Operações de paz serão prioridade da Alemanha no Conselho da ONU | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 26.12.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Operações de paz serão prioridade da Alemanha no Conselho da ONU

Pela quinta vez desde que se filiou às Nações Unidas, em 1973, a Alemanha participará, a partir de janeiro, do mais poderoso grêmio da ONU. A ordem do dia será essencialmente ditada pelas crises em curso.

default

Conselho de Segurança da ONU

A Alemanha foi escolhida já no primeiro turno da votação, em outubro último, para integrar por dois anos o Conselho de Segurança da ONU. O ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, viu no fato uma prova de confiança.

"Agora temos a chance de também participar das decisões a serem tomadas, e de fazer valer com mais força nossa influência, por exemplo, na solução de conflitos regionais."

Clube dos poderosos

A partir de janeiro de 2011, a Alemanha irá compor, por dois anos, o mais poderoso grêmio da Organização das Nações Unidas. Isto significa que terá voz ativa, quando o Conselho aprovar resoluções importantes. É a quinta vez que o país recebe tal distinção, desde que se filiou à ONU, em 1973.

A ordem do dia será essencialmente ditada pelas crises em curso. O maior poder de influência cabe aos cinco membros permanentes – China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia –, os quais dispõem de poder de veto sobre as decisões. Segundo o embaixador alemão na ONU, Peter Wittig, seu país não terá a oportunidade de realizar alguma forma de política própria em meio a esse ilustre círculo.

"Não se entra no Conselho de Segurança com um programa de governo, assim como quando se assume um mandato governamental. A agenda do Conselho é, por assim dizer, subordinada às crises, e também fortemente impulsionada pelas ações de manutenção da paz. A margem para improvisação é pequena, em comparação com a parte obrigatória."

Peacekeeping e crianças-soldados

Mas também existem temas recorrentes no Conselho da ONU. Berlim pretende se engajar nas operações de paz, o assim chamado peacekeeping. Aqui, as operações militares deverão ser mais estreitamente entrelaçadas com o peacebuilding – a construção de estruturas civis estáveis, após um conflito.

A Alemanha também deseja assumir responsabilidade no combate ao terrorismo, mais especificamente no Comitê de Sanções Al Qaeda-Talibã. Este é encarregado de decretar ou suspender ações punitivas – como restrições às viagens e outras– contra terroristas.

Essas decisões podem desempenhar um papel importante, por exemplo, no processo de reconciliação com o Talibã no Afeganistão. Além disso, o embaixador Wittig lembra também a preocupação com o destino das crianças-soldados.

"Um grupo de trabalho no Conselho de Segurança se ocupa, em essência, do abuso de crianças em conflitos, e, muito especialmente, do recrutamento e mobilização de crianças-soldados. Queremos nos dedicar a essa questão de forma especial."

Assento permanente: meta distante

Um posto permanente no Conselho da ONU continua sendo meta da política exterior alemã, porém a longo prazo. Pois não é o Conselho que decide sobre a reforma do grêmio, mas sim a assembleia geral, com todos os 192 membros. E aqui os tempos não são favoráveis a reformas.

Mas Wittig espera que a presença ativa de seu país venha influenciar naturalmente os debates sobre a reforma. Além da Alemanha, o Brasil e a Índia são candidatos a um posto permanente no Conselho de Segurança; ao lado da Nigéria e da África do Sul, que há muito tempo se batem pela representação devida do continente africano dentro do órgão.

Um dos primeiros assuntos com que a Alemanha será logo confrontada é o plebiscito no sul do Sudão. Em 9 de janeiro de 2011, os habitantes da região votam sobre sua eventual independência, e o embaixador alemão na ONU observa esse conflito desde já, pois em julho, quando possivelmente será fundado o Estado africano do Sudão do Sul, a Alemanha estará, justamente, ocupando a presidência do Conselho de Segurança da ONU.

Autor: Nina Werkhäuser (av)
Revisão: Roselaine Wandscheer

Leia mais