Opinião: A vez do ″Trump sem filtro″ | Notícias internacionais e análises | DW | 12.10.2016
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Estados Unidos

Opinião: A vez do "Trump sem filtro"

Quem já achava o magnata colérico, machista e sem papas na língua que se prepare: depois do abandono pela cúpula partidária, o que se vê agora é o "Trump sem filtro", afirma o correspondente Miodrag Soric.

Miodrag Soric é correspondente da DW em Washington

Miodrag Soric é correspondente da DW em Washington

Estávamos todos enganados, foi tudo um grande mal-entendido: o candidato à presidência americana Donald Trump é tudo, menos um colérico ou até mesmo machista! Até agora, ele se conteve em suas declarações, agiu com sensibilidade – se considerarmos os seus próprios parâmetros.

Por muito tempo, o concorrente republicano mostrou consideração pelo establishment do partido. Mas, depois que a cúpula de sua legenda lhe retirou o resto de apoio, o magnata do setor imobiliário nos comunicou que resolveu tirar as luvas de pelica: agora, sim, vemos o "Trump sem filtro".

Quem acreditava que a campanha eleitoral nos Estados Unidos já havia alcançado o fundo do poço moral, enganou-se. Trump se sente traído. É um fato inédito: a liderança partidária se distancia de seu principal candidato à Casa Branca – e totalmente injustificado, do ponto de vista de Trump.

Afinal de contas, ele se desculpou por seu "papo de vestiário entre homens". Vamos passar a borracha por cima disso! Só que, depois que foram revelados os comentários sexistas do bilionário, a paciência de muitos republicanos acabou.

O candidato presidencial precipita o partido numa profunda crise – do ponto de vista de Trump, porém, a culpa não pode ser de Trump: ele aponta o dedo acusador para o establishment, desde o início contrário a sua candidatura. Quando ele se queixa da falta de respaldo, a coisa assume um tom teatral, como num reality show.

Na realidade, o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, tenta salvar o que ainda pode ser salvo: a honra partidária, o máximo possível de assentos no Congresso. A luta pela chefia de Estado está aparentemente perdida.

A esta altura, Trump não tem contra si apenas a liderança do Partido Republicano: os lobos de Wall Street, os lobistas, os belos e ricos de Hollywood, todos conspiram contra ele. Sobretudo a mídia: no debate televisivo mais recente, com dois apresentadores e Hilary Clinton, ele se queixou ao microfone, como um garoto ofendido no pátio da escola: "Três contra um: assim não é justo."

Como se Trump fosse a encarnação da justiça! Ele, que rebaixou a cultura de debate americana a um nível jamais visto, entregando-se repetidamente a brigas na lama com seus opositores – o que, no início de sua candidatura, rendeu-lhe numerosas manchetes.

Aquele que agora se queixa da mídia deve justamente a ela sua ascensão. Quase sem questionamentos, ela o deixou vociferar sobre a construção de um muro na fronteira com o México, o fechamento das fronteiras para os muçulmanos, o fim do livre-comércio. Com suas tiradas, ele garantiu altos índices de audiência, as caixas registradoras tilintavam nas redes de TV. Durante longo tempo, nada parecia respingar no "Trump Teflon".

Finalmente os ventos mudaram. O comportamento do candidato republicano é questionado diante das câmeras, seu vocabulário é criticado, seus modelos tributários e outras "soluções" políticas são desmascarados como propostas vazias.

Por que a liderança republicana, por que a mídia precisou de tanto tempo?

Leia mais