravamento da confrontação, nem a Rússia nem o Ocidente. Nem mesmo os abkhazianos e os sul-ossetianos levam qualquer vantagem com o reconhecimento de sua autonomia, enquanto este se der exclusivamente pela Rússia.

Por mais insignificante que, à primeira vista, o conflito na Geórgia possa parecer para os Estados Unidos e a Europa, esse ato hostil de Medvedev levará inevitavelmente a Otan e a União Européia a uma unificação e consolidação de sua política em relação à Rússia. A crítica ao país aumentará, os adeptos de um curso moderado em relação à Rússia emudecerão.

Isto já se faz notar claramente nas reações alemãs, por parte da chanceler federal Angela Merkel e do ministro do Exterior Frank-Walter Steinmeier. Pois justamente a Alemanha pertencia há anos aos Estados da UE que ainda apostavam numa cooperação com a Rússia. Tal deverá agora mudar, no tom e nos atos. (av)

Ingo Mannteufel é chefe das redações russas de DW-RADIO e DW-WORLD.DE.

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